Um doce para cada ocasião

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De norte a sul, Madeira e Açores incluídos, distrito a distrito, as equipas da RTP foram procurar, em 2019, a origem e a história dos doces mais emblemáticos do país, recriações de velhas receitas de outros tempos, trabalhados por mãos sábias ao longo de séculos; novas propostas que juntam a criatividade dos milhares de profissionais de pastelaria à diversidade de produtos endógenos locais, dois fatores que garantem a riqueza e a diversidade da doçaria nacional. A votação para as Sete Maravilhas Doces, teve várias fases e eliminatórias que decorreram entre 2 de julho e 7 de setembro de 2019 e registou mais de 1 milhão de votos.

Amêndoa Coberta de Moncorvo IGP – BRAGANÇA

A “Amêndoa Coberta de Moncorvo” é um produto (artesanal) de confeitaria obtido a partir de amêndoas doces peladas, torradas e cobertas com uma calda de açúcar. Podem ser comercializadas em três versões: brancas ou comuns; morenas ou de chocolate; peladinhas. A versão comum tem uma cor exterior branca e evidencia os característicos «bicos» de açúcar formados no decorrer do período de confeção. A versão morena distingue-se da comum apenas pela utilização da calda de chocolate na fase final da sua confeção, o que lhe confere uma cor exterior acastanhada ou de chocolate. A versão peladinha tem uma cor exterior esbranquiçada, resultante de uma fina cobertura de açúcar que não chega a evidenciar os bicos de açúcar característicos das outras versões.

Bolinhol de Vizela – BRAGA

Há mais de 130 anos que o Bolinhol faz parte do património gastronómico de Vizela, concentrando em si caraterísticas históricas, culturais e económicas relevantes que merecem ser protegidas, preservadas, valorizadas e promovidas. Um doce único que é uma mais-valia gastronómica do Concelho de Vizela. O início da sua confeção remontará ao ano de 1880, sendo que em 1884 este doce esteve já presente na Exposição Industrial Concelhia de Guimarães. A história do Bolinhol e o seu crescente destaque na doçaria vizelense verifica-se a par do desenvolvimento das Termas de Vizela e, por inerência, da própria localidade. Sobretudo a partir do início do século XX com a realização de importantes obras na rede de transportes e comunicações, ingleses ligados ao comércio do Vinho do Porto, assim como turistas oriundos do Norte de Portugal e de Espanha, todos com significativo poder económico, escolhiam Vizela para frequentarem as Termas. O estabelecimento termal contava com condições que granjearam a Vizela o título de “Rainha das Termas de Portugal” e a reputação de ter o melhor complexo termal do país e um dos melhores da Europa. Ao mesmo tempo, procuravam e encontravam a simpatia dos vizelenses, uma cozinha de qualidade e o Bolinhol. Em 1921, acrescentando valor ao produto e reforçando a sua própria identidade, pelo Instituto Nacional de Propriedade Industrial foi deferido o pedido de registo do formato, retangular, do então já afamado pão-de-ló coberto de Vizela.

Charutos dos Arcos – VIANA DO CASTELO

Este doce, de origem conventual, constitui um dos ex-líbris da doçaria arcuense, usado sobretudo na época da Páscoa e Natal. Os charutos são feitos com massa de hóstia, numa máquina antiga manual, que envolve um recheio de gemas de ovo e açúcar, fechados em forma de pequenos cilindros, ligeiramente achatados, semelhante a um charuto com 8 a 10 cm de comprimento e 2 cm de diâmetro, e são cobertos com açúcar branco granulado.

Crista de Galo – VILA REAL

As Cristas de Galo são uma dádiva de um momento feliz onde a perfeição não é conseguida apenas do doce do açúcar, é a simbiose perfeita entre ingredientes tão diferentes quanto o toucinho e o açúcar, entre a massa e o recheio.

Se o recheio, à primeira vista, nos diz que estamos prestes a provar mais uma variante de doces de ovos, qual o nosso espanto quando percebemos a surpreendente junção do açúcar, ovos, maçã, toucinho e amêndoa cortada grosseiramente. É de toucinho o gosto que nos fica no palato, só o percebemos mais tarde de tão perfeita que é a mistura.

Folar de Olhão – FARO

A massa do Folar de Olhão é feita com farinha de trigo, levedura, sumo de limão, água, açúcar amarelo e margarina.

Depois de bem amassada é colocada num recipiente próprio para levedar durante uma a duas horas.

Quando a massa estiver pronta, retiram-se partes da massa, de tamanhos iguais, e fazem-se bolas que são estendidas de modo a ficarem circulares e achatadas, as chamadas folhas. Os folares são feitos dentro de pequenos tachos de alumínio.

Em cada tacho, coloca-se várias camadas de manteiga derretida, açúcar amarelo, canela e a folha (massa).

Este processo repete-se conforme o tamanho desejado para o folar que assim tem um número específico de folhas, à volta de 8 camadas.

Mel Biológico do Parque Natural de Montesinho – BRAGANÇA

O Mel do Parque de Montesinho é um mel de flores silvestres produzido pela espécie de abelha Apis mellifera Iberica. O néctar tem origem na vegetação natural existente no Parque Natural de Montesinho, em que predomina a urze, a castanha e o alecrim. O sabor e o aroma do mel resultam das condições particulares do Parque Natural de Montesinho, onde não é permitida qualquer agricultura que interfira com a flora natural e autóctone.

Roscas de Monção – VIANA DO CASTELO

Não há festa ou romaria que não tenha mesa farta, recheada de deliciosos manjares e sobremesas difíceis de resistir. Muitos destes carregados de tradições e história e sempre acompanhados pelo nosso mui nobre Alvarinho.

As roscas de Monção são o doce que melhor se harmoniza com os aromas do Alvarinho produzido na sub-região de Monção Melgaço, umas das mais antigas sub-regiões vitivinícolas de Portugal.

Feito por poucas doceiras de Monção, não raro é vê-las a venderem esta iguaria nos dias de Feira ou de Festa, requer mestria a juntar a farinha e os ovos com o funcho e mais ainda a colocar o açúcar no ponto para cobrir as argolas, cozidas em forno de lenha, já frias que se unem em grupos de 6.

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