Paulo Cafôfo que emigrantes na «Melhor cidade para viver»

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Agostinho Silva, em Caracas
asilva@dnoticias.pt

O presidente da Câmara do Funchal estreou-se este fim-de-semana na Venezuela com uma mensagem emocionada, primeiro em gratidão pelo contributo das comunidades à Madeira, depois ao confessar-se positivamente surpreendido com aquilo que já viu nesta sua primeira incursão a Caracas.

Paulo Cafôfo assumiu, sem rodeios, querer explorar «de forma positiva» a emigração madeirense no mundo. «O Funchal quer ser a melhor cidade para viver, até 2020, em Portugal» e para isso precisa também do contributo dos madeirenses que residem fora da ilha.

O autarca dirigia-se às centenas de emigrantes que domingo participavam num almoço no Centro Português, em Caracas, numa iniciativa conjunta do DIÁRIO de Notícias da Madeira e da Câmara Luso-Venezuelana de Comércio, Turismo e Afins (CAVENPOR). Para além da Câmara do Funchal (CMF), viajaram de Portugal representantes da Ordem dos Técnicos Oficiais de Contas (OTOC) e da Caixa Geral de Depósitos (CGD).

Visitar, viver, investir
Uma vez mais, o Salão Nobre do Centro Português engalanou-se para um evento promovido pelo nosso jornal em estreita colaboração com José Luis Ferreira, presidente honorário da CAVENPORT. As centenas de convivas começaram por ouvir Paulo Cafôfo definir a sua presença em Caracas como «uma visita de afectos e de memória», numa alusão a familiares que já vão na segunda e terceira gerações, depois de evocar o «serviço público» que o DIARIO tem prestado à Região Autônoma da Madeira através desta e muitas outras iniciativas.

«Temos os melhores emigrantes do mundo», constatou o autarca. «Porque se adaptam bem onde estão, porque são admirados em todos os países e porque demonstram qualidade e perseverança», justificou Paulo Cafôfo, apressando-se também a advertir que «não podemos ficar pelas palavras bonitas e pelas promessas.»
«Não viemos em passeio. Trazemos projectos», adiantou o autarca, evocando o vídeo que tinha sido exibido antes da sua intervenção, preparado pelos serviços da CMF para demonstrar os 5 programas em curso e que vão revitalizar o Funchal nos próximos anos. «Não conseguiremos fazê-lo sós, os nossos emigrantes têm de fazer parte deste projecto.»

O objectivo é transformar o Funchal na melhor cidade portuguesa para se visitar, para viver e para investir. Para tal, Cafôfo descreveu alguns dos detalhes da criação de uma área de reabilitação urbana que beneficia de incentivos fiscais, falou da revitalização do comércio e exaltou a cidade que «é fiscalmente amiga do investidor». O autarca anunciou ainda a criação do Balcão Único do Investidor, no qual o emigrante e outros interessados terão um gestor a quem colocarão todas as suas questões e que seguirá todo o processo. «Queremos simplificar a vossa vida», sintetizou.

OTOC e CGD
Também presente no encontro com a comunidade, o Bastonário dos Técnicos Oficiais de Contas fez da sua intervenção uma interessante série de confidências, entre as quais se destacou o facto da OTOC ser a maior ordem profissional em Portugal, fruto dos seus 72 mil membros, com cerca de 1000 na Madeira.

Prescindindo de falar de impostos — tema que abordaria no dia seguinte, numa conferência no Hotel Pestana — Domingues de Azevedo acabaria por recordar um conselho que dá sempre a quem o procura: «A melhor maneira de fugir aos impostos é cumprir a lei.»

O Bastonário da Ordem dos Técnicos de Contas não escondeu a admiração por aquilo que acabara de ver na curta visita ao Centro Português, surpreendido «por esta grande obra» e por aquilo que os emigrantes fazem por Portugal. «Estão a prestar um bom serviço a Luis de Camões.»

Por seu turno, em representação da CGD, subiu ao palco a responsável pela Direcção Internacional de Negócios. Ana Vinagre aproveitou a oportunidade para apresentar o novo responsável pelo Escritório de Representação em Caracas, Damas Branco, que nos últimos dois anos esteve à frente da Direcção Comercial da Madeira da CGD.

Por parte da organização do almoço, cujas receitas reverteram a favor do Lar Pe. Joaquim Ferreira (lar de idosos em Los Anaucos), intervieram José Luis Ferreira (CAVENPORT) e José Bettencourt da Câmara, gerente executivo do Grupo Diário de Notícias da Madeira e administrador do Grupo Blandy. José Câmara recordou a presença do DIÁRIO na Venezuela, todos os anos desde há duas décadas, uma das formas de cumprir o estatuto do jornal, revelando «orgulho e satisfação» por ter proporcionado a vinda de muitos ilustres conterrâneos a este país que antes não se apercebiam da importância e da força desta comunidade. «Valeu a pena», disse, «mesmo que alguns pseudo-ilustres na nossa terra não consigam ou não queiram perceber o que vimos fazer.»

José Câmara reservou uma referencia final para a oportunidade desta deslocação de uma comitiva da CMF, OTOC e CGD. «Enquanto a maioria pensa e aconselha que deveríamos evitar viajará para este país, estas pessoas e estas instituições fazem exactamente o contrário. Esta é a altura ideal e porventura aquela que os nossos conterrâneos mais precisam de uma palavra amiga.»

[quote_box_center]A outra realidade no Mercado de Chacao
Paulo Cafôfo aproveitou a manhã de domingo para uma visita sem aviso prévio ao Mercado de Chacao, no centro de Caracas, uma estrutura onde dezenas de comerciantes madeirenses desenvolvem a sua actividade. O autarca foi reconhecido por vários populares, acercando-se para cumprimentá-lo e até aconselhá-lo sobre a governação do Funchal e da Madeira.[/quote_box_center]

Para o autarca foi uma oportunidade para obter uma visão diferente junto de uma camada da nossa comunidade que raramente contacta com visitantes ilustres.

À tarde, antes do almoço promovido pelo DIÁRIO e a CAVENPORT, Paulo Cafôfo participou na missa celebrada pelo padre Alexandre Mendonça e visitou as instalações modelares do Centro Português .

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