Nuno Melo, das comissões de inquérito a Camarate a ministro da Defesa

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O líder centrista, Nuno Melo, que presidiu a uma das comissões de inquérito a Camarate, chega ao Governo como ministro da Defesa pela mão do primeiro-ministro indigitado, Luís Montenegro, depois de PSD e CDS terem concorrido coligados às legislativas.

Nuno Melo, 58 anos, nasceu em Joane, Vila Nova de Famalicão, e chegou à Assembleia da República na VIII legislatura, em 1999, eleito por Braga, círculo pelo qual concorreu nas duas legislaturas seguintes, sendo eleito líder parlamentar em julho de 2004 e vice-presidente do parlamento em 2007.
Na Assembleia da República, fez-se notar em várias das comissões de inquérito que investigaram a queda do avião que vitimou o ex-primeiro-ministro Sá Carneiro e o ex-ministro da Defesa Amaro da Costa em Camarate, em 04 de dezembro de 1980, presidindo a uma delas, e teve também um papel central num outro inquérito parlamentar sobre o Banco Português de Negócios.
Foi um dos rostos em ascensão na primeira liderança de Paulo Portas e, quando este deixou a presidência do partido, em 2005, também um dos primeiros a verbalizar as saudades, já sob a direção de José Ribeiro e Castro.
Num jantar de Natal do CDS-PP, em 2006, Nuno Melo disse que o CDS «sentia falta» do ex-líder Paulo Portas e afirmou que iria trabalhar para que o partido pudesse ser «bem liderado», o que lhe valeria a retirada da confiança política por parte de Ribeiro e Castro e culminaria na sua demissão de presidente da bancada em janeiro de 2007.
Com o regresso de Portas à presidência do CDS-PP, Nuno Melo sobe a vice-presidente da Assembleia da República.
Em 2009, foi pela primeira vez cabeça de lista do CDS ao Parlamento Europeu, ano em que o partido conseguiu eleger dois deputados.
Em 2014, o CDS-PP concorreu às europeias coligado com o PSD e Nuno Melo foi quarto na lista encabeçada por Paulo Rangel.
Na eleição seguinte, em 2019, os centristas voltaram a concorrer em lista própria e conseguiram manter Nuno Melo no Parlamento Europeu, mandato que manteve até este mês, quando renunciou para assumir o de deputado à Assembleia da República, uma vez que os dois mandatos são incompatíveis.
Pai de gémeos, um menino e uma menina, João Nuno Lacerda Teixeira de Melo, nascido a 18 de março de 1966, é licenciado em Direito e foi advogado de profissão, antes de se dedicar à carreira política.
No partido, foi vice-presidente de Paulo Portas e, mais tarde, de Assunção Cristas, e presidente da distrital de Braga durante vários anos.
A nível autárquico, é presidente da Assembleia Municipal de Vila Nova de Famalicão.
As eleições legislativas de janeiro de 2022 ditaram o afastamento do CDS-PP da Assembleia da República pela primeira vez na sua história, o que levou à demissão do ex-presidente Francisco Rodrigues dos Santos.
Nuno Melo, que já tinha apresentado a candidatura à liderança do CDS-PP em outubro do ano anterior, foi eleito presidente do partido em abril de 2022, tendo a sua Comissão Política Nacional obtido 74,93% dos votos dos delegados ao 29.º Congresso que decorreu em Guimarães.
Durante o seu mandato, conseguiu levar o partido de volta ao hemiciclo do parlamento, depois de conseguir eleger dois deputados nas listas da Aliança Democrática (AD), coligação que juntou PSD, CDS-PP e PPM.
O momento foi até assinalado através da recolocação da placa com a indicação do grupo parlamentar do CDS-PP na parede do parlamento, junto à nova sala atribuída aos dois deputados, o próprio Nuno Melo (eleito pelo círculo do Porto) e Paulo Núncio (eleito pelo círculo de Lisboa). Este momento contou com a presença de vários dirigentes, os atuais e antigos deputados, antigos presidentes do partido, como Paulo Portas, José Ribeiro e Castro e Manuel Monteiro, ou do histórico dirigente Narana Coissoró.
Nuno Melo já anunciou que será recandidato à liderança do CDS-PP no próximo congresso do partido, em abril.

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