Santos Silva destaca migrantes e Portugal como «fazedor de pontes»

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Augusto Santos Silva lembrou o «contexto dramático» da guerra da Ucrânia e os portugueses que vivem fora de Portugal, no primeiro discurso de celebração do 25 de Abril nas funções de presidente da Assembleia da República.

«A celebração do 48.º aniversário do 25 de Abril ocorre num contexto europeu e internacional particularmente dramático» com a guerra na Ucrânia, começou por dizer Augusto Santos Silva, desejando «sucesso» a António Guterres, que esta semana se desloca a Moscovo e Kiev.

O presidente da Assembleia da República destacou Portugal como «fazedor e atravessador de pontes», fazendo referência às comunidades portuguesas no mundo, aos retornados após a descolonização e aos imigrantes. «Abre Portugal ao Mundo», defendeu.

«Em tempos tão difíceis, as características essenciais da nossa pátria, como uma democracia madura, um país seguro e pacífico e uma sociedade coesa e aberta ao outro, emergem como um valioso património e um exemplo internacional. Graças à revolução libertadora do 25 de Abril e ao modo como fomos desde então construindo uma democracia pluralista que a todos procura integrar, sem admitir fraturas de base religiosa, territorial ou identitária, não tem cessado de crescer o reconhecimento internacional da capacidade portuguesa de comunicar com todos, de fazer pontes entre realidades distintas e de ser uma nação europeia aberta ao mundo», afirmou.

Prosseguiu o discurso com o elogio às comunidades portuguesas no estrangeiro, salientando que o presidente da Assembleia da República é pela primeira vez um deputado eleito pelo círculo fora da Europa.

Num discurso que foi por alguns minutos interrompido pela indisposição de um funcionário no plenário, Santos Silva defendeu ainda que se deve às comunidades emigrantes o reconhecimento internacional de Portugal «como país pacífico, seguro, humanista e cosmopolita». E acrescentou: «Sendo mais de cinco milhões e residindo em mais de 180 países, a influência que assim projetam os portugueses e lusodescendentes é verdadeiramente global».

Em defesa da sua tese, Augusto Santos Silva foi ainda mais longe, e advogou que «várias das portas que o 25 de Abril abriu foram abertas pelos migrantes».

«Basta atentar na forma como, entre 1974 e 1976, um milhão de portugueses retornados de África (em condições tão difíceis e traumáticas) e da Europa se integrou plenamente na sociedade portuguesa e aí recuperou a economia local, sem nenhuma fratura. Esses emigrantes retornados são um dos alicerces do regime saído do 25 de Abril; e afirmemo-lo, alto e bom som, no dia de celebração», acrescentou, num discurso aplaudido por deputados de várias bancadas.

Concluiu depois com um agradecimento sentido aos fazedores da Revolução em 1974. «Capitães de Abril, do fundo do coração, muito, muito obrigado», declarou, tendo sido também muito aplaudido.

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