O rosto da Globovisión pela manhã

Apresentadora é filha de madeirenses, mais especificamente do Campanário, ilha da Madeira

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De segunda a sexta-feira, na Globovisión, logo ao amanhecer, uma lusa-descendente apresenta o programa ‘Primera Página’: Carolina Pereira, nascida a 12 de Janeiro de 1982, e filha de portugueses naturais da freguesia do Campanário, Ilha da de Madeira. Também é docente na Universidade Central da Venezuela e na Universidade Católica Santa Rosa (Ucsar).

O pai veio para a Venezuela quando tinha 9 anos e a mãe 15. Tem quatro irmãos: Luis Pereira, que é odonto-pediatra e duas irmãos. Ela é a mais nova. Foi criada na zona oeste da capital, em Colinas de Vista Alegre. E no colégio de Nuestra Señora del Valle estudou desde a primária até ao secundário.

“A constância e consistência dos meus velhos, marcaram-me e continuarão marcando pelo resto da minha vida”

Quando era criança, a sua prioridade não era o jornalismo. Mas com o decorrer dos anos, passou a ser. “Desde pequena que queria ser médica porque o meu pai tinha um amigo que era médico. E eu admirava-o muito, o Doutor Luis Salazar. Mas como aos 13 anos dei-me conta de que não desejava isso e quis estudar comunicação social; desde muito pequena sempre gostei de falar muito, era extrovertida, adorava estar em actos do colégio e dramatizações”, explicou.

Carolina começou a estudar Comunicação Social na Universidade Santa María, em 1999, cujo curso terminou em 2005, obtendo a licenciatura no ano seguinte. “Sou parte da segunda promoção do Santa María. Quando entrei, não havia prova interna mas sim o curso propedêutico no qual havia que tirar mais de 15 pontos de média, assim que não era fácil estudar ali. Todo porque eles queriam livrar-se da má fama da Escola de Direito devido por causa do caso Blanca Ibáñez. Nesse momento, a força da escola de comunicação é que desde o terceiro semestre nos mandavam a cobrir agenda na rua”, disse.

Todos os profissionais têm professores que os marcam. Ela não é a excepção. “Na pré-graduação, na USM, María Teresa País. Uma grande professora, que recordo com muito carinho. Era exigente mas amável. Tinha técnica pedagógica e sabia chegar até ti, rompendo aquela barreira com o aluno-professor”, indicou.

Os primeiros passos foram dados na Globovisión. “Eu comecei ao acaso, uma dessas coisas que jamais imaginas. Comecei muito jovem, aos 18 anos, na Globovisión, em 2001, aproximadamente. Coisas do destino. Uma companheira de curso tinha uma relação de noivado com alguém do canal e ela disse-me para enviar o currículo, que lho desse que meteria o dela e o meu. Paradoxalmente, eu fiquei e ela não”, contou.

No entanto, teve um início de caminhada nada simples. “Comecei por baixo, como ligação nos noticiários. Depois, fiz de operador no gerador de caracteres; passei a produtora, redactora e cheguei a coordenar um programa que estava arrancando com um ‘rating’ excelente, que era “Aló Ciudadano”; fui uma das suas primeiras coordenadoras e em 2006, demiti-me. Quando voltei há três anos e meio, assumi o memos mesmo cargo”, contou.

“Eu nunca na minha vida havia sonhado em sair como repórter”

Sempre tinha trabalhado atrás da câmara e aparecer diante das mesmas não estava nos seus planos. “Houve um pedido bastante contundente que era para sair à rua e trabalhar como repórter. Eu nunca na minha vida havia sonhado sair como repórter. Por diferentes circunstâncias da vida, acedi a conta-gotas. Quando chega esta nova direcção, o oferecimento foi veemente e queriam como narradora”, confessou.

Gladys Rodríguez e Tinedo Guía têm sido os seus exemplos a seguir profissionalmente. “Gladys foi minha mentora, e eu fui sua ligação. Ela diz que fui a melhor ligação que passou pelas suas mãos e isso parece-me maravilhoso. Em 2005, disse-me que ia ser sua sucessora e isso nem o imaginava. Quando lhe disse se se recordava daquilo, faço-o com total humildade porque isto não me o esperava. De chama, encantava-me o estilo sóbrio de Tinedo Guía”, manifestou.

Globovisión não é a única experiência nos meios de comunicação. “Associei-me a uns venezuelanos para fazer a TV digital. Trabalhei dois anos com uma emissora de rádio na Costa Rica, como correspondente na Venezuela, e era na matéria cultural”, indicou.

Emigrou em 2006 e voltou aos meios de comunicação no seu regresso ao país. “Deu-me medo porque estive afastada do meio televisivo mas dava aulas. Tinha muita ansiedade porque, tecnologicamente, seis anos são um século. Quando fui, trabalhavam na Globo cerca de 150 pessoas. Quando voltei, eram 400”, expressou.
Ser professora foi outro passo inesperado. “Fiz o curso de locução na Universidade Central da Venezuela e o meu professor Mario Corro disse-me para dar aulas. Fui a Portugal nesse Verão, de férias, mandei-lhes o meu currículo e chamaram-me. Na Ucsar, estive quatro anos”, contou.

Mesmo estando fora, acarinhou os seus. “A família portuguesa é muito unida, a união familiar. Então, ir para um país onde não há portugueses é difícil. Em nenhum destes três países havia comunidade. Senti saudades das reuniões dos domingos, das comidas, dos meus sobrinhos, de toda a gente falar ao mesmo tempo”, narrou.

Os seus padres conheceram-se na Venezuela. “A minha mãe havia visto o meu pai, que regressou de visita como adolescente e sabes que os ‘venezuelanos’ são muito cotados quando regressam à ilha. A minha mãe já havia escutado que havia um ‘venezuelano’ lindo que estava de férias mas que era travesso, pelo que sentia algum receio. Mas nunca se conheceram lá”.

Os costumes lusitanos são mantidos em casa. “Mantemos um montão que, além disso, me fascinam. Os almoços aos domingos, as típicas ‘parrilladas’, a carne de vinho e alhos; as malassadas, que nos permitem ser felizes por engordar; as broas de mel da minha mãe que são famosas e quem as prova diz que são divinas, e cuja receita ela não dá a ninguém”, descreveu.

Os valores inculcados em casa influenciaram a sua vida. “Tenho uns pais maravilhosos e agradeço a Deus todos os dias pelos pais que tenho. Da minha mãe posso destacar a força, a nobreza, tranquilidade e paciência. Do meu pai posso sublinhar a capacidade de avançar, de lutar e de trabalho. A constância e consistência dos meus velhos, marcaram-me e continuarão marcando pelo resto da minha vida”, assegurou.

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