VALÉRIA COSTA
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Desde jovem que o construtor Francisco José Matos dos Santos sonhava com as paisagens da Venezuela. Tudo graças às propagandas que via nas agências de viagens em Aveiro, Portugal continental, onde nasceu. E foi graças a esse desejo que resolveu, por iniciativa própria, desbravar as terras bolivarianas há 33 anos, quando tinha apenas 20 anos de idade.

Mas, a primeira impressão quando desembarcou no aeroporto de Maiquetía não foi nada boa. “Fiquei desiludido com a paisagem que vi. No entanto, a cidade de Caracas é muito bonita e comecei a gostar da forma de ser do venezuelano”, relembra.

O senhor Francisco, um cidadão português bastante conhecido e respeitado na comunidade lusitana da ilha de Margarita, conta que sua vinda à Venezuela se deu em um momento de crise político-institucional que Portugal vivia naquele momento, na década de 1970.

Mesmo com o panorama desfavorável e uma incerteza em relação ao futuro, ele nunca se deixou abater e, muito antes de emigrar para terras sul-americanas, Matos deixou um rastro de empreendedor-construtor em seu país. Aos 11 anos de idade e tendo estudado até ao 4º ano primário, começou a trabalhar na construção civil como aprendiz. Aos 15 anos, relata, já era pedreiro e havia aprendido a colocar azulejos e a rebocar paredes.

“Aos 18 anos, comecei a trabalhar por conta própria, pois meu ex¬-patrão emigrou para os Estados Unidos e me repassou seus clientes. Montei, então, uma pequena empresa de construção e, antes de vir à Venezuela, construí e entreguei duas casas”, conta orgulhoso. Com essa idade, Francisco Matos também já estava casado com a senhora Rosa Umbelina, também de Aveiro.

Mudança de vida
A vontade de conhecer a Venezuela e o clima tenso que Portugal vivia então foram factores principais que contribuíram para que Francisco Matos emigrasse para esses lados.

Viajou sozinho para Venezuela e, ao chegar no país, conseguiu trabalho numa obra na região de El Cafetal, em Caracas. Cinco meses depois de desembarcar na capital venezuelana, ele recebeu um convite para trabalhar na ilha de Margarita, na construção de um edifício residencial na urbanização Jorge Coll, área nobre insular, colocando cerâmicas.

Um ano depois, em 1977, Francisco regressou a Portugal para buscar sua mulher e a filha de nove meses, Maria da Glória da Silva Matos, nascida enquanto ele estava na Venezuela. “Quando minha família chegou aqui já havia um apartamento próprio à espera. Graças a Deus, tanto em Portugal quanto aqui nunca me faltou trabalho”, diz.

A prosperidade que o país vivia naquele momento possibilitou a Francisco, com apenas três anos morando na Venezuela, a montar a sua primeira empresa no ramo construtivo e a participar de grandes obras privadas na ilha.

Actualmente, ele dirige duas empresas, uma em sociedade com mais dois construtores e outra, com seu filho, Francisco Matos Filho, 25, (nascido em Margarita) que recentemente se graduou em engenharia civil.

Com uma experiência de mais de 40 anos no sector, seu Francisco possui com conhecimento de causa todo o modus operandi de uma obra, desde a “fazer estrutura de qualquer calibre até a executar obras de qualquer nível”.

Um dos sócios bem activos do Centro luso-venezuelano de Margarita, ele é um dos fundadores e um dos responsáveis pelas obras de expansão do espaço físico do clube, além de exercer a função de tesoureiro da actual junta directiva. Aliado a tudo isso, seu nome é o mais cotado para assumir a presidência do Centro, nas eleições internas previstas para Setembro deste ano.

Todos os anos, afirma, visita a sua terá e, revela que, em algum momento do passado já sentiu a necessidade de regressar em definitivo para lá. Mas, as raízes que fincou em solo venezuelano o impedem de realizar a mudança.

Além de toda uma vida aqui e de um filho margaritenho, Francisco agora conta com duas netas venezuelanas: uma de sete anos e outra de um ano. “Venezuela é toda minha vida. Tudo que tenho consegui aqui.

Ela me deu tudo e eu a ela. Estou muito agradecido e tenho a esperança de que um dia teremos uma Venezuela muito melhor para nossos filhos e netos”, finaliza.

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