Os grandes números do plano de reestruturação da TAP

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O plano de reestruturação da TAP chegou à Comissão Europeia. Sindicatos e partidos têm conhecido, nas últimas semanas, as linhas gerais do documento, que prevê a saída de trabalhadores, cortes salariais e redução da frota. O Governo irá posteriormente começar a negociar com Bruxelas, tendo já sido afastada a possibilidade de votação no Parlamento.

A Comissão Europeia aprovou, a 10 de junho, que Portugal injete 1,2 mil milhões de euros na TAP. Este dinheiro, que se vai esgotar este ano ainda, está a servir apenas para garantir as necessidades de liquidez imediatas. Foi nessa data que se iniciou o prazo de seis meses para a TAP devolver o dinheiro (uma hipótese que nunca vista como provável) ou que Portugal apresentasse um plano de reestruturação que assegurasse a viabilidade de longo prazo.

O documento final — que foi delineado pelo Governo em conjunto com a TAP e com a assessoria da consultora BCG — ainda não é conhecido. Do que sindicatos e partidos foram dando a conhecer, espera-se uma TAP mais magra e maiores necessidades de apoio público.

3 mil milhões de euros

A TAP vai precisar de novos financiamentos nos próximos quatro anos, até um valor da ordem dos 1,8 mil milhões de euros, que poderão resultar de injeções de fundos públicos ou de garantias de Estado a novos empréstimos, segundo avançou o ECO. Este valor soma-se a cheque de 1,2 mil milhões de ajudas em 2020, colocando o total próximo de 3 mil milhões de euros.

2 mil trabalhadores

As ajudas são condicionadas a cortes, a começar pelos custos com pessoal. Entre não renovação de contratos a prazo, despedimentos ou reformas antecipadas, está prevista a saída de dois mil trabalhadores. A poupança nos custos com pessoal esperada para os próximos cinco anos é de 1,4 mil milhões de euros.

As saídas acrescem às que já aconteceram desde o início da pandemia. Além de ter posto grande parte do pessoal em lay-off, a TAP não renovou 729 contratos a termo cujo término ocorreu entre o início do ano e o final de setembro. O quadro de efetivos situa-se, no fim do terceiro trimestre, em 8.510 trabalhadores.

20% de cortes salariais

Quem fica, a situação também se irá alterar, nomeadamente através de uma redução nos salários. Esse corte será progressivo (entre 20% e 25%), sendo que há a intenção de proteger os salários mais baixos, fixando um teto mínimo a partir do qual serão aplicados os respetivos cortes, que incidem sobre as remunerações base, mas também os complementos. O ECO sabe que esse valor mínimo deverá rondar entre 700 e 800 euros mensais.

Os cortes na massa salarial dos trabalhadores da TAP inserem-se na suspensão do acordo de emprego. Segundo avançou o Correio da Manhã, os acordos de empresa do grupo TAP poderão ser suspensos durante quatro anos. A expectativa é que estes cortes comecem a ser revertidos na retoma.

88 aviões

Não são os trabalhadores que são afetados: também a frota será reduzida. A companhia aérea abandonou encomendas que tinha e começou já a negociar a devolução de alguns aviões. No final do primeiro semestre de 2020, a frota total da TAP era composta por 108 aviões, dos quais 102 aviões disponíveis para a operação comercial. O plano prevê que venham a ser 88 aviões.

2025

O objetivo da TAP é atingir o equilíbrio operacional em 2023, de acordo com os números provisórios a que o ECO teve acesso e que servirão de base ao plano. Só que tanto nesse ano como no seguinte a empresa tem de reembolsar as emissões de obrigações a investidores particulares e a institucionais, respetivamente 200 milhões e 375 milhões de euros. Assim, resultados líquidos positivos só mesmo no último ano do plano, em 2025.

Mil milhões de euros de prejuízos

A TAP perdeu mais de 700 milhões de euros nos primeiros nove meses do ano. Fortemente penalizada pela pandemia, que ditou uma quebra de 70% no número de passageiros transportados, a companhia aérea está preparada para um “período de incerteza sem precedentes” que poderá agravar ainda mais as contas. O cenário de prejuízos de mil milhões em 2020 está em cima da mesa.

46% de retoma

Todo este processo tem por base um cenário de retoma que a empresa diz ser cauteloso. A TAP espera recuperar, no próximo ano, apenas 46% na procura (medida pelo aumento do número de passageiros) para os seus principais mercados. Segue-se um caminho gradual de recuperação até 94% dos níveis pré-pandemia em 2025. Este percurso assume que as vacinas contra a Covid-19 serão distribuídas na segunda metade de 2021.

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