PS acusa Rio de ignorar “força da moderação” e PCP cola socialistas à direita

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O PS acusou hoje o líder do PSD de propor a Portugal “uma agenda que derruba a prudência” e “ignora a força da moderação”, com o PCP a criticar os socialistas por um “alinhamento com a direita” nesta legislatura.

Na reunião da Comissão Permanente – órgão que substitui o plenário na sequência da dissolução do parlamento – os socialistas, no período de declarações políticas sem direito a réplica, apontaram diretamente ao PSD, afirmando que o maior partido da oposição “claudicou aos pés dos princípios, deixando aos portugueses o PS como a única solução moderada e progressista e com garantias de estabilidade”.

Segundo o deputado Carlos Pereira, Rui Rio “está comprometido com uma agenda que derruba a prudência, ignora a força da moderação e desvaloriza princípios conquistados pelo Estado de direito que todos ajudaram a erguer”.

“Com tudo isto, ameaça colocar Portugal aos pés de um caminho pautado por posições que representam um retrocesso e por modelos de Governo que introduzem instabilidade e imprevisibilidade”, criticou, acrescentando que «as nuvens de retrocesso civilizacional, radicalização e austeridade programática acompanham os passos do atual PSD».

Carlos Pereira considerou que o país “precisa de estabilidade e capacidade governativa” e defendeu que “esse anseio não se alcança com alguém que abusa do conflito, do autoritarismo ou, não menos importante, da inexperiência governativa”.

Em contraponto, o deputado socialista afirmou que o PS «construiu um legado de estabilidade em torno de António Costa» e, apontando aos parceiros da esquerda, afirmou que a crise política atual “não era incontornável e, em boa verdade, nunca deveria ter ocorrido”.

“Portugal inteiro conhece os responsáveis desta infeliz circunstância: sabem quem são os que saíram do barco à primeira oportunidade, abandonando os portugueses sem dó nem piedade, sabem quem são os que ensaiaram uma dificuldade inultrapassável para também sair”, frisou.

Noutra declaração política, que decorreu antes da dos socialistas, o PCP, pela voz do líder da bancada parlamentar, João Oliveira, acusou o PS de “alinhamento com a direita” e de ter “preferido juntar os seus votos aos votos do PSD, CDS, IL e Chega” para rejeitar soluções apresentadas pelo PCP na última legislatura, designadamente em áreas como o reforço do SNS, o aumento geral dos salários ou a garantia de “condições de vida dignas” para os reformados e pensionistas.

O deputado comunista acusou o PS de não querer “soluções”, mas “eleições”, porque pretende uma maioria absoluta que teria como consequência ficar “de mãos livres durante quatro anos para fazer a política que bem entendesse, incluindo o alinhamento com PSD, CDS e os seus sucedâneos”.

“Se, pelo contrário, o povo recusar essa maioria absoluta e reforçar a CDU, o caminho que se abre é o caminho de aprofundamento das conquistas e avanços dos últimos anos”, afirmou.

João Oliveira defendeu que, nos últimos anos, o PS venceu “as resistências do PS ao aumento dos salários e pensões, aos manuais escolares e creches gratuitas, à redução do preço dos passes dos transportes e a tantas e tantas outras medidas que milhares de portugueses valorizam”.

“É com essa perspetiva que afirmamos hoje que é possível um futuro melhor”, concluiu.

Na sua declaração política, a porta-voz do PAN, Inês de Sousa Real, considerou que nem um bloco central nem uma maioria absoluta seriam positivos para o país, apontando críticas aos diversos partidos com assento parlamentar, designadamente o CDS, PCP, IL ou Chega.

“É fundamental neste tempo que Portugal evolua civilizacionalmente no combate às alterações climáticas, mas acima de tudo também naquilo que é o reforço da nossa democracia, e isso não se faz com mais do mesmo. Faz-se mudando de forma disruptiva aquilo que tem sido o sistema instalado”, indicou.

Pelo Chega, o deputado único André Ventura salientou que “à direita cabe um grande desafio nestas eleições”: “tem que ser a direita a descer os impostos, a direita capaz de fazer verdadeiramente uma rotura no sistema político em Portugal e de ter a coragem, pela primeira vez, de dizer aos portugueses que vai fazer uma coisa: acabar com metade dos cargos políticos em Portugal”, afirmou.

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