Portugueses candidatos nas eleições autárquicas britânicas

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Preocupações ambientais e o desejo de ajudar a comunidade ou de desenvolver a região onde vivem levaram vários portugueses a candidatarem-se nas eleições autárquicas que se realizam hoje em Inglaterra.

Candidato pelo partido local Confelicity pela freguesia [ward] de Blenheim Park, em Southend-on-Sea, sul de Inglaterra, Luís Miguel Lançós começa por dizer à agência Lusa que não tem ambições políticas.

“Eu não sou político, nem sequer quero ser eleito, não estou a fazer qualquer campanha. O que eu quero é ajudar a desenvolver a região onde vivo”, vincou.

A candidatura, explicou, foi a via que encontrou para tentar influenciar os decisores locais a apoiarem o projeto de criar um polo tecnológico na cidade.

A ideia surgiu após trocar Londres, onde vivia desde 2007, por Southend durante a pandemia de covid-19 de forma a ficar perto do mar, mas com acesso fácil à capital britânica.

Em 2023, deixou o trabalho num banco norte-americano para lançar uma ‘startup’ ligada à inteligência artificial.

Na nova cidade, disse, encontrou um “discurso derrotista” e um aeroporto subaproveitado, apesar do “potencial para promover o empreendedorismo e a inovação” em setores como a aviação verde e a tecnologia espacial.

Em Bristol, no sudoeste de Inglaterra, Moisés Santo é candidato na freguesia de Avonmouth & Lawrence Weston pelo partido dos Verdes.

Nascido em Timor-Leste, de mãe portuguesa e pai timorense, reside no Reino Unido desde 2006 e desde o início se interessou em contribuir para a comunidade, que agora ronda as duas mil pessoas.

Fundou uma associação de timorenses e uma equipa de futebol e tem promovido aulas de inglês e ajuda para timorenses tirarem a carta de condução e melhorarem as perspetivas profissionais.

Foi Moisés Santo que abordou o partido britânico com interesse em envolver-se nas atividades locais por se preocupar com o ambiente, mas também por alinhar-se com a ideologia de esquerda “que ajuda as pessoas”.

“Os senhorios tratam mal os imigrantes, parece que não têm direitos”, lamentou, referindo que quer melhorar as condições de habitação e aumentar a frequência dos autocarros.

Deolinda Maria Eltringham também é candidata pelo partido ecologista, mas na freguesia de Hitchin Bearton, em North Hertfordshire, cerca de 60 quilómetros a norte de Londres.

A portuguesa nascida no Porto, em 1959, cresceu em Moçambique até se mudar com a família para a África do Sul em 1975, após a descolonização.

Casada com um britânico, instalou-se no Reino Unido em 1986 para Hitchin, onde a formação científica e a preocupação com as alterações climáticas a levaram a desenvolver várias iniciativas ligadas à reciclagem e poupança de energia.

No ano passado foi declarada “rainha da reciclagem” pela revista Hertfordshire Life por ter evitado que 22 toneladas de artigos, desde canetas a escovas de dentes e diferentes embalagens de produtos, acabassem na lixeira.

Deolinda Eltringham também é ativista do movimento “Make Votes Matter”, que defende a substituição do sistema de maioria simples pelo de representação proporcional no Reino Unido.

“Este é o maior obstáculo a uma verdadeira representação democrática na maior parte da política inglesa”, defendeu.

No nordeste de Londres, Valdomiro Lourenço é candidato pelos Liberais Democratas na freguesia de Hutton South, no concelho de Brentwood.

Chegado ao Reino Unido em 2015, o conimbricense de 54 anos relatou ter assistido ao impacto do ‘Brexit’ em termos de xenofobia e de desemprego no setor automóvel, onde trabalhou.

“Desde esse período que me filei nos ‘Lib Dems’ porque sou pró-europeu e é o único partido que tem uma posição mais clara em relação a isso”, justificou.

Apesar de Brentwood ter uma maioria dos Liberais Democratas, Lourenço tem pouca esperança de ganhar aos atuais autarcas conservadores, pelo que tem feito pouca campanha.

A segurança, a construção de espaços desportivos para os jovens e a gestão das contas públicas têm sido algumas das questões levantadas.

Nas eleições autárquicas de hoje vão a votos cerca de 2.600 lugares em 107 autarquias.

Os autarcas vão ser eleitos em distritos, distritos metropolitanos e autoridades unitárias, autoridades locais com diferentes dimensões e responsáveis por serviços como a recolha de lixo, espaços verdes, urbanização, manutenção de estradas e escolas.

Inglaterra, a região mais populosa do Reino Unido, possui 317 autarquias, cujos representantes políticos são escolhidos em anos alternados por mandatos de quatro anos.

As mesas eleitorais vão funcionar entre as 07:00 e as 22:00 e alguns resultados deverão ser anunciados ainda durante a madrugada, mas a contagem poderá prolongar-se por sexta-feira e sábado.

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