“O triunfo de Danny também é da Venezuela”

Convocatória à selecção portuguesa deve ser interpretada como o reconhecimento de um percurso impecável

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Zenit St. Petersburg's Danny celebrates after scoring against Manchester United during their UEFA Super Cup soccer match at Louis II stadium in Monaco, August 29, 2008. REUTERS/Eric Gaillard (MONACO)

Foi no bairro El Güire, da urbanização Santa Fe, que Danny Alves começou a dar os primeiros passos e também a pontapear uma bola de futebol. Desde muito cedo que este ‘venezuelano’ filho de portugueses naturais da Madeira, que actualmente joga na Rússia, no Zenit de São Petersburgo, mostrou ser destinado voos no mundo do futebol. É assim que, no próximo 11 de Junho, envergará a camisola da Selecção de Portugal, convertendo-se no primeiro crioulo a participar numa fase final do ‘chamado desporto-rei’.

Ainda que a chamada de Danny tenha passado ao lado de muitos venezuelanos, a notícia espalhou-se facilmente pelos membros da comunidade portuguesa residente neste, tendo sido recebida com muita alegria e orgulho. O seu pai, Carlos Jorge Alves, estava sentado no seu negócio a ver a conferência de imprensa quando escutou o nome do filho entre os convocados. “Já estava à espera mas deu-me muita alegria ouvir a confirmação”, disse, assegurando que se lhe “tivessem perguntado há dois ou três anos não teria acreditado”.

Para o pai do atleta, Danny “tem trabalhado muito” para ser merecedor desta chamada. “Quando falei com ele, notei que estava meio nervoso, e é normal porque se trata de uma grande responsabilidade”, acrescentou depois, obviamente orgulhoso.

Desde os primeiros pontapés, Alves evidenciou um grande potencial, responsabilidade e dedicação na hora de jogar. Diz quem o conhece bem que desde sempre encarou o futebol como algo muito sério.

Hoje, o seu pai recorda o que Lino Alonso, o ‘treinador de sempre’, dizia: “O teu filho vai ser um grande jogador. Ele vai chegar muito longe”.

Muitos ficaram surpreendidos com a resposta algo indiferente de Danny à pergunta sobre como se sentia ao ser convocado para representar a selecção portuguesa no Mundial da África do Sul. Ciente desta situação, o pai aproveitou a oportunidade para esclarecer a situação. “Ele está actualmente a jogar num campeonato muito forte e muito competitivo, ao qual muita gente do resto do mundo não tem acesso, pois apenas é transmito pela Internet. É por isso que não se entendeu que ele estava concentrado no jogo que tinha para disputar”, explicou.

Enquanto viveram na Venezuela, pai e filho seguiram três mundiais pela televisão. Desta feita, tudo será diferente para ambos. “Sempre víamos os jogos do Mundial juntos, agora vou vê-lo a jogar num Mundial”, observou, sorrindo com um ar orgulhoso e triunfante.

“O triunfo de Danny também é da Venezuela, porque foi ali onde tudo começou”, diz Carlos Alves.

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