Portugal arrasa Eurovisão

O cantor português deixou críticas à música descartável e elogios à irmã

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DN MADEIRA / MIGUEL SILVA

Portugal ganhou o festival da Eurovisão. A canção interpretada ao jeito muito próprio de Salvador Sobral foi, de longe, a mais votada pelos júris nacionais dos 42 países que participaram na votação. No entanto, terminada essa fase, faltava ainda a votação popular, que provocou significativas alterações na tabela classificativa. Portugal e Bulgária acabariam por gerar uma interessante disputa, mas a vitória, desta vez, sorriu aos portugueses com um resultado estrondoso e o somatório de 758 pontos.

A canção ‘Amar pelos Dois’, com letra de Luísa Sobral, irmã de Salvador Sobral, conquistou assim, pela primeira vez, o topo do festival Eurovisão. Depois de confirmada a vitória, os dois irmãos subiram ao palco e cantaram em dueto o tema com que Portugal arrasou neste concurso.

O resultado acabou por confirmar as expectativas mais optimistas das últimas semanas. Depois de ultrapassados os obstáculos de apuramento, a música portuguesa era dada como uma das favoritas aos lugares cimeiros, sendo interpretada publicamente até por crianças de uma escola de Espanha ou alunos de Português na Ucrânia, onde ontem à noite decorreu a final.

O Presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa já elogiou a prestação do cantor que representou a primeira vitória de sempre no festival da Eurovisão. “Quando somos muito bons, somos os melhores dos melhores. Muitos parabéns ao Salvador Sobral”, foi a mensagem enviada ao intérprete português.

Também o primeiro-ministro António Costa se associou ao êxito. “Fez-se história em português hoje na Eurovisão. Parabéns Salvador! Parabéns Portugal!”, escreveu António Costa na rede social Twitter.

Salvador Sobral critica “mundo de música descartável”

O cantor Salvador Sobral considerou que a “música não é fogo-de-artifício, é sentimento” e que “vivemos num mundo de música descartável”, apelando para uma mudança.

“Vivemos num mundo de música descartável, de música ‘fast-food’ sem qualquer conteúdo. Isto pode ser uma vitória da música, das pessoas que fazem música que de facto significa alguma coisa. A música não é fogo-de-artifício, é sentimento. Vamos tentar mudar isto. É altura de trazer a música de volta, que é o que verdadeiramente interessa”, disse Salvador Sobral nas primeiras declarações após a vitória no festival.

O cantor falava depois de ter sido anunciada a sua vitória no festival da Eurovisão, e antes de interpretar novamente – acompanhado pela irmã, Luisa Sobral, autora da música e letra da canção – ‘Amar pelos Dois’, com a qual conquistou uma vitória inédita para Portugal na história do festival.

Mais tarde, em declarações à RTP, Salvador Sobral sublinhou tratar-se de “uma boa vitória também para a música no geral”, apesar de saber “que estas coisas são muito efémeras, estes concursos, amanhã já ninguém se lembra”.

 “O importante é continuar a fazer música, mas sinto que é um bom passo que as pessoas tenham gostado desta música, que tem tanto conteúdo, emocional, lírico, melódico, acho que isto pode ajudar de alguma maneira, se calhar até nos anos próximos a Europa trazer músicas com um bocadinho mais de significado a todos os níveis”, afirmou o cantor.

Questionado pelo apresentador José Carlos Malato sobre se esta vitória significa a entrada do cantor na história, Sobral disse não querer pensar nisso, recordando a digressão que tem agendada para os próximos meses, com concertos a partir do próximo sábado no Marco de Canavezes, seguindo-se o Cartaxo (26 de maio) e Ovar (27 de maio), antes de prosseguir a 10 de junho em Ílhavo com datas que continuam até agosto.

“A minha irmã tem um talento incrível, nunca duvidei e agora toda a Europa pode ver que qualquer canção que ela faça a Europa fica tocada”, disse ainda Salvador Sobral num elogio à irmã.

“Se pensasse em mim como herói nacional seria estranho”

Sobral afirmou que seria estranho pensar em si próprio como um herói nacional, depois de ter sido responsável pela primeira vitória de Portugal no Festival Eurovisão da Canção. Na conferência de imprensa com o vencedor da edição deste ano, que se realizou em Kiev, Salvador Sobral disse que o herói nacional de Portugal é o futebolista Cristiano Ronaldo e mostrou-se contente por ser o desportista a ocupar tal posto.

“Só quero viver uma vida sossegada. Espero que isso possa acontecer, tenho a certeza que sim. Talvez no princípio seja um pouco agitado. Se pensasse em mim como um herói nacional seria um pouco estranho”, respondeu o músico a uma das questões colocadas numa conferência de imprensa pontuada por várias salvas de palmas.

Face a uma pergunta sobre o apelo que fez de apoio aos refugiados na conferência de imprensa que se seguiu à primeira meia-final, Salvador Sobral disse não pretender acrescentar nada ao que já havia afirmado, mas realçou que transmitiu uma mensagem sobre os refugiados por acreditar ser o maior problema com que a Europa se confronta atualmente, sem querer ser político.

“Recebemos um e-mail da organização a dizer que não podia continuar a usar aquela camisola [que dizia ‘SOS Refugiados’]”, explicou Salvador Sobral, por não serem permitidas mensagens políticas ou comerciais: “Pensei que era estranho. E se vestir uma camisola da Adidas, é uma mensagem comercial? Era apenas humanitária. Já disse tudo o que tinha a dizer, não penso que deva apertar o mesmo botão outra vez”.

Sobral, que disse nunca ter escrito uma canção com o propósito de passar na rádio, frisou que a sua vida não vai mudar em nada e que vai prosseguir com a digressão prevista para este verão. “Nunca quis saber dos votos, só quis cantar uma canção bonita como ela é”, declarou.

Durante a conferência de imprensa, o supervisor executivo da União Europeia de Radiodifusão, Jon Ola Sand, enalteceu o trabalho da organização local em Kiev e disse que a preparação para 2018, em Portugal, começa “já na segunda-feira”.

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