Presidenciais: Abstenção da Diáspora

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Carlos Fernandes

Deputado na ALRAM

O direito de voto é um direito pessoal e constitui um dever cívico assente numa responsabilidade de cidadania. O voto faz parte da magia da democracia, da liberdade, de uma expressão popular, que muitas pessoas ainda estão sem experimentar. O voto pode ser utilizado como um ato de rebeldia, mas o mais importante é nunca deixar de votar pois é a nossa arma mais poderosa para demonstrar apoio ou descontentamento contra um poder local ou nacional.

Estamos num país, onde temos o direito e gosto de poder escolher, de poder votar pela opção que achamos melhor. Não podemos esquecer que ainda existem países que lutam pelo direito de votar. Que nunca ninguém nos possa tirar o nosso grande direito constitucional!

No domingo, tivemos oportunidade de cumprir o nosso dever cívico e votar nas eleições presidenciais portuguesas. Sete candidatos entraram na corrida para chegar à Presidência de Portugal numas eleições marcadas desde o princípio pela pandemia, com um aumento de casos de Covid-19.

Umas eleições cuja realização nesta altura muitos não concordaram e em que mais de 10,7 milhões de portugueses (incluindo perto de 1,5 milhões de portugueses espalhados pelo mundo), com direito a voto, foram chamados a participar. Na Madeira, em concreto, mais de 252 mil eleitores tiveram direto a votar.

Novamente, na nossa Região, constatámos o civismo, a tolerância, o respeito e o bom senso para cumprir as regras, inseridas num contexto nunca antes visto, que acabou com uma abstenção, na Madeira, de pouco mais de 57% e, a nível nacional, com mais de 60%.

Nesta noite do domingo, o vencedor foi então o Presidente em funções, Marcelo Rebelo Sousa, que, só a título de curiosidade, obteve, cá, o seu melhor resultado no todo nacional. Espero, por isso, que não se esqueça da Madeira e dos madeirenses, que lhe deram o seu voto de confiança. Quanto à senhora Ana Gomes, militante do Partido Socialista, também obteve, da população madeirense, uma resposta clara – o seu pior resultado a nível nacional, que não foi dada por acaso, pois os madeirenses não esquecem o que disse e fez.

Por outro lado, em mais de 70 países, mais de 1,4 milhões de lusitanos tiveram a oportunidade de votar no domingo, nestas eleições. A nossa Diáspora também tinha o direito de fazer a sua escolha, mas mais de 90% não votou. Este facto deve levar-nos a uma profunda reflexão.

Sabemos que, em muitos países de acolhimento, a situação pandémica foi um impedimento, mas, de qualquer modo, muito trabalho há para fazer e muitas coisas para melhorar.

A maioria dos Portugueses no estrangeiro denunciam sentir o abandono das Autoridades Portuguesas. Este deve ser um dos desafios do Senhor Presidente para o seu novo mandato – exigir que o Ministério dos Negócios Estrangeiros e a Secretaria de Estado das Comunidades cumpram com o seu trabalho.

Outro dos problemas que enfrentaram os nossos concidadãos nestas eleições tem a ver com as grandes deslocações que tinham que ser feitas em muitos países, o que deve levar a repensar a organização do ato eleitoral nas nossas Comunidades. O voto por correspondência, que é utilizado, por exemplo, nas eleições legislativas nacionais, tem que ser também uma opção para as eleições presidenciais.

Os conselheiros, associações, clubes sociais portugueses e pessoal diplomático têm feito um esforço importante para manter vivos as tradições e costumes portugueses além-fronteiras.

Senhores governantes, a nossa Diáspora está a enviar uma mensagem clara! É importante, também, legislar e governar para os mais de 5 milhões de portugueses espalhados pelo mundo. Aqueles que se têm sentido abandonados.

Temos que ouvir e melhorar. Todos somos Portugueses. Os nossos concidadãos levam Portugal no coração, sofrem, riem e choram pela sua terra. O mínimo que o Presidente e o Governo da República podem fazer é não abandonar, é ouvir e acompanhar, mas, sobretudo aqueles que têm responsabilidades diretas com todos os portugueses, incluindo com a nossa Diáspora, têm o dever de cumprir.

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