Quando a atenção vai toda para os porquinhos…

As tradicionais figuras surpreendem os consumidores com as suas formas e vestes

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Com a chegada da época de Natal, surge também a criatividade dos venezuelanos, que procuram, de alguma forma, obter dinheiro para cobrir os gastos extra da temporada.

E assim apareceram os tradicionais porquinhos de plástico que todos os anos são decorados pelos seus donos, engenhosos na hora de chamar a atenção dos consumidores e assim conseguir gritar ‘Alimentaram o porquinho! Obrigaadaaaa!’o maior número de vezes possível.

As montras das padarias, estacionamentos, casas de banho públicas e até os ‘aventais’ dos vendedores de bilhetes de lotaria enchem-se de um sem fim de modelos de porquinhos que esperam estar cheios até ao dia 24 de Dezembro.

Desde cedo

A meados do mês de Novembro, os donos ou encarregados dos estabelecimentos compram um dos porquinhos para os seus empregados, que se conseguem com facilidade nas lojas chinesas.

Ali começa o trabalho dos empregados, que utilizam materiais como feltro, pedaços de tecido, algodão e pinturas para decorar as figuras de plástico que recebem os clientes sempre com um sorriso.

Outros decidiram não usar a tradicional figura, usando a sua imaginação e, recorrendo a caixas de sapatos ou até a outro tipo de adornos natalícios e com mensagens alusivas ao Natal, conseguem fazer com que quem passa no balcão deixe o seu contributo.

Um ‘banco’ fácil

Disfarçados de diferentes personagens, ou até no seu estado natural, a realidade é que os porquinhos conseguem reunir dinheiro suficiente para ajudar a cobrir as necessidades dos beneficiários.

Depois de quase quatro semanas de exibição, finalmente parte-se o porquinho, a 24 de Dezembro. Os ganhos, que oscilam entre os 400 e os 3000 bolívares fortes, são repartidos em partes iguais entre os empregados, que utilizam o dinheiro para comprar a ceia de Natal, completar as prendas do Menino Jesus ou comprar a roupa para estrear nos dias 24 e 31.

Os porquinhos ‘mais gordos’, como os chamam, são os que ficam em estabelecimentos onde o público recebe trocos em moedas ou notas de baixo valor, como estacionamentos, padarias e quiosques de serviços. Quem coloca os porquinhos em zonas onde se embrulham as prendas também consegue boas quantidades.

Mas os porquinhos também não conseguem escapar à delinquência, pois as somas conseguidas são uma tentação para delinquentes, que todos os anos aperfeiçoam técnicas para furtar as figuras com todo o seu recheio. Isso mesmo se conseguiu constatar num percurso feito por diversas zonas de Caracas para encontrar os porquinhos mais originais.

“É a segunda vez que nos roubam o porquinho. O ano passado forçaram a fechadura do quiosque à noite e levaram o porquinho, perto do Natal. Este ano, veio um grupo de três homens, e enquanto o meu companheiro atendia o mais velho, os outros levaram o porquinho que tínhamos decorado. Agora temos uma caixinha escondida e fechada a cadeado”, contou um dos trabalhadores de um quiosque de café no Paseo Las Mercedes.

Por isso, a maioria das figuras de Natal está fechada com correntes, fita-cola ou cola na base, para evitar que este tipo de situações aconteça.

Os mais ousados

A tradição de Natal estendeu-se a outras áreas. Há algumas semanas, num salão de festas de Caracas, um cofre de prendas de um casamento foi completamente modificado pelos organizadores da festa e transformado num casal de porquinhos cuja vestimenta imitava os trajes usados pelo casal.

Ainda que os convidados se tenham mostrado surpreendidos, é provável que a tendência se estenda a outras festas, assim como uma iniciativa publicitada no Facebook no início do mês, sobre um concurso de porquinhos.

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