Um pequeno país, com uma gigante diáspora

Se contarmos com os lusodescendentes, a população de origem portuguesa nos países de emigração atinge quase os 6 milhões de pessoas

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Desde 1978 que as comunidades portuguesas são associadas ao Dia de Portugal, reflexo do reconhecimento do seu significado para o país, da valorização da sua ligação ao país de origem e do contributo que podem dar enquanto presença portuguesa no estrangeiro e do papel que desempenham nas relações entre os povos.

As comunidades portuguesas no mundo são um dos mais importantes ativos estratégicos da política externa do Estado português e são a mais forte manifestação do Portugal global. Constituem a porta de entrada de Portugal no mundo globalizado e, simultaneamente, a introdução do mundo nos territórios locais e regionais.

O número de portugueses que residem fora do país é um número expressivo, que resulta de várias vagas migratórias, diferentes entre si no tempo, nas razões que levaram à partida, nas geografias de destino e até no perfil económico, social e das qualificações dos emigrantes. De resto, as vagas mais recentes de emigração portuguesa apresentam um nível de formação mais elevado, em linha com o aumento do nível educacional que se registou em Portugal.

Portugal tem registo consular de portugueses em 178 dos 193 países que fazem parte das Nações Unidas. Entre um quinto e um quarto da população nascida em Portugal reside fora do país: viverão hoje no globo mais de 2,5 milhões de emigrantes portugueses. Se contarmos com os lusodescendentes, a população de origem portuguesa nos países de emigração ultrapassa os 5,7 milhões, cujos principais países de fixação são: Estados Unidos da América, Brasil, França, Canadá, Suíça, Venezuela, Reino Unido, África do Sul, China, Alemanha, Espanha, Luxemburgo, Bélgica e Austrália. É assim um “pequeno país” com uma “gigante diáspora”.

“Isso significa metade da população portuguesa e um terço dos nacionais portugueses ou de pessoas que o podem ser a qualquer momento (…) e dá uma dimensão muito importante às comunidades portuguesas que residem no estrangeiro e faz da relação com essas comunidades um eixo central de qualquer política pública. Somos 15 milhões de portugueses hoje no mundo» assegurou o ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva.

 

Importância das Comunidades Portuguesas

A importância das Comunidades Portuguesas no estrangeiro é visível em todos os domínios: na afirmação da língua portuguesa como língua de comunicação internacional; na sua relevância económica, visível, por exemplo, no facto das remessas de emigrantes representarem 1,7% do Produto Interno Bruto (PIB) português; ou até na afirmação que os nacionais conseguem nos países de acolhimento, como atestam as centenas de portugueses e lusodescendentes eleitos ou nomeados para cargos públicos no estrangeiro em 2019.

O movimento associativo nas comunidades portuguesas no mundo conta com mais de 2.000 associações. Em 2018 foi atribuído um apoio de 305 mil euros a 61 candidaturas, no marco do concurso anual de apoio ao movimento associativo das comunidades portuguesas. Em 2019 foram apoiadas 92 candidaturas com 588 mil euros e, em 2020, 79 candidaturas com 503 mil euros. Segundo dados ainda preliminares, em 2021 mais de 700 mil euros serão distribuídos por 101 candidaturas propostas por 65 associações de 17 países.

Considerando que a língua portuguesa é um elo fundamental de ligação do país às comunidades portuguesas, o Camões – Instituto da Cooperação e da Língua é responsável pela coordenação e articulação da política externa do Governo nas áreas da cooperação internacional e da promoção da língua e cultura portuguesas. Através do instituto, a língua portuguesa é ensinada em 76 países com 320 professores, 170 mil alunos (dos quais 70 mil no pré-escolar, básico e secundário), 84 centros de língua portuguesa, 51 leitores, 57 cátedras e 174 bolsas de estudo.

A rede EPE oficial está presente em 11 países (Alemanha, Bélgica, Espanha, França, Luxemburgo, Países Baixos, Reino Unido, Suíça, África do Sul, Namíbia e Zimbabué). Estende-se ainda à Austrália, Canadá, Estados Unidos e Venezuela (em forma de rede apoiada), onde o ensino é assegurado por docentes locais, com o apoio material e pedagógico das Coordenações de Ensino do Camões, I.P.

Estudo feito entre 1951 e 1965 aponta para 31 milhões

O total de portugueses e luso-descendentes no Mundo, até à terceira geração, poderia vir ser superior a 31 milhões. A conclusão é do estudo ‘Emigração: A diáspora dos portugueses’, realizado pelo empresário Adriano Albino, que fez um levantamento dos portugueses que emigraram entre 1951 e 1965, através de entrevistas e recolha de dados.

O estudo teve em consideração o nome do emigrante, o estado civil, a data de chegada, a cidade de origem, o número de filhos, netos e bisnetos, de cada uma das regiões do Mundo. Partindo dos emigrantes originais registados nas estatísticas oficiais, o autor conseguiu calcular um coeficiente multiplicador dessas famílias que chegaram aos vários pontos do Mundo.

‘Isto é o resultado de muita investigação, de convivência com a comunidade portuguesa. Se não houvesse essa diáspora, Portugal teria mais de 40 milhões de habitantes’, garantiu Albino.

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