Raúl Simão, um talento luso-venezuelano na sétima arte

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Desde jovem, o cineasta luso-descendente tinha a necessidade de contar histórias, foi quase aos 30 anos de idade quando descobriu que era viável fazê-lo através da área audiovisual, as primeiras abordagens foram bastante ingénuas, mas ao fazê-lo descobriu o que precisava de aprender para melhorar a sua forma de comunicar, estreada no cinema com a curta-metragem 200 ao minuto no ano de 2012, triunfou com vários prémios com a curta-metragem Neverson (2015) que nesse mesmo ano ganhou o Festival de Cinema Entre Largos y Cortos de Oriente (ELCO) como melhor curta-metragem do concurso, recentemente em 2019 esteve com a curta-metragem no Inter Film Berlin, Para Elisa (2020) esteve em Shorts Mexico 2021 e ganhou a Melhor Curta Metragem no Festival de Cinema da Geórgia 2021. Também realizou mais de 20 videoclips, incluindo Rey por un día de Julio Cesar, vencedor do Grammy Latino 2015, Amantes e uma loucura de Daniel Alejandro receberam inúmeros prémios em festivais internacionais especializados em que participaram, teve a oportunidade de trabalhar noutras áreas, como actor, fotógrafo e assistente de realização, que foram a aprendizagem mais satisfatória na realização de filmes.

Quem é Raul Simão?

Raul Simão Ferraz, nascido na cidade de Valência, a 18 de Junho de 1977 em Valência, estado de Carabobo, estudou engenharia na Universidade de Carabobo, licenciou-se em Administração e Gestão de Marketing e recentemente na Escola Nacional de Cinema, filho de pais madeirenses, da Calheta do lado paterno e de Ponta Delgado do lado materno, a sua última visita à Pérola do Atlântico foi em 2017, enquanto escrevia o guião de «Con Portugal en la Maleta» inspirado no livro de Antonio de Abreu Xavier, A casa dos meus avós, que tem mais de 100 anos e está nas montanhas do Lomo do Brasil, ainda está preservada, vários parentes ainda lá vivem e foi uma experiência mágica saber que o pequeno paraíso do Atlântico, portanto o seu primeiro guião de longa-metragem que escreveu é precisamente «Com Portugal na mala» é sobre a história dos imigrantes portugueses na Venezuela, especialmente os nascidos na região insular da Madeira, é inevitavelmente uma história que atravessa a família e que o ajudou pessoalmente a reconciliar-me com as suas origens.

Embora a Venezuela e Portugal tenham tido excelentes relações nas esferas política, económica e social, Simão considera que não foram alcançados acordos a nível cinematográfico. «Con Portugal en la Maleta», um projecto de co-produção entre a Venezuela e Portugal, foi apresentado na Ibermedia, o programa que promove a co-produção entre países ibero-americanos e que inclui Portugal, Espanha e Itália, Lamento que a Venezuela esteja atrasada com este programa desde 2016, pelo que a co-produção em Cinema com a Venezuela é impossível em qualquer parte do mundo, saliento também o número de descendentes de portugueses na televisão, rádio e cinema nacional, segundo o jovem cineasta a comunidade portuguesa tem sido a diáspora estrangeira que melhor trabalhou com a sociedade venezuelana.

O seu filme venezuelano preferido é Brecha en el Silencio dos irmãos Rodríguez, um filme com fotografia magistral que invade todos os sentidos, imperdível. Do cinema português, destaca o filme «Cartas de Guerra», baseado no livro de Antonio Lobo Antunes e na sua correspondência de Angola, Ele teve a oportunidade de a ver pela primeira vez no cinema, e comenta que foi uma das experiências mais emocionantes em frente a um ecrã, que o fez viver a história.

«Os bons filmes não têm género, gosto de filmes que transmitem emoções, que me aproximam de uma cultura ou de uma era. Nos últimos anos, e graças à pandemia, aproximei-me dos documentários, que é um acto mais individual do que ficção, abriu-me um universo de possibilidades a explorar», exclamou Simão.

Finalmente, reflectiu que na Venezuela, a própria indústria cinematográfica não está estabelecida, exclamou que existem produções excepcionais e admiráveis, que conseguiram avançar com projectos nacionais apesar da adversidade e falta de apoio, «Há alguns anos foi aprovada a lei do cinema, que no papel é maravilhosa e invejável para outros países hispânicos, Mas na prática, infelizmente, não dá muita esperança à realização de filmes na Venezuela», pois considera que a maioria dos talentos nacionais vive noutros países, embora tenha destacado a projecção de venezuelanos que irão produzir filmes no estrangeiro, quer sejam realizados, produzidos ou actuados pelos nossos companheiros venezuelanos que vivem na diáspora.

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