Portugal vai abrir consulado-geral em Andorra-a-Velha

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O secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, Paulo Cafôfo, anunciou este domingo que vai ser aberto um consulado-geral de Portugal em Andorra-a-Velha, mas ainda sem data prevista.

“O Governo português está a preparar a abertura de um consulado-geral nesta cidade. Sei que era desejado, que era ambicionado, mas, acima de tudo, que era merecido por parte desta nossa comunidade que aqui reside”, disse o governante, no seu discurso perante portugueses residentes em Andorra, por ocasião das comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas.

Mais tarde, questionado pela Lusa, Paulo Cafôfo esclareceu que ainda não há data prevista para abertura desta representação diplomática na capital do principado.

Alguns portugueses com os quais a Lusa falou durante o dia referiram que o encerramento da embaixada em 2012 dificultou o acesso a serviços, como, por exemplo, a renovação do cartão de cidadão, obrigando os cidadãos a deslocarem-se até Barcelona para o fazerem.

Na sua intervenção, ladeado pelo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, o secretário de Estado disse que “esta será uma oportunidade para melhor” servir os concidadãos residentes em Andorra, mas também para “melhor afirmar a presença nos domínios económicos e cultural”.

O Presidente da República comentou minutos depois o anúncio e aos jornalistas disse que a intenção é “criar mais peso político, mais peso administrativo e maior capacidade de intervenção” junto de uma comunidade “que está a crescer” no principado.

“Não se pode ignorar isso. Numa comunidade que cresce tem de haver uma resposta mais forte”, completou.

O Presidente da República garantiu também que vai apoiar Andorra na assinatura de um tratado bilateral com a União Europeia, considerando que os 27 ganham “em integrar mais” o principado.

Interpelado por um jornalista andorrenho a propósito da assinatura de um tratado bilateral entre o principado e a União Europeia e se o Estado português tenciona apoiar esta pretensão de Andorra, Marcelo Rebelo de Sousa respondeu “claro”.

É fundamental para a União Europeia (UE) [a assinatura desse tratado], é fundamental para Portugal, é fundamental para Andorra e é fundamental para as relações bilaterais entre Portugal e Andorra”, completou o chefe de Estado português, à margem de um encontro com portugueses residentes no principado, por ocasião das comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas.

Andorra, que é casa de mais de 9.000 portugueses — a terceira maior comunidade representando mais de 10% da população total — “ganha em estar mais ligada à UE, e a União Europeia ganha em integrar mais, aproximar mais Andorra, que é europeia e tem um papel muito importante”, completou o chefe de Estado.

Poucas horas depois de ter regressado de Londres para uma visita ‘relâmpago’ ao principado, a terceira desde que assumiu o cargo há mais de seis anos, Marcelo Rebelo de Sousa foi também questionado sobre o encontro entre o primeiro-ministro, António Costa, e o homólogo britânico, Boris Johnson, na próxima segunda-feira.

O chefe de Estado português disse que a visita de Costa a Londres tem como principal objetivo fomentar a “relação privilegiada” que Portugal tem com o Reino Unido, rejeitando eventuais contradições com os acordos pós-Brexit.

Pura e simplesmente, naquelas áreas em que não há contradição, há coisas que podemos fazer de colaboração bilateral, que fazemos, aliás, com outros países por todo o mundo, por maioria de razão com um país que tem uma comunidade britânica muito forte no norte, uma comunidade britânica muito forte no sul, na Madeira, e que está a crescer em termos de investimento em Portugal”, argumentou, considerando que Portugal ganha com o fortalecimento destas relações já seculares.

Os primeiros-ministros do Reino Unido e de Portugal preparam-se para fechar na segunda-feira, em Londres, um acordo político global para regular as relações bilaterais luso-britânicas após a saída do Reino Unido da União Europeia.

“Está a ser preparado um acordo chapéu entre os dois países, com particular incidência nas áreas da Defesa, política externa, ciência, Ensino Superior e alterações climáticas, em especial os oceanos”, adiantou no domingo à agência Lusa o ministro dos Negócios Estrangeiros, João Gomes Cravinho, no final de uma visita ao Royal Brompton Hospital, em Londres, em que acompanhou o Presidente da República.

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