Portugueses no estrangeiro (des)esperam pelos boletins de voto

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Marco António Sousa

A cerca de duas semanas das eleições legislativas, os emigrantes residentes no estrangeiro, nomeadamente da África do Sul e Venezuela, esperam e desesperam pela chegada dos boletins para que possam exercer o voto de forma postal.

“Sensivelmente a duas semanas das eleições os boletins de voto (postal) ainda não chegaram aos eleitores na África do Sul, não obstante das nossas queixas de 2019 e já estarmos em 2022”, critica inicialmente José Nascimento, conselheiro da diáspora madeirense em Joanesburgo.

O advogado de profissão recorda, por exemplo, que os conterrâneos na África do Sul residem num país extenso.

“Vivemos em países de dimensão territorial extensa e vasta e há numerosos casos de eleitores da diáspora que estão a centenas, e às vezes milhares, de quilómetros afastados dos Consulados para exercerem o voto de forma presencial”, denuncia.

“Na África do Sul há situações de largas centenas de quilómetros de distância, chegando a mil. Os países vizinhos estão em situação ainda mais distante e com mais obstáculos”, considera.

Também Manuel Coelho, conselheiro das comunidades portuguesas que reside na Namíbia, confirma a informação avançada por José Nascimento.

“A história repete-se e não há vontade política de introduzir o voto eletrónico, para o qual batalhamos há uma década”, lamenta.

Além de relatos da África do Sul, também da Venezuela confirma-se a ‘demora’.

“O meu ainda não chegou”, confirma Damas Branco, representante da Caixa Geral de Depósitos em terras de Simón Bolívar.

Para José Nascimento a diáspora tem que exigir alterações à atual situação.

“Somos 5 milhões com grandes empresários e grandes profissionais. Temos muita força. Temos é que exigir muito mais em termos do princípio de igualdade consagrado na Constituição”.

“Que grande democracia que iremos celebrar em breve 50 anos de existência”, ironiza José Nascimento, conselheiro da diáspora madeirense na África do Sul.

Recorde-se que os boletins de voto para as próximas legislativas têm de ser preenchidos e devolvidos até 29 de janeiro e apenas serão contados os recebidos até 9 de fevereiro.

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