O ‘Senhor do Banco Caixa Geral’ regressou a Portugal

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Hoje foi uma manhã diferente para muitos Portugueses que vivem na cidade de Caracas e noutros recantos da Venezuela. Começamos o dia com uma notícia que nos deixou mais pobres.  Por motivos profissionais deixou o nosso convívio o Senhor José Damaso Branco, conhecido entre nós pelo ‘Senhor do Banco Caixa Geral’.  Regressa a Portugal após seis anos entre nós.

A Banca portuguesa na Venezuela, nomeadamente a Caixa Geral de Depósitos, que é o último marco físico dessa presença, representava-se e era representada por essa individualidade, um Português de fibra, um homem de palavra e ação, determinado na sua ação, profissional conhecedor e honesto, que não só ajudou muitos compatriotas na gestão dos seus negócios e no aproveitamento das suas poupanças, como também os aconselhou e indicou caminhos que depois acompanhava com determinação e sabedoria para que tudo resultasse da forma como pretendiam.

Ficámos mais pobres em Caracas. Falta-nos agora o ‘Senhor da Caixa’ que nos aconselhava e amparava, que resolvia com grande simpatia os problemas, que nunca deixou que a banca portuguesa abandonasse os seus compatriotas, numa comunidade de grande importância para os dois países em que nos movemos: Portugal e Venezuela. Mesmo nos tempos mais conturbados, o senhor José Damaso Branco, agiu com grande mestria, conhecedor de todos os problemas, agindo com uma tolerância excepcional e um equilíbrio, que não oscilou entre as brigas políticas, para que todos tivessem em salvaguarda as suas poupanças, para que os compromissos fossem cumpridos e para que todos – clientes e Banca – cumprissem as suas obrigações.

Fica em Caracas uma equipa chefiada por Katy Rodrigues que, sabemos, foi criada à sua imagem, forjada no trabalho sério, que todos lhes reconhecemos, e que irá certamente colmatar a sua falta física continuando a prestigiar a Caixa Geral de Depósitos, o banco do Governo Português.

José Damaso Branco manteve durante os anos que viveu na Venezuela uma estreita convivência com a comunidade portuguesa, pessoalmente e nas redes sociais, um meio que nos aproximou durante a pandemia. E foi nas redes sociais, nos chats dedicados aos assuntos da Emigração que sempre o encontrámos com posições firmes – quando a Banca Portuguesa iniciou a demandada de Venezuela e à qual se opôs energicamente – e com a sua escrita fina, bem explicada e correta, sempre aconselhava ou esclarecia quem o procurava.

Foi um defensor de Portugal e dos Portugueses em terras bolivarianas. Admirava os Venezuelanos, povo cuja cultura e maneira de estar na vida sempre elogiou e sobre os quais teceu as melhores considerações na hora da partida. Leva a Venezuela no coração e a Nós, Emigrantes, também.

Nos nossos corações fica a mágoa de não podermos continuar a privar com o ‘Senhor do Banco’. Talvez o último BANCÁRIO português (com letra maiúscula, propositadamente) que passa pela Venezuela, na senda de outros que nos deixaram boas memórias, como Rui Almendra e Rui Barreto.

Obrigado Senhor José Branco da Caixa, como era mais conhecido no seu trabalho, por ter se interessado e lutado pelos interesses dos Portugueses que vivem na Venezuela. O nosso Reconhecimento e votos de Vida Longa e Boa Saúde.

 

Aleixo Vieira

05 de julho de 2022

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