Sete em cada dez alunos de Coimbra já pensaram em abandonar o ensino superior

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Sete em cada dez estudantes da Universidade de Coimbra já pensaram em abandonar o ensino superior durante o confinamento e 20% revela ter tido pelo menos um pensamento suicida, concluiu um estudo da Associação Académica de Coimbra (AAC).

«Sete em cada dez estudantes, durante os períodos de confinamento, consideraram pelo menos por uma vez abandonar o ensino superior», disse à agência Lusa o presidente da AAC, João Assunção, salientando que este resultado deve «preocupar» as instituições e o Governo face a uma «tendência crescente de pensamento de abandono escolar».

O estudo realizado pela AAC contou com a resposta de 1.484 estudantes da Universidade de Coimbra, com dados recolhidos entre 17 e 31 de janeiro, tendo procurado analisar os efeitos da pandemia na saúde mental dos estudantes, no seu desempenho académico e na capacidade financeira do agregado familiar dos alunos.

Outra conclusão que João Assunção destaca prende-se com a saúde mental, nomeadamente o facto de cerca de 20% dos inquiridos ter referido que tiveram pelo menos uma vez pensamentos suicidas, durante o confinamento.

«As causas são muito plurais: a incapacidade que o confinamento traz de manter as relações interpessoais tal como estavam habituados, a situação económica e financeira e a expectativa do desempenho académico que cada estudante tinha e que pode ser gorada», explicou o dirigente estudantil.

Segundo o estudo a que a agência Lusa teve acesso, os estudantes sentiram-se, na sua maioria, emocionalmente fragilizados, tiveram dificuldade em terem sentimentos positivos e admitiram mais distúrbios na qualidade do sono.

Apesar disso, apenas 18% procuraram ajuda profissional na área da saúde mental, sendo os principais motivos para não recorrerem a ajuda as dificuldades económicas, a vergonha e a dificuldade em encontrar esse apoio.

Já no que toca ao desempenho escolar, a maioria (92%) sentiu-se mais desconcentrada e menos produtiva e oito em cada dez alunos afirmaram que tiveram resultados abaixo do que esperavam em grande parte das provas que realizaram já durante o período de confinamento.

De acordo com o estudo da AAC, um terço dos inquiridos disseram que a pandemia teve repercussões negativas no rendimento do agregado familiar, tendo 10% referido que pelo menos um dos elementos do agregado ficou desempregado.

Cerca de 30% assumiram dificuldades em suportar as despesas com a habitação e um em cada dez em suportar pagamentos relacionados com a propina.

O estudo nota ainda que dos 20% que sentiram dificuldades com a propina, 65% são estudantes internacionais.

«Uma das comunidades mais afetadas nesta crise é a comunidade internacional. Os estudantes internacionais, por estarem distantes da sua origem, do seu núcleo familiar, são os mais prejudicados e os que estão mais fragilizados», alertou João Assunção.

O presidente da AAC salientou que a crise económica associada à pandemia poderá afetar em grande medida a permanência de muitos estudantes no ensino superior.

Nesse sentido, defendeu que o aumento e alargamento das bolsas de estudo e a sua atribuição célere, e um aumento da oferta de residências universitárias já para o próximo ano letivo, são medidas essenciais de forma a estancar o abandono escolar que se perspetiva.

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