Rali Vinho Madeira, 55 anos de histórias

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A primeira corrida de carros realizou-se em 1959, ainda a prova tinha o nome de Volta à Madeira em Automóvel e ninguém sonhava sequer com o campeonato europeu de ralis. Nesse ano, ganhou José Lampreia com um MGA. O Rali Vinho Madeira, nome com que depois seria baptizado, dava os primeiros passos numa história que tem já 55 anos, muitas aventuras e acidentes a lamentar.

O automobilismo ganhou adeptos depressa, apesar de ser um desporto dispendioso numa época em que ter carro era um sonho para ricos e emigrantes. As máquinas de velocidade faziam sonhar, sobretudo os mais novos que nem dormiam para ver as classificativas nocturnas. E os pilotos eram os meninos bonitos. Os pioneiros como Zeca Cunha e Janica Clemente ainda hoje são lembrados.

A prova, no entanto, não tinha a organização de hoje, com a polícia a desviar o trânsito e impor limites de segurança para o público. Era tudo muito mais amador, tão amador que, em 1977, quando a Volta levava quase 20 anos de existência, os pilotos tiveram de esperar que a procissão de Bom Jesus da Ponta Delgada passasse.

A história dos carros de rali à espera da procissão acabou por influenciar o resultado final. Enquanto os pilotos esperavam, Américo Nunes, que seria o vencedor dessa edição, inventou um esquema para romper o trânsito. Fez crer que o co-piloto precisava de ajuda médica, ligou os piscas e, claro, chegou primeiro que os outros.

Estes foram, no entanto, os tempos de um certo romantismo. No ano seguinte, em 1978, a Volta seria ganha por Ari Vatanen, futuro campeão mundial de rali, homem do Paris Dakar. A Volta à Madeira em Automóvel estava prestes a passar a Rali Vinho Madeira e a trazer pilotos de marca e com ambições no campeonato da Europa.

Em 1984, Henri Toivonen, promessa do automobilismo europeu, venceu o Rali Vinho ao comando de um Lancia 4.  O piloto finlandês acabaria por morrer num acidente no Rali da Córsega, dois anos depois. A meados dos anos 80 o rali madeirense entrava no mapa e tinha até uma estrela feminina.

Antonella Mandelli, uma italiana bonita, fez vários terceiros lugares e um segundo no Rali Vinho Madeira. Primeiro com o Fiat e depois com um Lancia. Foram os tempos das mulheres nos ralis e das quais Michelle Mouton, piloto francesa, foi a mais bem sucedida. Chegou a ganhar uma etapa do campeonato do Mundo.

Enquanto chegavam os pilotos estrangeiros, mais a prova ganhava peso social. O Governo Regional passou a decretar tolerância de ponto na sexta-feira do rali e milhares de madeirenses começaram a rumar à serra, para acampar e ver os carros passar. E uma prova com tantos anos tem também a suas tragédias.

Em 1998, na 22ª classificativa no Paul da Serra, o carro do piloto português Adruzilo Lopes despistou-se, capotando várias vezes e colhendo vários espectadores. Uma jovem de 20 anos e uma criança de sete morreram no acidente. O caso ainda corre nos tribunais. Adruzilo Lopes regressou ao Rali Vinho Madeira e ganhou a prova em 2001, mesmo sob grande contestação das famílias das vítimas.

Por esta altura, fim dos anos 90, já a Madeira tinha um campeonato regional de ralis com várias equipas e pilotos. Em 2004, Victor Sá, filho do empresário Jorge Sá, venceu a prova. Foi a época de melhores resultados e maior abundância de recursos, em que as equipas madeirenses disputavam os primeiros lugares com os pilotos estrangeiros.

O Rali Vinho Madeira sofreu, no entanto, com o corte nos subsídios ao desporto. Em 2011, não conseguiu pagar a cadeia de televisão Eurosport para integrar o Intercontinental Rallye Challenge, mas manteve-se no Campeonato Europeu de Ralis. Em 2013 baixou para o coeficiente 20, o lugar que ocupava dez anos antes. Este ano a prova foi para estrada só com pilotos madeirenses. Bruno Magalhães somou a terceira vitória na prova.

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