O tempo do carro de bois

Os carros de bois ainda circulavam na Avenida do Mar no princípio dos anos 80

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Os carros de  bois ainda circulavam na Avenida do Mar no princípio dos anos 80, entre autocarros e carros, levavam boieiro e candeeiro e os passageiros, quase sempre turistas. Nessa altura, o carro de bois era já uma atracção turística, mas durante anos foi o meio de transporte mais usado no Funchal, mesmo sem ter rodas. A tradição não sobreviveu aose anos do desenvolvimento regional, o Governo da Madeira alegou razões de higiene para proibir os carros de bois na baixa da capital madeirense.

Com  estofos coloridos, cortinas e um patim no lugar das rodas, o carro de bois era obrigatório para quem visitava a Madeira e todos os escritores que passaram pela ilha fazem referênica aos passeios com o boieiro a conduzir o carro e o candeeiro, que era o ajudante e devia o nome ao facto de alumiar o caminho quando ainda não havia iluminação pública na cidade. Também tinha a função de deitar sebo nos patins do carro para andar melhor.

Este carro tinha uma versão de carga que também desapareceu das ruas da cidade com o progresso dos meios de transporte na ilha. Antes das furgonetas e dos camiões, as pipas de vinho, as canas e o que fosse  preciso transportar iam de corsa ou corsão, o nome vinha consoante o tamanho. A melhoria dos acessos e dos meios de transportes extinguiu estas juntas de bois a que os madeirenses davam o nome de corsas.

Também para contornar os acessos, os caminhos estreitos e as veredas, havia a rede, uma espécie de maca que servia para transportar doentes que viviam em zonas de difícil acesso. A abertura de novas estradas e o aparecimento do automóvel. O primeiro carro chegou à Madeira no principio do século XX, mas foram precisos uns anos até deixar de haver redes para ir buscar doentes que viviam em lugares mais remotos.

A rede acabou por desaparecer e, com isso, extinguiu-se uma profissão, como aconteceu mais tarde, quando o Governo Regional decidiu que não era higiénico ter carros de bois na Avenida do Mar. Os carros desapareceram da Avenida logo antes da grande remodelação dos anos 80 que, entre outras coisas, acabou com os empregados do Sunny Bar a atravessar a Avenida de bandeja na mão para servir a clientes na esplanada junto ao cais.

Destes transportes típicos madeirenses, sobrevivem apenas os carrinhos de cestos do Monte, uma experiência radical, de dez minutos a descer o Caminho do Monte a alta velocidade. O carro é conduzido por dois homens – os carreiros – que guiam um carro que tens dois patins de madeira no lugar das rodas. Feitos de vimes , estes carros tem bancos estofados e são uma das maiores atracções turísticas do Funchal e do Monte. Os carreiros até tem uma novena na Festa de Nossa Senhora do Monte. Segundo se diz, estes carros existem desde meados do séculoXIX.

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