Tragédia em Portugal: Número de mortos aumenta para 36

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AGÊNCIA LUSA

As centenas de incêndios que deflagraram no domingo, o pior dia de fogos do ano segundo as autoridades, provocaram pelo menos 36 mortos, sete desaparecidos e dezenas de feridos, além de terem obrigado a evacuar localidades, a realojar as populações e a cortar o trânsito em dezenas de estradas.

A Proteção Civil indicou que há 63 feridos, dos quais 16 graves. Um destes feridos graves é bombeiro e há ainda outros 19 bombeiros com ferimentos ligeiros. Foram ainda assistidas nos locais junto dos incêndios 40 pessoas.

O primeiro-ministro, António Costa, anunciou que o Governo assinou um despacho de calamidade pública, abrangendo todos os distritos a norte do Tejo, para assegurar a mobilização de mais meios, principalmente a disponibilidade dos bombeiros no combate aos incêndios.

Portugal acionou o Mecanismo Europeu de Proteção Civil e o protocolo com Marrocos, relativos à utilização de meios aéreos. O comissário europeu para a Ajuda Humanitária, Christos Stylianides, anunciou que já estão a caminho de Portugal as aeronaves de combate a incêndios disponibilizadas pela Itália, numa resposta ao pedido de ajuda das autoridades portuguesas.

Esta é a segunda situação mais grave de incêndios com mortos este ano, depois de Pedrógão Grande, no verão, um fogo que alastrou a outros municípios e que provocou 64 mortos e mais de 250 feridos.

O Governo aprovou por via electrónica, em Conselho de Ministros extraordinário, o decreto que declara luto nacional nos dias de terça-feira, quarta-feira e quinta-feira como forma de pesar e solidariedade pelas vítimas dos incêndios.

 “O Conselho de Ministros aprovou hoje, por via eletrónica, o decreto que declara luto nacional nos dias 17,18 e 19 de outubro como forma de pesar e solidariedade com toda a população nacional na sequência dos fogos florestais que atingiram vários pontos do país, provocando perda irreparável de vidas humanas”, lê-se no diploma ao qual a agência Lusa teve acesso.

Mais de 5 mil bombeiros e três meios aéreos no combate às chamas

Mais de cinco mil operacionais combatiram 141 incêndios no norte e centro do país, apoiados por 1.600 meios terrestres e três meios aéreos, segundo a página da internet da Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC).

Coimbra foi o distrito do país que reunia mais meios pelas, para combater 13 ocorrências. Aquele distrito registava 1.246 operacionais, apoiados 376 veículos e um meio aéreo.

Os distritos que registam mais incêndios são o Porto e Viseu. As chamas nestes dois distritos estavam a ser combatidas ao início da tarde por 968 homens e mulheres, apoiados por 291 veículos.

Já no distrito da Guarda, o incêndio que mobilizava mais meios afetava o concelho de Seia, freguesia do Sabugueiro, e estava a ser combatido por 294 operacionais e 91 meios terrestres.

 Costa aponta reforma de fundo no modelo de Protecção Civil

O primeiro-ministro afirmou saber que o país exige resultados em “contrarrelógio”, prometendo que, depois deste ano, “nada ficará como antes” com reformas no modelo da Proteção Civil, abrangendo prevenção, combate, gestão de meios aéreos e comunicações.

“Temos consciência que o país nos exige resultados em contrarrelógio após décadas de desordenamento florestal. Não podemos iludir os portugueses sobre a imediata produção de resultados, mas não receamos o desafio. Pelo contrário, encontramos nesta exigência nacional a motivação para vencer coletivamente a batalha”, disse, em resposta aos jornalistas, no final de uma declaração ao país, na sequência dos incêndios que deflagraram este domingo.

Em declarações prestadas aos jornalistas no Comando Operacional da Autoridade Nacional de Proteção Civil, em Carnaxide, Oeiras, António Costa tinha advertido que novos incêndios graves podem repetir-se e que o Governo não tem uma “varinha mágica” para resolver problemas de décadas na estrutura da floresta portuguesa.

O primeiro-ministro estendeu o âmbito da reforma que deverá ser desencadeada pelo Governo, não só ao nível da estrutura da floresta, mas, também, abrangendo todo o modelo da Proteção Civil, a gestão de meios aéreos e as comunicações.

“Juntando à reforma da floresta, iremos fazer a reforma do sistema de prevenção e combate aos incêndios. Vamos reformar o modelo de gestão dos meios aéreos, dos meios de comunicação e dar as respostas de que o país necessita para que nada fique como antes”, declarou, numa alusão às áreas que poderão ser alvo de medidas por parte do seu executivo no Conselho de Ministros extraordinário que se irá realizar no sábado.

O líder do executivo sublinhou que o Governo “não quer manter o atual modelo de Proteção Civil”. “Está na altura de reformular o nosso modelo. Digo isto com particular à vontade, porque há cerca de dez anos conduzi uma reforma da Proteção Civil que permitiu ao país, durante dez anos, diminuir significativamente a área ardida”, disse, referindo-se ao período em que desempenhou as funções de ministro da Administração Interna (2005/2007).

“Por isso, precisamos de um sistema de prevenção melhor e de um melhor sistema de combate aos incêndios. Isso é o que está identificado no relatório da Comissão Técnica Independente [aos incêndios de junho na região centro]. E a responsabilidade que agora todos temos é de concretizar esse modelo que agora nos é proposto”, acrescentou.

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