O PSD/Madeira

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Alberto João Jardim

A idade não nos corta os Direitos e Deveres cívicos, muito menos implica a covardia do silêncio em momentos GRAVES.

GRAVES porque, destruído ou enfraquecido o PSD/Madeira que funcionava como “Vanguarda Revolucionária” da Autonomia Política na Revolução Tranquila conseguida, a Autonomia ficará também destruída ou enfraquecida.

É importante ir à última dúzia de anos e recordar os acontecimentos/ “novidades” após quase 40 anos de Estabilidade e de hegemonia em Democracia.

2012, tentativa do grupo impropriamente autodenominado “renovação” para destituir uma direcção do PSD/Madeira que, nas eleições 2011, havia conquistado a sua décima maioria absoluta.

Uma originalidade europeia. Substituir, através de eleições internas, um Governo legitimado por uma maioria absoluta!

Eleições autárquicas, 2013. Novo absurdo da “renovação”. Darem orientação de voto a eleitores do PSD para, em cada localidade, votarem na lista em melhor posição de nos derrotar: Conhecendo-nos mal, pensavam que, assim, nos demitiríamos!…

Claro que o resultado foi mau. Embora o PSD continuasse o Partido mais votado em número global de votos, porém perdeu 7 concelhos, ainda que posteriormente ganhasse as eleições europeias.

Desta “inteligência” da “renovação”, o PSD nunca mais voltou à situação autárquica de 2009. E recorde-se a oposição pró-burguesia da então Câmara do Funchal PSD à construção da Praça do Povo – hoje servindo para tudo – e dos Jardins de Santa Luzia (ruínas insalubres da ex-fábrica Hinton). O Governo Regional teve até de estabelecer tutela nas ruas adjacentes à Avenida do Mar, face às ameaças camarárias de não deixar passar máquinas e camiões!…

Desencantado com o Partido, onde a “renovação”, num trabalho árduo, bem planeado e economicamente suportado, inscrevera “torto e cambado”, até de outros Partidos, decidi passar a militante de base a partir de 2015. O Primeiro-Ministro P. Coelho empenhara-se contra mim (vinha de longe), com represálias à Madeira, no Plano para a recuperação financeira do País, pelo que eu não queria prejudicar a Região. Essa criatura chegou ao ponto de mãos dadas à “renovação”, vir homenagear o dono de um órgão de comunicação social… que durante décadas, quotidianamente, combatera a Revolução Tranquila do PSD/Madeira! E não são para aqui narradas as desconsiderações pessoais de que fui alvo, logo no Congresso do PSD/Madeira na minha saída, onde cumpri o meu dever de militante ao declarar o novo líder ser a partir de aí “o meu presidente”.

Depois eliminava-se o “PSD/Madeira, Partido da Autonomia”, voltando-se só ao “Partido Social Democrata”.

Felizmente que o actual Poder regional não tem contra, a comunicação social, como os meus Governos tiveram de enfrentar. E felizmente que tem muito mais disponibilidades financeiras do que as que tivemos ao nosso alcance.

É justo reconhecer que aguentou bem o COVID e as implicações económicas da guerra na Ucrânia e a normalização do Sistema Educativo, como nós enfrentámos o aluvião de 2010 e outras chatices graves, sobretudo sacanices financeiras.

“Renovação” 2015, última maioria absoluta, a pior de sempre, por um Deputado só.

2017, autárquicas ainda piores do que as de 2013, claro, consequência destas.

Aqui pareceu voltar o bom-senso, depois das eleições. Deu-se uma remodelação governamental bem sucedida, principalmente devido à entrada de Pedro Calado. Começou a ser desenhado um esforço de Unidade, permitindo ao PSD/Madeira ganhar 2 eleições presidenciais, 3 eleições nacionais, 1 europeia e as autárquicas de 2021, mormente a significante Câmara do Funchal.

Só que a Unidade não se materializava como desejável e imprescindível, dadas as nomeações pelo cartão partidário ou seu engodo, em que a direcção partidária insistia e se multiplicava.

Assim, em 2019, pela primeira vez na sua História, o PSD/Madeira perdia a maioria absoluta e teve que fazer coligação com o CDS. Partido este, reconheça-se, que muita pachorra teve para aturar os “hoje queremos, amanhã não te queremos”, ao sabor das tropelias da “renovação”.

Em 2023 agrava-se a perda da maioria absoluta. Pelo que foi necessário alargar a coligação … ao PAN!…

Mesmo assim lá conseguida, apesar do firme compromisso anterior do Chefe do Governo, o de não continuar caso PSD/CDS não tivessem maioria absoluta.

A “Proposta para Estruturar e Sustentar o Futuro da Região Autónoma da Madeira”, decisiva para o amanhã do Povo Madeirense, que o “Instituto Autonomia e Desenvolvimento” apresentou na Assembleia Legislativa a todos os Partidos, foi também ignorada pela direcção do Grupo Parlamentar do PSD. Só “passa” o que venha do “núcleo duro” da “renovação”. Da Sociedade Civil só interessa o que implique mais subsídios, ideia errada para comprar votos!

Chegamos a 2024, com a Região Autónoma na maior crise política do Arquipélago desde a fundação da Autonomia Política da Madeira pela Constituição de 1976, 50 anos do 25 de Abril! Mas é justo separar de todas as trapalhadas da “renovação” a imensa maioria dos que integraram os Governos Regionais desde 2017, os quais serviram e cumpriram, poucos se envolvendo nas tropelias semeadas desde há 9 anos, e muito menos praticando atitudes divisionistas. Muita da problemática que o PSD/Madeira vive, resulta de quem escolhe mal os seus conselheiros pessoais, também aqui esquecendo a voz do Povo: “diz-me com quem andas e dir-te-ei quem és”.

Advém de não ser entendido que um líder só o é quando não divide, quando UNE. Em 2014, percebi que então era irremediável a fractura no PSD/Madeira. Saí, para bem do Povo Madeirense.

Dá uma má imagem do actual “núcleo duro” que manda no PSD/Madeira, transponível para a governação, a montagem destas eleições internas em termos de objectivamente gerarem ainda mais atritos e suspeitas, ainda por cima sendo o conselho de jurisdição presidido por um dos dignitários desse “núcleo duro” e com inadmissíveis pressões hierárquicas que violam a Lei de Proteção de Dados.

Como é um ERRO confundir todos os Militantes e Eleitores do PSD, sobretudo confundir a Opinião Pública Madeirense, com aqueles que, por razões fáceis de perceber, internamente vêm aguentando o folhetim. E de que serve ao PSD/Madeira um candidato com o qual, não tendo maioria absoluta, os outros Partidos, pessoalizando, já declararam se recusar a fazer coligações?!…

Um TEMPO NOVO é necessário ao PSD/Madeira.

Primeiro, para voltar a ser um Partido de Causas e Autonomista, não um “partido de interesses” umbilicalmente ligado à partidocracia lisboeta.

Segundo, para voltar à Unidade que fez a força da Madeira.

Quem for o candidato às próximas eleições regionais, e não chegando o problema a exceder um “núcleo duro” de meia-dúzia, TEM de apresentar listas com “todos, todos, todos”, senão falhará logo à partida. E não será permitido “fazer aos outros, o mal que nos fizeram”!

Escrevo este texto sem temer eventuais consequências desagradáveis. Na minha idade ganha-se uma paz onde não cabem os medos.

E então tratando-se da Madeira e, depois, também do PSD!…

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