Uma nação carregada de curiosidades

0
14

Enquanto umas das nações mais antigas na Europa, Portugal teve a sua génese em 1139. Desde 1297, altura em que os portugueses e os espanhóis assinaram um tratado que cedia o Algarve a Portugal, as suas fronteiras têm permanecido praticamente inalteradas. O primeiro rei, Afonso I Henriques, chegou ao poder em 1143, tendo o país permanecido um reino durante os 800 anos seguintes até 1910, altura em que se tornou uma república.

Em 1494, foi assinado o Tratado de Tordesilhas que, essencialmente, deu a Portugal a metade oriental do “Novo Mundo”, incluindo o Brasil, a África e a Ásia. O Império Português foi o primeiro império global da história, e uma das mais antigas potências coloniais, que durou quase seis séculos desde que Ceuta foi capturada em 1415, até que Macau foi entregue à China em 1999.

Ao dia de hoje, é um país pequeno tanto em tamanho, quanto em população. É possível cruzar Portugal em apenas um dia: são 721 km de estradas de uma ponta a outra. Lisboa é a segunda capital europeia mais antiga depois de Atenas, e quatro séculos mais velha do que Roma. Muitos historiadores acreditam que foi estabelecida pelos fenícios perto de 1200 ac.

Para além destes dados, que são do conhecimento de todos, Portugal é um país repleto de curiosidades que valem sempre a pena conhecer. Aqui estão algumas das mais marcantes.

Lisboa quase foi destruída por um terramoto, seguido de um tsunami 40 minutos depois

A 1 de novembro de 1755, durante a celebração religiosa do Dia de Todos os Santos, às 9:40, Lisboa foi atingida por um terremoto de magnitude 9,0. Os relatórios da época indicam que o terramoto durou entre três e seis minutos e criou fissuras com 5 metros de largura no centro da cidade. Aproximadamente 40 minutos após o terramoto, um tsunami engoliu a zona portuária e a baixa, continuando a subir pelo rio Tejo. Para agravar a situação, as velas que tinham sido acesas por toda a cidade nas casas e nas igrejas para o Dia de Todos os Santos foram derrubadas devido ao terramoto, provocando assim inúmeros incêndios. À medida que o tsunami recuava, a cidade começou a arder violentamente durante horas, asfixiando as pessoas até 30 metros de distância das chamas. Morreram 275.000 pessoas e 85% dos edifícios foram destruídos. Sendo Lisboa a capital de um devoto país católico, com uma longa história de evangelismo nas colônias, esta catástrofe causou muitos obstáculos à Igreja Católica, que não conseguiu explicar esta manifestação da raiva de Deus.

Os primeiros pastéis foram criados no século XIII

Os pastéis de nata são a sobremesa favorita de Portugal e tem sido assim desde o século XIII, pois, segundo consta, foram criados por monges no Mosteiro dos Jerónimos em Lisboa. Aparentemente, os monges tinham-se estabelecido em França quando se inspiraram na deliciosa pastelaria disponível. Precisavam de encontrar uma forma de utilizar as gemas dos ovos que sobravam quando as separavam das claras para obter a goma para a roupa. Após a Revolução Liberal em 1820, o mosteiro estava em risco de encerrar e, como tal, os monges começaram a vender os pastéis de nata a uma refinaria de açúcar nas redondezas. Em 1834, o mosteiro acabou por fechar e a receita foi vendida à referida refinaria de açúcar. Três anos depois, os donos da refinaria abriram a Fábrica de Pastéis de Nata de Belém, que continua a funcionar até hoje e é gerida pelos descendentes dos donos originais.

Lisboa não é a capital oficial de Portugal

Ao longo dos seus 900 anos de histórias, Portugal já teve 5 cidades como capital: Guimarães, Coimbra, Lisboa, Rio de Janeiro e Angra do Heroísmo. Estas 2 últimas cidades foram capitais do país em situações históricas muito complicadas, a primeira durante as invasões francesas e a segunda durante a guerra entre liberais e absolutistas. Em 1255, o Rei D. Afonso III resolveu mudar toda a sua corte da antiga capital, Coimbra, para Lisboa, que, entretanto, se tinha tornado a maior e a mais importante cidade do país. Lisboa ganhou impulso para o seu crescimento sobretudo devido às boas condições do seu estuário para acolher navios de mercadorias, atraindo assim cada vez mais população e ganhando um estatuto e uma importância estratégica superiores a Coimbra. Assim sendo, Lisboa tornou-se apenas Capital de facto pela simples razão de se ter tornado a moradia permanente do Rei. Nunca foi emitido qualquer documento que oficializasse Lisboa como capital do país

A calçada portuguesa foi criada por causa de um rinoceronte

A calçada começou em Portugal de forma diferente da que hoje é, mais desordenada. São as cartas régias de 20 de Agosto de 1498 e de 8 de Maio de 1500, assinadas pelo rei D. Manuel I de Portugal, que marcam o início do calcetamento das ruas de Lisboa, mais notavelmente o da Rua Nova dos Mercadores (antes Rua Nova dos Ferros). O objectivo seria que a Ganga, um rinoceronte branco, ricamente ornamentada, não sujasse de lama com o calcar das suas pesadas patas, o numeroso e longo cortejo, com figurantes aparatosamente engalanados com as novas riquezas e adornos vindas do oriente, que saía à rua em pleno inverno, aquando do seu aniversário a 21 de Janeiro. A comitiva ficava manifestamente suja, daí a decisão de calcetar as ruas do percurso como forma de dar resposta ao problema.

A livraria mais antiga do mundo está em Lisboa

Sendo uma nação de apaixonados por livros, não é de surpreender que a livraria mais antiga do mundo esteja situada em Lisboa. Datada de 1732, a Bertrand Chiado na Rua Garrett é a mais antiga livraria em funcionamento, um recorde oficializado pelo Livro Guinness dos Recordes em 2011. A livraria original foi aberta por Pedro Faure na Rua Direito do Loreto. Este esperava que a sua livraria se tornasse num centro de eventos intelectuais e artísticos. Faure foi bem-sucedido, mas, em 1775, o Grande Terramoto de Lisboa praticamente destruiu a loja. Desanimado, Faure vendeu a livraria aos Irmãos Bertrand, que a transferiram temporariamente, tendo regressado 18 anos depois à zona da Baixa de Lisboa.

O primeiro alfabeto do mundo foi criado em Trás-os-Montes

Os historiadores aceitam o Fenício como o alfabeto mais primitivo e rudimentar que se conhece, com cerca de 5 mil anos de antiguidade. Começam, no entanto, a surgir outras hipóteses, levantadas sobretudo por achados arqueológicos ainda por decifrar, que apontam para um surgimento anterior aos Fenícios e, o Alfabeto do Alvão, com 6 mil anos, é o melhor candidato a ser considerado o Alfabeto mais antigo do mundo. Nos finais do século XIX, no Nordeste de Portugal, nas mágicas terras de Trás-os-Montes, encontraram-se, junto a um dólmen, uma série de pedras esculpidas e gravadas com signos idênticos aos de Glozel.

O português é o idioma oficial de 9 países

Tendo sido anteriormente um império global, não é de surpreender que o português enquanto idioma tenha viajado para lá das costas de Portugal. Na verdade, afirma-se que o português é a quinta língua mais falada do mundo (depois do mandarim, inglês, espanhol e árabe), com cerca de 273 milhões de falantes totais

O português é falado em 5 continentes e é a língua oficial não apenas de Portugal, mas também do Brasil, de Cabo Verde, de Angola, da Guiné-Bissau, de Moçambique, de São Tomé e Príncipe e da Guiné Equatorial. O idioma também é falado em Goa, na Índia, em Macau, na costa sul da China, e em Timor-Leste, no sudeste asiático.

Mais de metade da cortiça do mundo vem de Portugal

O sobreiro é uma das poucas árvores autóctones ainda existentes em Portugal e o país utiliza-o em seu benefício ao produzir 70% das exportações de cortiça do mundo. Os principais importadores de cortiça portuguesa são a Alemanha, o Reino Unido e os EUA. Portugal possui o maior sobreiral do mundo, sendo atualmente ilegal o abate de sobreiros sem autorização do governo. Os sobreiros prosperam em Portugal devido à precipitação equilibrada, aos curtos períodos secos, aos invernos moderados e aos dias de sol que abençoam o país, criando as condições ideais para estas árvores.

A origem da tempura japonesa é atribuída a comerciantes portugueses

A tempura, os pedaços de vegetais e marisco fritos e panados são uma das muitas delícias gastronómicas associadas à cozinha japonesa. Porém, esta foi na verdade trazida por comerciantes e missionários portugueses no século XVI. Conta a lenda que, em 1543, um navio chinês com três marinheiros portugueses a bordo dirigia-se para Macau quando foi desviado da sua rota e acabou por ir parar à ilha japonesa de Tanegashima. António da Mota, Francisco Zeimoto e António Peixoto, os primeiros europeus a pisarem solo japonês, começaram a negociar com os japoneses, tendo começado com armas de fogo e avançado, posteriormente, para outros artigos como sabão, tabaco, lã e receitas, incluindo obviamente a tempura.

Portugal tem o seu próprio género musical

O Fado é um tipo de canto português que remonta à década de 1820 e pode ser apreciado frequentemente em bares, cafés e restaurantes. Normalmente, no fado, o intérprete canta sobre a dura realidade do dia a dia num equilíbrio entre a resignação e a esperança. Este sentimento pode ser descrito através da palavra portuguesa «saudade», que significa «anseio» e representa um misto de perda e melancolia. O fado é acompanhado por guitarras de 12 cordas, guitarras clássicas e, por vezes, uma pequena viola baixo de 8 cordas. Em 2011 o fado foi integrado nas Listas de Património Cultural Imaterial da UNESCO.

Há um gene que só os portugueses possuem

O A26-B38-DR13, é o Gene mais antigo da Humanidade. O A25-BIS_DR2, é único. Só existe nos Lusitanos. Não existe em mais nenhum Povo do Mundo. O nosso código, é diferente dos outros Povos Mediterrânicos, e é único e o mais antigo à face da Terra.

São os Lusos de Camões, que um dia pegaram em Antigos Mapas, cópias de cópias de cópias de fontes já extintas, e atravessaram o Mar-Oceano. São os Lusos, de Dom João II, que abdicaram de títulos de cargos e de bens, para reconstruir a Terra dos antepassados.

Trajes Universitários

Em Portugal é comum encontrar jovens vestidos com capas pretas, bem parecidas com as roupas usadas pelos protagonistas do filme Harry Potter. O traje acadêmico utilizado pelos veteranos da faculdade é usado no dia a dia por alguns alunos, mas é bem característico na semana que acontece a “praxe” (recepção dos calouros). A tradição da vestimenta teve início com os clérigos, primeiros universitários, usavam as capas para identificar as chamadas hierarquias que aconteciam na época.

 

Dejar respuesta

Please enter your comment!
Please enter your name here