Morreu o músico Armando Gama

O vencedor do Festival da Canção com "Esta Balada Que Te Dou", foi vítima de cancro

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Armando Gama morreu esta segunda-feira aos 67 anos, anunciou Herman José na sua página da rede social Facebook. O Observador confirmou que o músico foi vítima de cancro e que estava internado no IPO de Lisboa.

“O querido Armando Gama mudou-se esta noite para palcos mais celestiais”, escreveu o apresentador e comediante, partilhando aquela que foi a última atuação do cantor e compositor na televisão portuguesa, no programa “Cá Por Casa”, da RTP1. A ex-mulher, Valentina Torres, também reagiu nas redes sociais.

Armando Gama nasceu a 1 de abril de 1954, em Luanda, Angola. O interesse pela música surgiu ainda na infância, quando iniciou os estudos de acordeão e guitarra e, mais tarde, piano. Criou a primeira banda, os LoveBirds, em 1970, e nas décadas seguintes esteve envolvido em vários outros projetos musicais, como os Tantra, um projeto de rock progressivo com Manuel Cardoso, e os duos Marinho & Gama e os Sarabanda.

Com os Sarabanda, um duo formado com a cantora, compositora e letrista Kris Köpke, assinou um contrato com a editora PolyGram, a convite de Tozé Brito, gravando três singles e um LP. O duo participou no Festival da Canção de 1980, com “Made in Portugal”, ficando em 5.º lugar na primeira semifinal e sem pontuação suficiente para chegar à final. O vencedor desse ano foi José Cid, com “Um grande, grande amor”.

Foi, no entanto, em nome próprio que venceu o Festival da Canção em 1983, com o tema “Esta Balada Que Te Dou”, um ano após ter assinado com a Rádio Triunfo e ter gravado o primeiro disco a solo, Quase Tudo. A canção foi editada em 17 países e chegou ao top na Bélgica. Ficou em 13.º lugar na Eurovisão desse ano.

Além de compositor e intérprete, Armando Gama foi também produtor, tendo trabalhado com nomes como Dina, Doce ou Trio Odemira. Recentemente, atuou regularmente com a banda Revival, um quarteto, e também a solo, sobretudo em hóteis.

Foi durante os ensaios do Festival da Canção de 1983 que Armando Gama conheceu a apresentadora da RTP Valentina Torres, com quem casou ao fim de seis meses e com quem formou um duo musical ainda nos anos 80. O casal participou na gravação de “Mãe Querida”, que juntou vários nomes grandes da música popular portuguesa dos anos 90, como Ágata, Romana e Tony Carreira.

O casamento chegou ao fim em 2009. Nas entrevistas que deu, Valentina Torres garantiu que mantinha um bom relacionamento com o ex-marido, pai dos seus dois filhos.

Dois anos após a separação, Gama iniciou um relacionamento com Bárbara Barbosa, 34 anos mais nova, que terá conhecido quando esta lhe pediu um autógrafo. Bárbara Barbosa assinou, juntamente com Luciano Reis e o próprio Armando Gama, a biografia do músico, Esta Balada que te Dou, editada em 2019.

Em 2020, foi detido por violência doméstica. Segundo confirmou na altura o Público, a detenção aconteceu quando o cantor estava a regressar a casa, em Mafra, e foi motivada pelo “perigo de continuidade das agressões praticadas”. De acordo com o divulgado pela GNR, que procedeu à detenção de Gama, este “agredia física e psicologicamente a companheira, de 30 anos, na presença do filho menor do casal”, então com cinco anos.

Graça Fonseca lamentou, em comunicado, a morte de Armando Gama, que “compôs e interpretou temas que marcaram a história da música portuguesa na segunda metade do século XX”. Destacando a vitória no Festival da Canção de 1983, a ministra da Cultura lembrou também o trabalho realizado por Gama na produção, em que “trabalhou com alguns dos músicos e intérpretes que marcaram, também, a música ligeira portuguesa”.

Numa nota publicada no site da Presidência da República, Marcelo Rebelo de Sousa apresentou as suas “condolências à família do compositor, músico e produtor”.

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