Rui Abreu conclui visita produtiva à Venezuela

Madeira disponível para apoiar idosos carenciados na Venezuela

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Agostinho Silva / Sergio Ferreira

A Madeira está disponível para apoiar os idosos carenciados na Venezuela, disse o diretor regional das Comunidades e Cooperação daquela região autónoma, Rui Abreu. “Essa aposta social é uma aposta que o Governo [regional] quer fazer e com a qual quer continuar, porque não se pode só tratar da diáspora só sob a forma de divertimentos e de festas”, disse.

Rui Abreu falava à agência Lusa pouco antes de deixar a Venezuela, onde esteve de visita desde 22 de abril e contactou com as autoridades lusas locais e portugueses de várias cidades, entre elas Caracas, Barquisimeto, Maracay e La Guaira.

O governante visitou o Lar Geriátrico Luso-venezuelano de Maracay e o Lar da Terceira Idade Padre Joaquim Ferreira em Los Anaucos (Caracas), onde foram “assinados dois contratos-programa de um pequeno apoio para a gestão diária dos idosos”.

“A esmagadora maioria das pessoas que se encontram nesses lares são madeirenses e nós também temos o dever de olhar para aqueles que foram os nossos pais, os nossos avós”, disse, sublinhando que “esses dois contratos-programa são historicamente os primeiros que são assinados pelo Governo regional no estrangeiro”.

Segundo Rui Abreu, “já tinha havido algumas ajudas aos lares, de forma indireta, direta não” e as intenções foi “mostrar também a solidariedade” das autoridades regionais para com os mais desfavorecidos, “aqui na Venezuela, onde há uma comunidade tão grande” proveniente da Madeira.

Novas gerações assumem a liderança

“Procurei, nesta visita, abarcar diversos setores da nossa emigração aqui na Venezuela, da sociedade madeirense. Visitei nove clubes ou centros, dos quais constatei que apenas dois estão com algumas dificuldades, um deles em retomar a sua atividade depois da pandemia”, explicou. Rui Abreu explicou que “isso permitiu ter algum retrato a esse nível”.

Um dos aspetos que o político madeirense valorizou positivamente foi o facto de as novas gerações estarem a tomar conta de alguns clubes e associações. Um exemplo disto é o engenheiro civil José Francisco Rodríguez, que deu novo impulso ao Centro Luso Larense em Barquisimeto (Lara), ou o jovem empresário David de Jesús, que juntamente com um grupo de membros entusiastas da sua geração, começou a trabalhar para recuperar o Centro Luso Venezolano em Araure (Portuguesa).

Em Valência, a delegação da Madeira foi recebida por Danny Barradas, um empresário de 39 anos que gere o Centro Social da Madeira desde 2018, imprimindo o seu estilo de liderança e rodeando-se de uma nova geração de líderes associativos.  Abreu também constatou que a Ermida de Nossa Senhora de Coromoto e Fátima, que é onde funciona a Missão Católica Portuguesa em Caracas, está a entrar numa nova fase, com o padre madeirense Carlos Abreu a servir de guia. A retoma das atividades acontecerá já no dia 13 de maio.

Mudanças aparentes no país

Rui Abreu, que já tinha estado na Venezuela em 2016, chamou a atenção que encontrou “diferenças” que “talvez quem esteja aqui (Caracas) não note muito”.

“Há muita imagem lá fora ainda de que na Venezuela não há produtos básicos, como leite, massa, arroz e por aí em diante. Constatei que isso não é verdade, visitei inclusive supermercados e estão totalmente abastecidos. Isso já tem algum tempo assim, mas a imagem que passa lá fora ainda é outra”, disse.

“Em conversa com muitos migrantes com quem estive, aquilo que me transmitem também é de que há alguns sinais positivos de que se vê num país, para alguma melhoria em certas situações”, acrescentou.

Insistindo que não quer imiscuir-se na política venezuelana, explicou que “mesmo a nível da segurança há uma pequena melhoria», referindo: «Eu sinto isso”.

“Claro que a segurança aqui sempre foi um pormenor, mas também só se resolve quando se resolverem outros desequilíbrios que a sociedade venezuelana tem, nomeadamente no rendimento das famílias mais desfavorecidas”, disse.

Pedidos de nacionalidade pressionam Consulado Geral de Portugal em Caracas

O diretor regional das Comunidades e Cooperação Externa também se reuniu com o Cônsul-Geral de Portugal em Caracas, Licínio Bingre do Amaral, e elogiou o trabalho que o diplomata tem feito na Venezuela em prol da Comunidade Madeirense. “Se antes da pandemia, o consulado fazia 90 mil atos consulares, por ano, atualmente faz cerca de 350 atendimentos diários. E são os pedidos de nacionalidade que mais pressão colocam sobre os serviços”, adiantou o governante madeirense, elogiando a descentralização de atos consulares promovida pelo Cônsul.

“Ontem [quinta-feira, 28 de abril], o Consulado de Portugal em Caracas realizou uma Missão Consular em Los Teques, descentralizando os atos consulares, lembrou Rui Abreu, sublinhando que foi uma “iniciativa é importante para a Comunidade que, assim, não tem de se deslocar propositadamente a Caracas para tratar de documentos”. Na missão consular em Los Teques foram realizados 250 atendimentos, a maioria relacionados com a emissão de cartões de cidadão e passaportes.

Consulado moderniza-se em Valencia

A modernização dos serviços, com evidentes benefícios para o agendamento de atos consulares em Valencia, foi um dos aspetos focados pela cônsul-geral de Portugal Rosa Tavares, no encontro que foi proporcionado ao diretor regional das Comunidades. O reforço dos recursos humanos é também uma marca destes três anos em que a consul-geral, que está de saída de Valencia, exerce as suas funções nesta área onde trabalham e residem muitos madeirenses.

Rui Abreu agradeceu a disponibilidade de Rosa Tavares, fazendo o enquadramento das suas funções no âmbito do Governo Regional da Madeira, que engloba também uma nova dinâmica e um novo ciclo em torno dos conselheiros da Diáspora Madeirense.

Comunidade pede voo com escala direta no Funchal

Sobre a TAP, explicou que a comunidade vê com bons olhos a retoma dos voos para Caracas, mas sublinhou que sendo “uma empresa pública que beneficiou de mais de 3 milhões de euros do Estado português, tem o dever de servir a sua diáspora”.

“O retomar das viagens da TAP é positivo, aliás vê-se pelas pessoas. Toda a gente com quem falei está satisfeitíssima, mas há outra questão que é o preço das viagens, que neste momento é bastante alto”, disse.

O político madeirense disse ainda que uma vez que a maioria dos imigrantes da comunidade portuguesa na Venezuela são oriundos da Madeira, o Governo regional vai “continuar a lutar para que uma vez estabilizada a ligação regular da TAP a Caracas” haja um voo semanal ou quinzenal com escala direta no Funchal.

«Como já tivemos em tempos idos e que foi uma ligação que funcionou muito bem, de Lisboa, Funchal, Caracas, e Caracas, Funchal, Lisboa”, comentou.

Sobre a migração de luso-venezuelanos para a Madeira, explicou que foram para o arquipélago entre 10.000 e 12.000 pessoas, nos últimos anos, e que isso teve aspetos positivos para a economia madeirense em áreas como a restauração, mas, referiu: “Há muita gente há espera que a Venezuela melhore para regressar”.

Por outro lado, indicou que 1.700 crianças luso-venezuelanas estão a estudar na Madeira, o que é positivo também para a região porque estavam a ser fechadas escolas.

Lesados do BES pedem intermediação ao Governo Regional da Madeira

Representantes das associações de Lesados do BES (África do Sul e Venezuela) pediram ao Governo Regional da Madeira, em Caracas, para ‘voltar à carga’ junto do Governo da República, para que o primeiro-ministro António Costa cumpra o que prometeu em junho e dezembro do ano passado. Sara Freitas, José Rodrigues e Antonino de Ponte estiveram reunidos com Rui Abreu, a quem entregaram uma nova carta para que o Governo Regional a faça chegar ao gabinete do primeiro-ministro António Costa.

Segundo recordou Sara Freitas, em causa estão 180 milhões de euros “extorquidos” de 400 contas de emigrantes do BES na Venezuela e na África do Sul. “São poupanças de uma vida inteira, ao longo de 50 anos”, enquadra a representante dos Lesados.

Na missiva, os Lesados BES pedem “tratamento igualitário e equitativo” ao que foi obtido para os detentores de papel comercial BES. “A maioria dos Lesados são emigrantes portugueses que residem e trabalham em países como Venezuela e África do Sul, vivem situações dramáticas, devido às graves crises económicas e sociais que assolam esses mesmos países”, refere a carta.

Rui Abreu conhece bem o dossier ‘Lesados do BES’. “É inadmissível que sete anos depois este problema continue sem solução, mesmo depois dos tribunais terem reconhecido o estatuto de vítimas aos Lesados”, declarou. “Os portugueses da Venezuela e da África do Sul merecem um maior respeito por parte do Governo português”, atira o diretor regional das Comunidades, que será o portador da última carta dos Lesados BES dirigida a António Costa.

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