“Se os jovens não participam não há maneira de preservar o que temos”

Daniel Pita apela, a partir de Maracay, às novas gerações de portugueses e luso-descendentes para que se envolvam nas actividades da, e pela comunidade

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Andrea Guilarte Rincón

aguilarte@correiodevenezuela.com

O pai, António Pita, chegou à Venezuela vindo de Portugal quando tinha apenas 8 anos. Hoje, Daniel Pita preserva os costumes e as recordações que o seu progenitor partilhou com ele desde que decidiu semear a sua esperança e luta em terras crioulas.

Daniel não nasceu em Portugal, mas desde muito jovem que sentiu germinar a semente da tradição lusa a partir de Maracay, a cidade que acolheu o pai. Destaca que a mãe, Maria Gonçalves, filha de portugueses e nascida na Venezuela, também se encarregou de alimentar o seu amor pelo folclore e pela cultura lusitana.

Na sua memória guarda as paisagens de Fátima, Lisboa e Madeira e reconhece que a receptividade das gentes é um aspecto que distingue venezuelanos e portugueses. “ Lá há a cultura do turismo, as pessoas recebem de maneira diferente quando sabem que vens da Venezuela, um país que abriu as portas à comunidade”, comenta.

Recorda ainda que nos passeios por Portugal, o pai partilhava algumas experiências que ainda guarda em terras lusas. “Quando temos oportunidade de ir, leva-me a ver os campos de uvas, esse trabalho da terra que não recorda com nostalgia mas sim com alegria”, diz.

Pela cultura portuguesa na Venezuela

Com 23 anos, já é reconhecido por ser um dos jovens mais activos na comunidade portuguesa e luso-descendente da Casa Portuguesa de Maracay, no estado Aragua, centro social que define como “um cantinho de Portugal na Venezuela”. Pertenceu ao Comité de Natação, criou o Comité de Ténis e participou no Comité Juvenil do clube. Ainda que já não tão activamente, esteve ligado às actividades da Associação de Luso-Descendentes da Venezuela (ASOLUDEN), organização com a qual continuará a colaborar.

“Se os jovens não participam, não há maneira de preservar o que temos, é importante que os jovens façam eco das tradições”, convida.

Confessa-se amante da cultura lusitana, desde muito pequeno que começou a tocar acordeão, depois entrou no grupo folclórico da Casa Portuguesa, no qual actualmente exerce as funções de tesoureiro.

Em Maio de 2007, participou no VI Encontro de Gerações ‘Venezuela e Portugal – uma só paixão’, no qual partilhou o palco com importantes figuras da cena política de ambos os países, Dina Tovar, docente de Português, o modelo e actor Deive Garcês, o presidente da Associação de Médicos Luso-Venezuelanos, João Marques, entre outras personalidades. Naquela altura, então com 19 anos, já se sabia do seu amor por Portugal e das importantes aproximações entre as autoridades e a comunidade lusa na Venezuela. “Felizmente posso constatar que tem havido uma maior aproximação por parte das actuais autoridades portuguesas. Os meus familiares mais velhos vêem com grande alegria esta situação porque em tempos passados, até parecia que eles não existiam para Portugal».

Estuda Contabilidade e é empresário, e conseguiu assumir e dividir o tempo com a liderança em diversas actividades da comunidade. “Com o grupo La Barraca, organizámos uma viagem a Fátima, e em breve chegaremos ao terceiro ano da organização das festas da santa padroeira, porque essas tradições têm de ser seguidas”, defende.

Daniel recorda ainda que a comunidade luso-descendente é grande, pelo que “devemos aproveitar esta oportunidade para nos unirmos. A Venezuela deu-nos as boas-vindas e devemos dar-lhe ainda mais, por isso apostemos na cultura, no folclore, na língua Portuguesa, vamos mais além.”

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