Portugal vai pedir reestruturação e flexibilização dos créditos para vítimas de enxurradas na Venezuela

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Portugal vai pedir às autoridades venezuelanas uma reestruturação e flexibilização dos créditos atribuídos a cidadãos portugueses afetados pelas enxurradas de Outubro de 2022 que mataram pelo menos 50 pessoas, entre elas três lusitanos.

O anúncio foi feito pelo secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, Paulo Cafôfo, após uma reunião com dezenas de portugueses que viram as suas propriedades afetadas e à qual a imprensa não teve acesso.

«Esta visita a Las Tejerías acaba por ser uma visita muito emocionante, porque eu estive aqui logo após a catástrofe, falei com as pessoas, estive com a vice-presidente do Governo [Delcy Rodríguez] e com uma série de ministros e é novamente uma emoção reencontrar estas pessoas que tive a oportunidade de lhes dar um abraço de conforto desde a primeira hora», começou por explicar o secretário de Estado à Lusa.

«E cá estou novamente, particularmente para voltar a falar com elas e fazermos um ponto de situação relativamente à evolução de toda a situação», sublinhou Cafôfo.

«O Governo português aqui tem limitações, porque estamos no Estado soberano, em que não podemos interferir na governação e nas opções do Governo da Venezuela», admitiu o secretário de Estado.

«Mas, tenho que aqui dizer que estamos a acompanhar a situação, que estamos gratos por aquilo que já foi feito pelo Governo da Venezuela. Nomeadamente toda a parte imediatamente a seguir a enxurrada, de limpeza, de maquinaria que esteve a desobstruir as zonas que foram afetadas», acrescentou.

«Por essa razão, fizemos aqui um balanço relativamente a tudo aquilo que foi feito» (…), mas, apesar deste nosso agrado pela intervenção do Governo da Venezuela, há aqui situações que merecem da nossa parte uma intervenção, nomeadamente através da nossa embaixada de Portugal em Caracas», afirmou.

O secretário de Estado mencionou «situações em que as pessoas requereram linhas de crédito dadas pelo Governo [venezuelano], mas cujas condições de financiamento obviamente não são vantajosas e inviabilizam o uso dessas mesmas verbas das linhas de crédito».

«Aquilo que faremos é, com informação clara, precisa e com toda a transparência, requerer a reestruturação, a revisão, uma maior flexibilização também dos critérios da atribuição dessas linhas de crédito», expicou o governante.

«Esta é uma questão assumida numa reunião com estes cidadãos portugueses. Outra questão é a situação de propriedades que, sendo consideradas em linhas de água ou em zonas de risco, que possa haver uma compensação justa da sua expropriação», frisou.

«Estas são duas das questões que aqui nos foram expostas e temos esse dever, um dever até moral, de defender estes nossos cidadãos perante o Governo e as autoridades da Venezuela», acrescentou.

Cafôfo iniciou na sexta-feira uma visita de sete dias à Venezuela, onde manterá contactos com a comunidade portuguesa e lusodescendente em Caracas, Valência, Maracay, Los Teques e Tejerías.

Durante a visita, na qual se faz acompanhar pelo secretário de Estado da Segurança Social português, Gabriel Bastos, Cafôfo vai fazer uma avaliação dos apoios sociais prestados a portugueses, manter encontros com organizações associativas, empresários e visitar várias instituições luso-venezuelanas, bem como as redes consular e médica.

Em outubro de 2022, pelo menos 50 pessoas morreram num aluimento de terras em Las Tejerías, no centro da Venezuela, entre eles três cidadãos portugueses.

Durante três semanas as chuvas causaram aluimentos de terra e inundações em metade dos 24 estados da Venezuela, onde milhares de pessoas perderam parcial ou totalmente as suas casas e outras propriedades.

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