Noti luso

Projecto de Expansão do Centro Português de Caracas

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Existem, no Centro Português, dois mil accionistas que representam um universo familiar de 12 mil pessoas, mas na realidade muito poucos utilizam as instalações e participam nas diversas actividades organizadas. No entanto, também não marcam presença nas assembleias gerais da instituição, e depois reclamam, sem direito, sobre o que foi aprovado na convocatória.

Quando os accionistas presentes na assembleia aprovaram a compra de um terreno para ampliação das áreas desportivas, estavam conscientes de que esse terreno era uma montanha, e, como tal, uma superfície irregular, que não é plana, e que poderia sempre surgir uma série de problemas que os programas de design arquitectónico não podem resolver com os dados da topografia, há que fazer análises métricas e morfológicas do terreno para detectar rupturas na inclinação.

Não se podem fazer cortes na montanha sem conhecer a resistência do terreno, porque agora é preciso encher as falhas das rochas com cimento para que a água não se infiltre, e para que se possa evitar a erosão.

Recordamos os deslizamentos de massas de terras ou rochas, sendo a gravidade da situação um dos motivos, também a erosão e a actividade humana de preenchimento na superfície do sector de disposição de resíduos de El Cementerio, ainda que tenha sido um factor tido em conta pelo engenheiro residente da obra, e os trabalhos tenham sido realizados respeitando os espaços de afastamento da via pública que está a ser construída pela empresa Ademaka, entre El Cementerio e o terreno do Centro Português. Mas a única solução de emergência foi parar o projecto do campo de futebol para colocar um aterro de contrapeso.

Tudo foi aprovado inicialmente com um projecto arquitectónico para desenvolver áreas paisagísticas, desportivas e socioculturais. Foram depois necessárias diversas autorizações ambientais e municipais para desflorestação e plantação nas curvas naturais do terreno, e há que fazer um controlo de crescimento na quebrada La Guairita, com possíveis taludes para conforto humano, para além de uma estação de tratamento.

Mas são necessários muitos planos feitos por um grupo de engenheiros nas suas diversas especialidades para que seja possível transformar uma montanha (que se valorizou do ponto de vista patrimonial) numa superfície plana que possa tornar realidade o sonho de um campo de futebol profissional com as medidas estipuladas pela FIFA, e muitas outras áreas desportivas, com a ajuda de cerca de dois mil metros quadrados de muros de terra armada, entre outros.

Para além disso, foram feitos importantes investimentos em dólares SITME para a importação da relva artificial e equipamentos para a colocação da mesma, que hoje, com a alteração para o valor SICAD I, representa garantia de boa administração das diversas juntas directivas e da comissão de obras do Projecto de Expansão de Áreas Desportivas, Sociais e Culturais do Centro Português.

Eu tenho 57 anos (10-03-1957), sou luso-descendente, filho de pai nascido na cidade de Lisboa e mãe nascida na freguesia do Monte, no Funchal, ilha da Madeira, mas o meu filho tem 13 anos e representa a geração jovem luso-venezuelana que pratica desporto no Centro Português, constituído a 10 de Junho de 1958, na urbanização El Paraíso; em 1960 passou para a urbanização Sebucan e em 1971 para a urbanização La Castellana, mas a actual sede de Macaracuay foi comprada em 1970 e a primeira pedra foi colocada a 25 de Novembro de 1973.

Assim como a montanha ensinou a muitos agricultores que nada é oferecido, e que tudo se consegue com esforço e sacrifício, há também que seguir em frente com as obras e a pouco e pouco ir criando uma bela realidade para desfrute dos nossos filhos, netos e demais gerações de luso-venezuelanos.

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