Um cidadão do mundo

Depois de trabalhar em vários países da América Latina, o actor luso-descendente nascido na Venezuela regressa para protagonizar filmes de sucesso nas bilheteiras do país

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Alexander da Silva Gomes nasceu em Caracas a 2 de Outubro de 1985. Os pais, João Batista Gomes e Maria Noemi da Silva, são portugueses, oriundos da ilha da Madeira. Entrou na indústria do entretenimento muito cedo, trabalhando em comerciais de televisão, e aos 13 anos integrou oficialmente, no México, o grupo UFF. Actualmente desenvolve a sua carreira profissional como actor de televisão, cinema e teatro.

Simples, cordial e sempre agradecido às pessoas que o ajudaram ao longo da vida, confessa que gostava de trabalhar sob a direcção de Woody Allen, e junto com actores como Ed Harris.

Da sua ascendência portuguesa afirma ter herdado o amor pelas suas raízes e o sentido de identificação com a região, valores que lhe permitiram nunca esquecer a sua origem, pelo que trata de perpetuar as tradições. “Estou orgulhoso de ser filho de portugueses, e de todos os portugueses que estão aqui na Venezuela.”

A sua formação como actor iniciou-se aos 17 anos, quando se mudou para o México. Ali, estudou representação para cinema, na escola El Set; improviso, na Escola de Arte Dramática Casa Azul; e, através de uma bolsa proporcionada pela TV Azteca, finalizou o curso de representação no Centro de Formação de Actores (CEFAC).

Entre os anos 2004 e 2006, debutou como actor nas telenovelas ‘Soñarás’ e ‘Machos’, participando também capítulos de ‘La Vida es Una Canción’ e ‘Lo que Callan las Mujeres’. Emprestou ainda a voz à dobragem do filme de animação ‘En Busca del Diente Mágico’ (2007), e interpretou um dependente de cocaína no conhecido drama policial ‘Alma Legal’ (2008).

Os seus primeiros papéis como protagonista foram assumidos sob a direcção de Gabriel Teles, no filme ‘Buscando la Ola’ (2009), gravado na Costa Rica; e em ‘Trainspotting’, a adaptação para o teatro do filme de Danny Boyle, obra na qual trabalha há três anos.

Um dos trabalhos mais importantes foi, sem dúvida, em ‘Rudo y Cursi’, um filme de Carlos Cuarón, produzido por Guillermo del Toro e Alejandro Gonzáles Irárritu, que actualmente é o segundo mais visto no México. “Aqui tive a oportunidade de conviver com Diego Luna e com Gael García Bernal. Aliás, o meu personagem, La Gringa Roldán, rouba a noiva a Bernal.”

Grande parte da sua vida decorreu no México, no entanto, visitou vários países em compromissos laborais. “É muito difícil gerir tantos compromissos quando estamos em viagem muito tempo. A tecnologia torna mais fácil aproximar-me das pessoas de quem gosto, mas ao mesmo tempo, a distância permite-me desfrutar mais dos momentos em que estou com eles.”

Actualmente, está no nosso país a filmar ‘Azotes de Barrio’, uma produção cinematográfica na qual é protagonista, sob a direcção de Carlos Malavé e Jackson Gutierres. Também se prepara para participar na rodagem da co-produção Espanha/Venezuela ‘Azul Rosa y no tan Rosa’, de Miguel Ferrari, que será enviado em Março para o país ibérico.

‘Azotes de Barrio’ é o ‘remake’ do vídeo amador filmado em 2006 e passado aos vendedores informais, que o venderam como pão quente. Com este filme, esperam um maior alcance, conservando a essência do cinema independente, pois o seu orçamento não excede os 500 mil bolívares.

No que diz respeito ao seu papel, “interpreto o protagonista, um personagem que depois de 14 anos na cadeia, regressa ao bairro para procurar a sua companheira, que já está casada com um dos chefes.”

Hoje em dia vive em Londres, uma experiência que marca a sua vida. “Fui estudar e fazer teatro, sem a companhia de ninguém, e consegui-o, num mundo rodeado de arte, cultura e gente profissional (…). Foi uma experiência que me fez crescer muito e ampliar os meus sentidos.”

Como projectos futuros, espera regressar para participar no Festival de Teatro Latino deste ano e aguarda a estreia do filme ‘Suave Patria’, no México. Na sua agenda aparecem também dois novos projectos de filmes cujas datas de rodagem ainda não foram anunciadas.

“Eu planeio a minha vida a cada três meses (risos). Adoro o cinema latino-americano. Interessa-me fazer cinema venezuelano, argentino e a seguir mexicano. Quero continuar a produzir e a dirigir filmes, coisa que já fiz, e com a minha companhia de teatro (…). Quero também formar uma produtora de cinema para aqueles que estão a começar na indústria.”

De Portugal, recorda as suas inúmeras viagens à Madeira, Lisboa, Algarve e Porto. Sente-se mais português que os seus pais, já que adora a cultura, sobretudo a música, a comida e a familiaridade. Inclusive projecta, para o futuro, ter uma casa na Madeira onde possa descansar, e só sair do país para filmar em qualquer outra parte do mundo.

“No México e noutros países, a comunidade portuguesa é muito pequena. Em 10 anos no México, acho que só conheci uma pessoa de Portugal. Não é como aqui na Venezuela.” Gosta de participar nas festas da comunidade com a sua família e amigos, e trata de fazê-lo o maior número de vezes possível.

À questão sobre a hipótese de fixar residência no país, Alexander responde: “Sim, ficaria na Venezuela. Primeiro pela minha família e amigos, segundo, porque sempre quis fazer cinema venezuelano, e depois de saírem estes dois filmes, espero que apareçam novas propostas (…). Mas por outro lado, não gostaria de perder o espírito viajante que tenho, as oportunidades de trabalhar noutros países e de relacionar-me com pessoas de todo o mundo.”

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