Paixão pela natação

Em Janeiro, começa o treino para os Jogos Mundiais de Verão Atenas 2011. Em 1998 ganhou a medalha de ouro por ter atravessado o Rio Orinoco

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“Eu quis que ele nadasse porque o médico recomendou-me que isso seria o melhor para oxigenar o seu cérebro. Foi assim que os professores começaram a descobrir a sua força e o seu potencial”, conta a mãe do atleta Carlos Reverendo, Olga Pereira, principal responsável pelo êxito alcançado pelo filho.

Já passaram 21 anos desde a altura em que iniciou a sua preparação na escola Don Bosco, aos 7 anos de idade, e hoje em dia Carlos pertence à Organização Olimpíadas Especiais Venezuela (OE), tendo uma grande proposta: Competir como nadador suplente nos Jogos Mundiais de Verão OE Atenas 2011, que se disputam de 25 de Junho a 4 de Julho.

Apesar de não ser o nadador titular, Carlos inicia os treinos em Janeiro, a fim de estar em forma e pronto para a competição no caso da companheira não poder participar. “Ele tem que ter a mala pronta”, disse a senhora Olga, que este ano quis acompanhar o filho nesta travessia tão importante, mas no entanto há certos factores que têm de ser avaliados.

Um potencial a descoberto
Par além de uma proeminente colecção de carros de diferentes modelos e marcas, o quarto de Carlos guarda ainda cerca de 100 medalhas, obtidas nos estilos Livre, Mariposa e Costas. A medalha mais importante data de 1998, quando ganhou o ouro ao cruzar o Rio Orinoco.

“Oswaldo Parra, um senhor que trabalha com crianças especiais, conheceu Carlos e deu-se de conta do seu potencial, e desde então começaram a treiná-lo para competir no interior do país. Foi assim que se classificou para ir ao Orinoco”, disse, com orgulho, a mãe do atleta. Quando perguntamos ao Carlos como se sente cada vez que mergulha na água, a resposta é “muito bem”, mas conta que também gosta de cozinhar e trabalhar com cerâmica, ofícios que aprende diariamente na Oficina Laboral de Palos Grandes e que combina com os seus treinos semanais de natação. “Tenho vários professores: Richard e Carlos no Centro Português; Victor em La Castellana e Juan Carlos em La Trinidad”, diz Carlos sem hesitar.

Apoio familiar
“Um médico em Portugal disse-me que a melhor professora que Carlos podia ter para seguir em frente seria a sua irmã mais nova, Elisabeth”, disse Olga Pereira, que recordou, com muita alegria, que o seu carro era praticamente uma casa ambulante, pois passava todo o dia com os filhos nas suas actividades escolares e desportivas.

Elizabeth, de 25 anos de idade, foi a segunda bênção da família Reverendo Pereira, proveniente de Portugal continental. Para além de ser irmã e amiga de Carlos, converteu-se na sua luz guia, na pessoa que o acompanhava para todo o lado, que entendia os seus gestos e as suas palavras por concluir.

“Nós sempre tratamos de orientá-lo para que faça as coisas bem, para que seja aceite pelos outros sem importar mais nada. Ainda que ele também tente conhecer muita gente, e tanto assim é que no clube conhecem-me como a irmã do Carlos”, diz Elisabeth, entre risos.

Tal como Carlos, Elisabeth tem também cerca de 100 medalhas, bem como alguns troféus e placas, como reconhecimento dos primeiros lugares conquistados nas competições entre clubes ao nível nacional nos estilos Livre, Costas e Bruços, e não foi por acaso que aos 7 anos de idade se tornou atleta federada do Centro Português.

No entanto, quando iniciou o secundário, Elisabeth não tinha tempo de treinar e menos ainda quando entrou na universidade para estudar engenharia informática, licenciatura que ainda não terminou.

Por agora, as energias da família Reverendo Pereira estão centradas no crescimento desportivo de Carlos, um luso-descendente apaixonado pelas águas.

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