Situação na Venezuela pode levar Santos Silva ao parlamento

Ministro dos Negócios Estrangeiros diz-se disponível para ser ouvido “já” na Assembleia da República

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AGÊNCIA LUSA

O ministro dos Negócios Estrangeiros disse estar disponível para ser ouvido “já” no parlamento sobre a crise na Venezuela, como o CDS-PP pediu, referindo que propôs a audição ainda em abril ou maio, mas houve “indisponibilidade da comissão”.

O CDS-PP pediu em 05 de abril a audição, à porta fechada, pela comissão parlamentar dos Negócios Estrangeiros e Comunidades Portuguesas dos embaixadores venezuelano em Lisboa e português em Caracas, a que se seguiria a deslocação do chefe da diplomacia, Augusto Santos Silva.

Esta sexta-feira, o deputado do CDS Filipe Lobo d’Ávila pediu na comissão parlamentar que, “dada a urgência” da situação na Venezuela, onde vive uma grande comunidade portuguesa, a audição do governante seja antecipada, ficando para depois as reuniões com os dois diplomatas.

“Vou já” à comissão, disse hoje à Lusa, por telefone, Augusto Santos Silva, que se encontra em visita oficial ao estrangeiro.

20 de junho é a data inicialmente agendada pela comissão parlamentar para a audição, mas Santos Silva recordou que apresentou outras datas mais próximas, mas a reunião não se realizou antes por “indisponibilidade da comissão”.

 “Logo que a comissão parlamentar aprovou o requerimento do CDS para eu ser ouvido em audição à porta fechada, o meu gabinete manifestou imediata disponibilidade para eu ir”, referiu.

Segundo informação prestada à agência Lusa pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE), o Palácio das Necessidades começou por propor os dias 18 de abril ou 16 de maio para a realização da reunião, mas as datas “foram recusadas pela comissão”.

A comissão parlamentar, presidida pelo socialista Sérgio Sousa Pinto, sugeriu então 30 de maio ou 06 de junho, mas “ambas as datas foram recusadas pelo MNE, porque no dia 30 acontece a Cimeira Luso-Espanhola e no dia 06 o ministro estará em Madrid”.

Santos Silva propôs então 23 de maio e 20 de junho, mas no próximo dia 23 há plenário na Assembleia da República – o que impede os deputados de participarem numa reunião da comissão parlamentar -, “pelo que apenas sobrou como data proposta 20 de junho”.

 “É de todo o meu interesse prestar todos os esclarecimentos e partilhar toda a informação, bem como ouvir todos os senhores deputados”, referiu à Lusa o governante.

O chefe da diplomacia portuguesa salientou a importância de o parlamento estar “bem consciente da situação que se vive e do que se está a fazer”.

O CDS quer conhecer o plano de contingência do Governo para a comunidade portuguesa naquele país, bem como sobre a alegada existência de presos políticos portugueses ou lusodescendentes.

Pelo menos 35 pessoas morreram e 717 ficaram feridas nos protestos que estão a decorrer, desde abril, na Venezuela, informou o Ministério Público venezuelano, que referiu ainda a detenção de mais de 150 pessoas.

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