Uma nação com 25 Patrimónios Mundiais da UNESCO

Portugal possui 17 bens e 8 patrimónios imateriais. Conhece-os todos?

0
15

Há 46 anos ativou-se a Convenção para a Proteção do Património Mundial Cultural e Natural, com o objetivo proteger o património cultural e natural ao longo dos anos para que a história e cultura nunca se percam. Com esta iniciativa chegou a conhecida “Lista do Património Mundial da Unesco», composta por monumentos e locais de grande riqueza natural e cultural. Mais de 186 países aderiram a esta Convenção, sendo Portugal um desses países.

Em Portugal, a cultura e o património têm caraterísticas únicas que resultam dos acontecimentos históricos e da maneira de ser de um povo que foi aprendendo com o resto do mundo e adaptando essas novidades à sua forma de estar e ao território.

Vamos percebendo em cada lugar quais são esses elementos que fazem parte da personalidade portuguesa. Encontram-se em cidades, monumentos e paisagens que de uma maneira ou de outra contam também uma parte da história do mundo. E foram, por isso, classificados Património da Humanidade.

A UNESCO já efetuou 25 classificações de Património da Humanidade, entre centros históricos, sítios arqueológicos, paisagens culturais, parques naturais e património intangível. Estes contributos portugueses para a história mundial são de visita obrigatória e um bom pretexto para conhecer o país de norte a sul.

Centro Histórico de Angra do Heroísmo (1983)

Escala obrigatória entre a Europa e outros continentes entre os séculos XV e XIX, quando apareceram os barcos a vapor, a maior cidade da ilha Terceira (Açores) possui muitos vestígios desse áureo passado. Foram muitas as influências de gentes e culturas, deixando na cidade um legado artístico inigualável de arquitectura, escultura, talha, porcelana, azulejaria e mobiliário. Embora tenha saído fortemente danificada do terremoto de 1980, a cidade conserva ainda grandes monumentos com mais de 400 anos, como por exemplo as fortalezas de São Sebastião, de São Filipe e de São João Baptista, a Sé Catedral, o Convento de São Gonçalo, a Praça Velha, a Igreja da Misericórdia e o Palácio dos Capitães-Generais. Próximo da sua baía há mais de 80 navios naufragados. Dizem que estas águas escondem tesouros incalculáveis.

Mosteiro dos Jerónimos (1983)

Mosteiro dos Jerónimos é o nome mais usual do chamado Mosteiro de Santa Maria de Belém. Localizado ao pé do Rio Tejo e dos famosos Pastéis de Belém, o local chama a atenção pela magnitude, riqueza de detalhes e beleza única. O Mosteiro, erigido em memória do Infante D. Henrique, conserva ainda hoje grande parte das magníficas dependências conventuais que contribuíram para a sua fama internacional, incluindo o Claustro quinhentista, o antigo Refeitório dos frades e a sala da Livraria.

Torre de Belém (1983)

A Torre de Belém é um dos monumentos que caracteriza a identidade de Lisboa, símbolo da expansão marítima na região. Localizada à margem do Rio Tejo e construída para defesa da cidade, a Torre tornou-se posteriormente o local de onde partiram as naus dos Descobrimentos e retrata a extravagância que se vivia em Portugal na época em que o país era uma grande potência.  Nós, cordas, esferas armilares e cruzes estão presentes na fachada.

Mosteiro da Batalha (1983)

De estilo gótico e manuelino, o Mosteiro de Santa Maria da Vitória, conhecido como Mosteiro da Batalha, é um edifício majestoso construído como agradecimento pelo triunfo contra os espanhóis na Batalha de Aljubarrota, em 1385. Considerado “o” grande monumento do gótico português e um dos mais belos mosteiros da Europa do fim da Idade Média: o seu claustro real é uma obra-prima arquitetónica.

Convento de Cristo (1983)

Este monumento construído no século XII pela Ordem dos Templários, em pleno movimento de Reconquista, reflecte artisticamente a história de Portugal com testemunhos da arte românica, da simbologia templária, dos estilos gótico e manuelino, da arte do renascimento, do maneirismo e por fim, do barroco. De destacar a Charola Tamplária românica da igreja, o claustro de D. João III e a famosa janela manuelina da Sala do Capítulo.

Centro Histórico de Évora (1986)

Évora viveu a sua época dourada no século XV, quando se tornou residência dos reis de Portugal, e em 1556 a instituição da Universidade veio reforçar ainda mais a importância cultural da cidade. Vale a pena visitar o seu centro histórico, com as casas caiadas de branco dos séculos XVI – XVIII, ornamentadas com azulejos e varandas de ferro forjado. Numa visita a Évora, não deixe de visitar a Praça do Giraldo, o Templo romano (um dos mais bem conservados vestígios da presença romana em Portugal), a Sé e a Igreja de São Francisco, onde encontra a arrepiante Capela dos Ossos.

Mosteiro de Alcobaça (1989)

Fundado no século XII, por ordem de D. Afonso Henriques, foi uma das primeiras fundações monásticas cistercienses em território português. Hoje, a Real Abadia de Santa Maria de Alcobaça continua a ser um dos mais bem preservados edifícios dessa ordem religiosa na Europa. O conjunto impressiona pela simplicidade e grandeza: para além dos emocionantes túmulos de D. Pedro e D. Inês, à sua beleza acresce a importância arquitectónica e cultural, sendo exemplo da evolução da arquitectura em Portugal. Aqui encontram-se características da época medieval, combinadas com edificações posteriores, dos séculos XVI a XVIII.

Paisagem Cultural de Sintra (1995)

Uma das paisagens mais misteriosas e românticas de Portugal. Resguardada pela serra que lhe dá nome, Sintra foi um dos primeiros locais na Europa onde se ensaiou a arquitectura romântica, quando no século XIX D. Fernando II transformou as ruínas de um mosteiro em castelo, o actual Palácio da Pena, reunindo de forma genial elementos góticos, egípcios, islâmicos e renascentistas. Desta Paisagem Cultural – a primeira distinguida pela UNESCO no velho continente – fazem ainda parte o Castelo dos Mouros e o Palácio da Vila.

Centro Histórico do Porto (1996)

Uma cidade que cresceu mantendo-se fiel à sua essência e características. O núcleo classificado na lista da UNESCO inclui a parte antiga da cidade invicta: a Sé Catedral com o seu coro românico que transpira ancestralidade; o edifício do Palácio da Bolsa que tem no exotismo e magnificência do Salão Árabe a sua pérola; a igreja de Santa Clara e o encanto que lhe outorgam a sua localização – sob proteção das muralhas Fernandinas (que delimitavam a cidade no século XIV) e com vista privilegiada sobre o Douro; a Igreja da Cedofeita, a Torre dos Clérigos, a Ponte Luiz I e o Mosteiro da Serra do Pilar, já do lado oposto do rio, em Vila Nova de Gaia. Aliás, é preciso atravessar o Douro para melhor apreciar o casario colorido, que contrasta com o céu cinzento no Inverno, e a autenticidade das ruelas que descem até à Foz.

Sítios de Arte Rupestre do Vale do Côa (1998)

No vale do rio Côa existe uma imensa galeria de arte rupestre, que se estende por vários quilómetros. Diz-se que este é o maior conjunto de arte paleolítica ao ar livre da Península Ibérica e um dos maiores do mungo. A maior parte das gravuras datam do Paleolítico Superior, ou seja, têm mais de dez mil anos. São milhares de gravuras e pinturas, registadas no xisto, de animais e figuras humanas, que conduziram à criação do Parque Arqueológico do Vale do Côa e, pouco depois, à classificação como Monumento Nacional em 1997 e Património da Humanidade pela UNESCO em 1998. Uma visita ao moderno Museu do Côa permite compreender melhor este património único.

Floresta Laurissilva da Ilha da Madeira (1999)

A floresta primitiva da Madeira sobreviveu a cinco séculos de humanização, nas encostas viradas a norte, numa superfície que equivale a 20% da ilha: são quase 15.000 hectares de floresta húmida subtropical (90% está coberta pelo ecossistema floresta primário). Deve o seu nome ao tipo de árvores que a compõe, a família das Lauráceas. Quase desaparecida do continente europeu, a Laurissilva mantém ali as suas características subtropicais, representando a mais extensa e bem preservada mancha das ilhas atlânticas.

Centro Histórico de Guimarães (2001)

Não podemos deixar de começar por referir o importante simbolismo que a cidade tem na identidade portuguesa, por ter sido a origem da nação. Dominado por um majestoso castelo, Guimarães tem sabido “envelhecer”. Passou de povoação medieval a cidade moderna sem perder o seu charme e autenticidade, graças à preservação de ruas e edifícios, encontrando-se aqui edifícios que remontam quase à fundação de Portugal. Para além de visitar o Castelo e Paço dos Duques, vale a pena perder-se na atmosfera medieval das praças do centro.

Região Vinhateira do Alto Douro (2001)

A Região Demarcada do Douro, a mais antiga região vitícola regulamentada do mundo (século XVIII), caracteriza-se por uma paisagem única e peculiar. Criada por necessidade do Homem, de adaptar as suas necessidades agrícolas às encostas íngremes e solos acidentados do vale do Douro, é actualmente, uma das regiões de produção agrícola mais importantes do país. O Homem foi abrindo socalcos para plantar as vinhas que emprestam cores diferentes à paisagem, em cada estação do ano. Um esforço que foi moldando o belíssimo cenário em 13 concelhos e mais de 24 mil hectares. Alguns vinhedos continuam a ser explorados por agricultores que ainda respeitam as técnicas de cultivo tradicionais.

Paisagem da Cultura da Vinha da Ilha do Pico (2004)

A ilha do Pico, nos Açores, é um lugar engraçado de origem vulcânica. No seu solo escuro, aparentemente improdutivo, produz-se vinho de grande qualidade: mais um belo exemplo da capacidade de adaptação do Homem. As encostas até ao mar são ocupadas por 987 hectares de vinhas, separadas por muros de pedra negra, testemunho da labuta de gerações de pequenos agricultores que souberam criar algo único, num ambiente hostil. Casas particulares, solares do século XIX, adegas, igrejas e portos de mar tornam-na especial.

Cidade-Quartel Fronteiriça de Elvas e as suas Fortificações (2012)

Perto da fronteira luso-espanhola, encontramos a maior fortificação abaluartada do mundo, com cerca de 10 km de perímetro e datada dos séculos XVII a XIX. Só do céu se percebe o formato de estrela desta construção do reinado de D. Sancho II, fundamental para a defesa da zona raiana.  O sítio classificado pela UNESCO inclui o castelo, dois fortes, três fortins, igrejas, as muralhas, fossos secos e o grandioso aqueduto da Amoreira, com 843 arcos.

Universidade de Coimbra, Alta e Sofia (2013)

Situada no topo da colina que preside a cidade e fundada em 1290, por iniciativa do rei D. Dinis, é uma das universidades mais antigas da Europa e foi, durante muitos séculos, a única universidade portuguesa. O valor patrimonial e cultural e científico é inestimável, não só no contexto nacional. A UNESCO classificou duas áreas: Alta (com a Biblioteca Joanina, o Pátio das Escolas, a Capela de São Miguel e a Torre do Relógio) e Sofia, na baixa de Coimbra, onde funcionaram várias várias escolas do século XVI.

Real Edifício de Mafra – Palácio, Basílica, Convento, Jardim do Cerco e Tapada (2019)

O contínuo fascínio que D. João V sentiu por Roma levou-o a contratar importantes artistas para Mafra, que, assim, se transformou num dos mais relevantes locais do Barroco italiano fora de Itália. O Real Edifício de Mafra, que inclui o Palácio, Basílica, Convento, Jardim do Cerco e Tapada, é uma das obras mais emblemáticas do século XVIII. Vale a pena demorar-se na monumental biblioteca, com um acervo que abrange mais de quatro séculos. Juntamente com o santuário de Bom Jesus, este foi o último lugar acrescentado à lista de Património Mundial da UNESCO em Portugal.

Santuário de Bom Jesus do Monte, em Braga (2019)

Para além de ser um local de fé, o Santuário do Bom Jesus constitui um conjunto arquitectónico e paisagístico formidável, reconstruído e ampliado ao longo de mais de 600 anos, sendo definido por um longo e complexo percurso de vai sacra, que se estende pela encosta do Monte Espinho, conduzindo o peregrino por entre capelas que abrigam conjuntos escultóricos evocativos da paixão de cristo, fontes, estatuária e jardins formais. Vale a pena apreciar os estilos artísticos (barroco, rococó e neoclássico), mas também o simbolismo das imagens da longa escadaria e a engenharia do funicular hidráulico mais antigo do mundo.

Oito Patrimónios imateriais da UNESCO

Para além dos lugares físicos, Portugal viu reconhecido pela UNESCO algum do seu património imaterial. O mais emblemático é o Fado (2011), com origem nos bairros históricos de Lisboa (Mouraria, Alfama, Bairro Alto e Madragoa), símbolo reconhecido de Portugal e uma música do mundo. Cantando o amor, o ciúme e a desgraça, mas também a esperança, o sonho e, porque não, a história de um povo que de há séculos o elegeu como a sua canção mais representativa. O Fado apesar das suas humildes origens nas vielas e nas tascas da velha Lisboa, não tardou a conquistar adeptos entre a burguesia, toureiros e nobres, que o associaram ao casticismo das corridas de touros e lhe deram a senhoria dos palácios.

Na área da música há ainda a destacar o Cante Alentejano (2014), expressão musical única da região do Baixo Alentejo. Faz parte da identidade da região porque é algo único, não só em Portugal como em todo o mundo. Cantado em coro, por grupos de homens e mulheres, sem recurso a instrumentos musicais, é uma das tradições mais genuínas do país.

A Dieta Mediterrânica (2013) faz parte do bilhete de identidade da gastronomia portuguesa. A UNESCO considerou-a um estilo de vida, destacando o convívio, a celebração e a transmissão de saberes à mesa. Pão, azeite, vinho e peixe fazem parte de uma forma de comer que une Portugal a outros povos, o que resultou numa candidatura conjunta de sete países. Leia também: Tavira e a “obscure chamber” (a pequena cidade integrou a candidatura conjunta).

Na área do artesanato tradicional, a UNESCO distinguiu o Fabrico de Chocalhos (2015), arte singular que existe na região do Alentejo há mais de dois mil anos. Este instrumento de percussão tem um som inconfundível e um papel fundamental na paisagem sonora das áreas dos pastores.  Ofício importante na identidade da região, esta arte preserva-se ainda sobretudo nos concelhos de Estremoz, Reguengos de Monsaraz e Viana do Alentejo, tendo sido passada de geração em geração.

Acrescente-se ainda a olaria preta de Bisalhães (Vila Real, 2016), uma louça preta da aldeia de Bisalhães, no concelho de Vila Real, que continua a ser produzida com técnicas ancestrais. Por exemplo, é cozida na soenga, forno escavado no chão, que dá a cor negra ao barro. Depois de estar em brasa, a loiça é abafada com musgo e terra, adquirindo o seu aspecto final. É o homem que trabalha na roda de oleiro. Usa pedras do rio para fazer o polimento das peças, o brunido. É também com pedras que as mulheres voltam a polir e a decorar.

A Produção de Figurado em barro de Estremoz (2017), vulgarmente conhecido como “Bonecos de Estremoz”, é uma arte popular com mais de três séculos. A UNESCO classificou esta arte de produzir figuras em barro cozido e policromadas, feitas à mão segundo uma técnica que remonta ao século XVII. Estão inventariadas mais de cem figuras diferentes e todos os dias se inventam novas temáticas, sempre relacionadas com o quotidiano das gentes alentejanas, na sua vivência rural e urbana.

A lista de património mundial imaterial inclui ainda a arte da Falcoaria Real (Salvaterra de Magos, 2016). A falcoaria é uma modalidade de caça praticada em Portugal desde o século XII e assinalada no território desde a fundação da nacionalidade. Praticada por homens e mulheres um pouco por todo o país, a quem se dá o nome de falcoeiros, a sua prática manteve-se, em grande parte, inalterada ao longo dos séculos.

Mais recentemente, a UNESCO somou o Carnaval de Podence (Macedo de Cavaleiros, 2019), enquanto manifestação ancestral carnavalesca, com os seus tradicionais “caretos”. Na origem, estavam associados à figura do “diabo à solta” e representavam os excessos, a euforia e a alegria permitidos nesta altura do ano, depois dos meses frios de Inverno, celebrando também a fertilidade da Primavera que se aproximava.

Dejar respuesta

Please enter your comment!
Please enter your name here