“Regresso da TAP à Venezuela é uma situação complicada”

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Christine Ourmières-Widener, presidente executiva da TAP, ouvida no Parlamento, foi clara: as decisões de rotas são tomadas do ponto de vista do negócio e tendo em conta a sua rentabilidade. A gestora defendeu a importância da TAP para a diáspora.

Sobre a Venezuela, que proibiu a TAP de voar, Christine Ourmières-Widener admitiu que se trata de uma situação complicada, e que não está nas mão da transportadora portuguesa resolver. “Eles têm uma série de exceções, como o caso do Natal, e nós vamos usá-las ao máximo para ir ao encontro das necessidades das comunidades [portuguesas]», afirmou.

Ouvida pela primeira vez esta terça-feira no Parlamento, Christine Ourmières-Widener salientou que tudo está a ser feito para que a companhia seja sustentável. E embora não tenha fechado a porta a uma mudança de estratégia face a algumas rotas, sublinhou que os voos e os seus destinos são decididos em função da sua viabilidade económica. A presidente executiva da companhia aérea frisou, ainda, que, enquanto especialista da indústria da aviação, não pode “apoiar o desaparecimento” da TAP, sublinhando sua importância para a diáspora portuguesa espalhada pelo mundo.

“Quanto a quem fala do desaparecimento da TAP, eu, enquanto especialista, não posso apoiar esse desaparecimento, porque a TAP serve destinos críticos para o país, não só nas ilhas, mas na diáspora espalhada pelo mundo”, defendeu. E acrescentou: “É uma missão que nós queremos cumprir de forma rentável e sustentável. Este serviço faz parte da nossa natureza. É preciso não esquecer que representamos comunidades que estão ligadas a um país por uma companhia aérea”.

A gestora, que foi nomeada para a TAP em junho passado, esteve a ser ouvida esta terça-feira na comissão eventual para o acompanhamento da aplicação das medidas de resposta à pandemia da doença covid-19 e do processo de recuperação económica e social. Falou em inglês, com um tradutor português ao lado.

Aos deputados, a nova presidente da TAP, engenheira de aeronáutica de nacionalidade francesa, confirmou que iria haver ligações diretas do Porto aos EUA e ao Brasil. “Podemos confirmar que vai haver voos do Porto para Nova Iorque e para o Brasil”, esclareceu. E adiantou: “Os restantes voos vão ser analisados e decididos numa base casuística. Estou a falar dos voos de longo curso que servem, também, para alimentar o ‘hub’ de Lisboa”. Christine Ourmières-Widener respondia, assim, a questões sobre o desinvestimento da TAP no aeroporto do Porto nos últimos anos, de que se tem queixado a cidade, onde o maior número de voos é atualmente feito pela Ryanair.

A gestora salientou a importância da abertura das fronteiras aéreas com o Brasil, a 16 de setembro, lembrando que este mercado tem quase o mesmo peso que Portugal nas vendas da TAP.

Christine Ourmières-Widener afirmou, também, que está a trabalhar com as equipas da Madeira para poder fazer uma melhor oferta, dando uma resposta mais eficiente ao setor do turismo, mas fechou para já a porta à possibilidade de fazer voos para Porto Santo no inverno, admitindo porém que poderá ser feita uma reavaliação, caso surjam novas informações. A decisão, explicou, foi tomada com base em estudos de mercado. “Até ao momento, a informação que temos não nos permite operar esta rota, este inverno”, esclareceu.

“A TAP tem apoiado a Groundforce em tempos difíceis, garantindo que os seus trabalhadores recebem o salário no final do mês. […] É um parceiro estratégico porque trata do nosso ‘handling’ no nosso ‘hub’ [Lisboa] e queremos que seja uma empresa forte e eficiente e é por isso que na assembleia de credores vamos estar atentos e apoiar todos os cenários que permitam um futuro risonho para a Groundforce”, avançou.

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