A presença portuguesa na Venezuela sempre foi relevante para a sociedade residente no país caribenho. Entre as áreas onde mais se tem destacado está a massificação das disciplinas desportivas, razão pela qual um grupo de cidadãos portugueses e luso-venezuelanos integra o painel de atletas inscritos na Federação de Caçadores Desportivos da Venezuela (FECADEVE).
Num ambiente familiar e festivo, o Polígono de Tiro El Libertador — situado no Complexo Militar de Fuerte Tiuna, em Caracas — acolheu no passado sábado, 12 de setembro, a sétima prova nacional de Tiro Desportivo na modalidade de Percurso de Caça (RECA). Esta vertente de tiro com caçadeira (tiro aos pratos) simula situações reais de caça em plena natureza.
Os atiradores deslocam-se por um campo ou circuito ao ar livre, como bosques ou zonas campestres, onde enfrentam diferentes postos de tiro. Como alvos, utilizam pratos de argila que imitam o voo ou a corrida de várias presas reais (tais como perdizes, coelhos, patos ou faisões), com trajetórias variadas, surpreendentes, imprevisíveis e a diferentes distâncias.
Esta modalidade divide-se em oito categorias: Juvenil, Master, Senior, Adulto AA, Adulto A, Adulto B, Adulto C e Senhoras. Esta última é a única categoria com participação feminina num desporto que, tradicionalmente, costuma ser praticado na sua maioria por homens. Por isso, a FECADEVE ambiciona despertar o interesse das mulheres para participarem no percurso de caça.
Dos 82 atletas que participaram na competição, a representação portuguesa contou com dez participantes: Carlos Dos Santos, Carlos Dos Santos Jr., Marcos Pereira, Andrés Pereira, Antonio Margaça, Antonio Santiago, Nelson Pereira, Alberto Cámara, Agustín Da Silva e Jorge Lopes. O evento contou ainda com a presença do vice-presidente da Filial 43 do FC Porto em Caracas, Julián García, e de amigos da comunidade luso-venezuelana, como José Graterol e José Antonio Graterol.
Antonio Margaça, que conta com mais de duas décadas de experiência no Tiro Desportivo na modalidade de Percurso de Caça, esclareceu que esta disciplina não se trata de uma atividade com armas de combate, mas sim de uma prática familiar que contribui para desanuviar a mente e aprender técnicas de segurança. Sublinhou ainda que, por se tratar de um desporto de caça ecológica, visa a conservação do ambiente e dos espaços verdes do país.
«Este desporto está federado a nível nacional e internacional. Convidamos a nossa comunidade portuguesa e luso-venezuelana a juntar-se a esta disciplina, onde é possível distrairemo-nos e descarregar a adrenalina em cada campo. São realizadas dez provas por ano e, anualmente, organiza-se a Taça FECADEVE. É uma modalidade segura e estamos sempre motivados para fomentar os valores familiares e de amizade», concluiu.
A Federação de Caçadores Desportivos da Venezuela (FECADEVE), com sede na Urbanização Los Chorros, é uma organização dedicada a promover a prática legal e consciente do tiro desportivo, do percurso de caça (RECA) e da conservação da fauna nacional. A instituição e a respetiva emissão de cartas de caçador encontram-se amplamente documentadas em normativas, decretos e registos desportivos desde os finais do século XX.
Por: Marcos Ramos Jardim



