Portugueses replicaram tradição da Festa das Fogaceiras na Venezuela

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Três centenas de portugueses replicaram domingo a Festa das Fogaceiras, tradição de Santa Maria da Feira enraizada na comunidade luso-venezuelana, com uma missa e uma procissão, seguida por um ato festivo ao mártir São Sebastião.

Organizada pela Associação Amigos de Terras de Santa Maria (ATSM), a festa teve lugar no Centro Marítimo da Venezuela onde dezenas de meninas, vestidas de branco e com uma fogaça à cabeça, acompanharam uma imagem de São Sebastião, numa procissão que terminou com o colorido das bandeiras das 31 freguesias daquele município português.

Terminada a parte religiosa, durante o convívio festivo, o presidente da ATSM, Rodrigo Ferreira, destacou a disposição dos luso-venezuelanos em «partilhar e prestigiar uma tradição tão enraizada no povo feirense e no seu voto ao mártir São Sebastião».

«Os costumes e as tradições formam parte importante da identidade de um povo, e quando se é emigrante, como nós, esses costumes e tradições ganham uma maior relevância. As saudades e a nostalgia da terra que nos viu nasceu começam a estar presentes com demasiada frequência», disse Rodrigo Ferreira.

O presidente da ATSM explicou que eventos como esta festa ajudam a mitigar a distância que os separa das suas raízes. Por outro lado, afirmou também que aquela associação foi fundada há 24 anos e recordou os feirenses que «por motivos familiares e outras circunstâncias tiveram que rumar a outros destinos» e os «companheiros que já não estão fisicamente presentes», mas que deixaram «um legado de bairrismo a toda prova».

«Hoje é a minha última alocução na Festa das Fogaceiras em Caracas. Há 24 anos escolheram-me para exercer o papel representativo da nossa organização (…) Vai ser difícil separar-me de todos vós, espero que continuem percorrendo o mesmo caminho que nos trouxe até aqui», disse.

Rodrigo Ferreira que, segundo fontes daquela associação, regressará nos próximos meses a Portugal, disse ainda que se sentiu como «um comandante de um exército durante uma batalha», como quando os «soldados o protegem dos ataques do inimigo» e agradeceu à mulher, ao filho e a várias pessoas da comunidade por terem sido fundamentais no trabalho que realizou.

Presente na festa, o embaixador de Portugal na Venezuela, João Pedro Fins do Lago, sublinhou o «imenso trabalho e ânimo resiliente» de Rodrigo Ferreira, que «nunca quebrou, nem durante os tempos mais difíceis da pandemia [da covid-19]».

«Rodrigo Ferreira completou neste momento, e com esta Festa das Fogaceiras, um ciclo de vida dedicada à comunidade portuguesa, dedicada à Venezuela, também dedicada a Santa Maria da Feira, dedicada a todos vós, com grande sucesso», frisou o diplomata.

O embaixador frisou ainda que «soube manter com a sua determinação aquilo que é uma faceta boa, importante e alegre da comunidade portuguesa, que é reunirmo-nos para festejar aquilo que temos em comum, as nossas tradições, aquilo que nos orgulha, aquilo que nos motiva, aquilo que passamos aos (…) filhos e netos, tendo recebido dos (…) avós e pais».

«Espero que este trabalho que aqui deixa feito não seja em vão, e animo todos quantos estão presentes nesta sala e para além dela, a que continuem este trabalho. Continuem esta tradição. Vale a pena por todos vós, por Santa Maria da Feira, por Portugal», disse.

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