“O maior legado que o meu velho me deixou foi o do trabalho”

Trabalha na Directv Sports, Deportes Unión Radio e é assessor de comunicação do Atlético Venezuela.

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Carlos Domingues é uma as caras mais reconhecidas do jornalismo desportivo, especificamente no futebol. O pai chamava-se Albino Domingues e nasceu em Matosinhos, Porto. A mãe é Maria Eudosia Pernía de Domingues, e é oriunda de Santa Ana del Táchira.
Nasceu em Caracas a 4 de Janeiro de 1979. É o mais novo de três irmãos, os outros são Fernando e Jimmy. “Fui criado perto do Palácio de Miraflores, que agora é a estação do metro de Capitólio. Fiz a primária numa escola pública, perto do 23 de Janeiro, em Monte Piedad, a Escola Bolívar. Já o bacharelato foi num colégio privado, adventista, a minha mãe é adventista. O colégio chama-se Ricardo Greenidge, situado em El Paraíso”, contou.

Iniciou os estudos superiores na Unexpo, em engenharia mecânica, mas acabou por licenciar-se em relações internacionais na Universidade Central de Venezuela. “Comecei a estudar engenharia. Tinha notas muito boas na primária e no secundário. Logo que comecei a estudar engenharia, choquei com a realidade da matemática. O mais complicado para mim era que devia esforçar-me muito mais para obter melhores resultados”, justifica.

Trabalhou no Ministério da Educação na área das relações internacionais durante sete anos. “Trabalhei no Departamento de Relações Internacionais. Tive muitas experiências, viagens ao estrangeiro, representando o país em matéria educativa. Até que em 2009, renunciei. Também estive no Ministério da Agricultura e Terras e no do Desporto”, apontou.

Em 2005, iniciou a sua trajectória no jornalismo desportivo. “Precisamente pelas particularidades políticas de uma carreira como as relações internacionais, esta depende muito dos contactos políticos. Lamentavelmente, não os tenho, e decidi fazer algo para alternar com a minha carreira de funcionário público. Interessei-me por um curso de locução e senti que podia fazê-lo. Tive a oportunidade de conhecer, nesse curso, Francisco de Andrade, que já tinha um programa de rádio em La Guaira numa emissora do Aeroporto Internacional de Maiquetía. Convidou-me a estar com ele no seu programa e assim comecei isto. Estarei sempre agradecido a Francisco de Andrade. Considero que tanto ele como Francisco Blavia são as pessoas que me impulsionaram a dar o primeiro passo em cada campo do jornalismo”, explicou.

Daí, passou para a SportPlus, um canal que abriu em 2007, da cabo InterCable. “O primeiro evento da SportPlus foi a Copa América de Venezuela. Francisco Blavia era vice-presidente do meio e Carlos González, actualmente gerente de produção da Directv Sports, fizeram um casting. Fê-lo junto com Ignacio Benedetti”, acrescentou.

A passagem na Directv foi extraordinária. “Fiz a Champions League, Uefa Europa League, futebol de salão, calhou-me ir à Copa Confederações no Brasil, em representação da Directv Venezuela. É muito difícil que um ser humano esteja tão agradecido com o que faz e onde faz. Sinto-me muito orgulhoso por pertencer a uma organização tão prestigiosa e que posso assegurar que é uma das mais sólidas do país e não apenas aqui, a nível continental. Uma experiência inesquecível, não quero que isto acabe, ou que, a acabar, seja para algo melhor. Temos ambições, e não se trata de mudar de lugar mas sim de cumprir sonhos e um deles é narrar uma final da Copa Libertadores, que é a minha paixão”, indicou.

Segue o futebol nacional desde que era pequeno. “Desde rapaz que sempre tive contacto com o futebol venezuelano porque ganhei um gosto tremendo. Graças ao meu pai, pelo seu gosto pelo futebol. Mas ele não incidiu tanto. Quando tinha sete anos, fui a um estádio e o ambiente encantou-me. Os meus domingos era a ir para o estádio sozinho”, assinalou.

Assim, entrou para a Deportes Unión Radio: “Não havia um programa pós-jogo que cobrisse a primeira divisão. Giancarlo Figliulo, Maximiliano Cordaro e eu apresentamos El Agregado. Isso abriu-me a porta para fazer parte do programa ’11 titular’, junto com Cordaro, Turinese e Walter ‘Cata’ Roque”.

Teve que estudar jornalismo trabalhando e aprendeu com excelentes profissionais. “Na Venezuela, há jornalistas desportivos que não têm nada que invejar ao resto do continente. Sobretudo Daniel Chapela. Lia as suas colunas desde rapaz. A primeira vez que partilhei uma transmissão com ele foi um Monagas –
Táchira. Com Benedetti, a responsabilidade com o trabalho e sempre tratar de fazê-lo da melhor maneira possível, não tentar ser o melhor. Aprendi com Cordaro, José Manuel Vieira, Octavio Sasso, entre outros. Não gosto que me chamem jornalista porque não o sou, sou um trabalhador nos meios de comunicação”, relatou.

Os pais trabalharam arduamente para ajudar os filhos. “A minha mãe é de Santa Ana del Táchira, como todos os andinos que vieram para Caracas. O meu pai é o do Porto, especificamente de Matosinhos. Chegou à Venezuela em 1956, como parte da oferta de trabalho feita pelo irmão, Manuel Domingues, que regressou depois a Portugal. Foram trabalhar para as comunidades agrícolas de Turén, Estado Portuguesa. Os meus velhos não são profissionais mas isso não os impediu que fôssemos uma família unida”, apontou.

Os seus valores de casa foram importantes para ele. “Em minha casa, o vínculo com Portugal é curto porque é o único da sua família aqui. Com o tema da comida, o meu pai era muito aberto. Nunca faltou um prato de bacalhau com batatas, acelgas e azeite. Outra coisa: O maior legado que o meu velho me deixou foi o do trabalho”, expressou.

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Destacado:

“Com o tema da comida, o meu pai era muito aberto. Nunca faltou um prato de bacalhau com batatas, acelgas e azeite”.
“É muito difícil que um ser humano esteja tão agradecido com o que faz e onde o faz”

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