O mérito deve ser reconhecido pelas empresas

A indústria farmacêutica premiou o esforço e a constância desta luso-venezuelana

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Noreles Mendonça Mendes nasceu em Caracas a 22 de Agosto de 1978. A sua família é de origem madeirense, a mãe do Funchal e o pai do Porto da Cruz (concelho de Machico). Conta que teve a oportunidade de visitar Portugal em três ocasiões, tanto no Inverno como no Verão, e gosta de ambas as temporadas: “Gosto do Verão por causa das diferentes manifestações culturais, as festas de Nossa Senhora de Fátima e muitas outras tradições que me identificam como luso-descendente (…) O Inverno também é muito bonito, desfruto muito da missa a 24 de Dezembro e do fogo de artifício do fim de ano.”

Esta jovem luso-descendente iniciou o curso de Farmácia na Universidade Central de Venezuela. Em 2002, saiu já licenciada, com especialização em Análise de Medicamentos. Posteriormente, fez uma pós-graduação também na UCV, juntando ao seu currículo uma especialização em marketing de empresas.

Começou a trabalhar de imediato numa farmácia, trabalho que desempenhou durante cerca de seis meses, para depois integrar a equipa de profissionais de um reconhecido laboratório nacional. Mas também se manteve durante pouco tempo, pois, passado menos de um ano, assinou um contrato para trabalhar na Sanofi–Synthélabo. Isto foi em 2004, e até à data, trabalha nesta empresa farmacêutica, que hoje em dia se chama Sanofi-Aventis.

O cargo que Noreles sempre desempenhou no terceiro grupo farmacêutico mais importante do mundo e o primeiro da Europa é o de representante de vendas, o que se conhece comummente como delegado de propaganda médica. Actualmente, trabalha com linhas de produtos específicos para tratar deficiências respiratórias.

O seu trabalho consiste em reunir-se com os especialistas médicos, tanto públicos como privados, para apresentar-lhes amostras dos diferentes produtos, distribuir-lhes material que reforce a presença das marcas, e dar-lhes informação importante sobre os avanços no campo da saúde. “Nós oferecemos melhorias aos pacientes através dos nossos produtos. Também oferecemos aos médicos todos os dados necessários para recomendá-los, demonstrando-lhes, mediante resultados de estudos clínicos, a eficácia dos mesmos.”

Orgulho luso
Recentemente, Noreles Mendonça obteve um reconhecimento por parte do laboratório no qual exerce funções, o Sanofi-Aventis. Este prémio é entregue aos melhores representantes de todas as linhas de comercialização, pelo rendimento obtido durante um ano. O referido mérito inclui conseguir os números mais altos das vendas, em participação e em representação dos produtos.

“Desde que entrei na equipa de trabalho da Sanofi–Synthélabo, motivam-nos a trabalhar bastante. Sempre nos incentivaram muito, recordando-nos que eles sempre reconhecem o trabalho dos seus funcionários. De facto, desde que soube deste prémio, interessei-me por ele e propus-me ganhar (…) São poucas as companhias que fazem este tipo de reconhecimentos, muitas cumprem com o pagamento de um salário e já está. Recebê-lo é realmente reconfortante e lisonjeador.”

De todos os representantes que foram reconhecidos pela Sanofi-Aventis no país, foi feita uma segunda selecção para decidir quem iria a França receber o prémio das mãos do director mundial da empresa. Duas pessoas venceram na Venezuela e vão a França. Uma delas é Noreles.

A selecção foi feita entre 26 e 30 de Abril, e o reconhecimento compreendeu uma estatueta, um valor em dinheiro e um passeio por Paris. “Estivemos uma semana a conhecer e a conviver com membros da Sanofi-Aventis de todo o mundo”, disse.

Noreles referiu ainda que uma das experiências mais agradáveis da viagem para receber o prémio foi o facto de conviver com pessoas do mesmo sector laboral mas de outras regiões do mundo. Isto permitiu-lhe conhecer a forma como se trabalha nos diferentes países. “Uma mais-valia de pertencer à comunidade lusa foi dominar a língua portuguesa, já que o presidente da Sanofi-Aventis na América Latina é do Brasil. Logo que cheguei, reconheceu o meu apelido e pudemos conversar. Surpreendeu-me que soubesse da grande quantidade de portugueses que vive na Venezuela e que ajudaram o país a seguir em frente. Fiquei muito orgulhosa que ele tivesse essa visão.”

Noreles gostaria de continuar a trabalhar na indústria farmacêutica, já que considera que ainda há muito por onde desenvolver a sua carreira. “Gosto muito do meu trabalho como representante de vendas, mas gostava de conhecer mais a parte do marketing (…). Essas coisas não nos são ensinadas no curso de Farmácia. Quero aprender mais sobre gestão de produtos, posicionamento de marcas, etc. E adoraria que fosse na Sanofi, porque é uma empresa grande, que sabe fazer as coisas bem”.

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