Unir os jovens para unir as nações

Teodoro de Faria, Bispo Emérito do Funchal

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O saudoso La Pira de Florença, teve um sonho e uma intuição que os cristãos italianos não querem esquecer, salvar as nações que se debruçam sobre o Mare Nostrum dos antigos romanos, ou seja o Mediterrâneo. Os bispos destas regiões que já se reuniram com o mesmo pensamento, querem agora servir-se dos jovens para esta nobre e pacífica missão.

É o início de um caminho sem precedentes, servir-se das novas gerações para construir um Mediterrâneo de paz. São 40 jovens, de 18 países que se unem e preparam para esta missão de tornar o Mediterrâneo não só um cemitério de imigrantes de países pobres, mas também uma fronteira de paz.

Os jovens têm menos preconceitos e a capacidade de sonhar, amam os lugares de encontro, de conhecimento, de elaboração, de rede de relações, é a educação que forma os homens e as mulheres livres, capazes de consciência crítica, com um alto grau de encontrar os outros não como inimigos, mas coatores de um mundo novo.

Os bispos esperam que seja uma experiência de diplomacia que parta de baixo para cima, de jovens “embaixadores de paz” e que terá lugar no próximo mês de setembro, na presença do Papa Francisco, que vai encerrar a iniciativa com os bispos e os jovens. Como diz o Papa, sem a cultura do encontro até as grandes ideias podem não ter pernas para andar.

Os bispos querem criar um espaço humano que se traduza em fatos concretos, e, com os jovens é motivo de esperança.

O Conselho é formado por jovens das igrejas das margens do Mediterrâneo, o que pode salvar o mundo do fanatismo e do extremismo, é o verdadeiro sentimento religioso que deve ser cultivado também pelos jovens que os coloca de fronte ao mistério de Deus e ao encontro com o outro irmão. É por isso que os membros do Conselho são todos crentes, religiosos, indicados pelas suas igrejas. Sem alimentar ilusões, este processo pode contribuir para mudar a história.

Começa pela amizade, porque a inimizade é contrária à paz, uma verdadeira dinâmica de convivência e de acolhimento é uma resposta ao caos, enquanto nalguns países os jovens se preparam, e são mandados, combater ou convidados a odiar, como em alguns países árabes contra os judeus, aqui, estes querem semear um futuro de vida e não de morte. O nome da Paz é Jesus Cristo, foi Ele que abateu o muro da inimizade entre os povos e entre os homens.

O Mediterrâneo foi o berço de civilizações e de religiões, a sua colocação geográfica no mundo é um destino que pertence à história da humanidade. O Mare Nostrum antigo, tem uma vocação, ser um lugar de encontro. Não será que a partir dos jovens a nossa história poderá mudar com eles, com a sua criatividade, amor da liberdade, consciência crítica, empenhamento cívico e fé em Jesus Cristo? Esta novidade para eles é uma oportunidade, coloca-os perante o mistério de Deus que, na história da humanidade serve-se até de crianças, para salvar o mundo, como acontecei tanto em Fátima com três pastorinhos analfabetos, em Lourdes com a pobrezita Bernardete Soubirous, no México com o pequeno Juanito Diego, em la Salette com a Melania e o Massimo.

Na primeira semana de outubro reunir-se-á o Conselho dos Jovens do Mediterrâneo com 35, dos 18 países que estão voltados para o Mare Nostrum, colegando-se entre eles por via web. Em junho os outros 40 que compõem o organismo, 34 dos quais encontraram dificuldades para entrar na Itália. Florença, a cidade de La Pira, o profeta da Paz, o místico da política que passou à história como o “santo” de Florença tinha promovido os Colóquios do Mediterrâneo nesta cidade, que será também o centro dos encontros dos jovens. A Conferência Episcopal Italiana e o Sínodo das Igrejas Orientais, que representam a Europa, Ásia e Europa, estão de acordo com os encontros em Florença, o Papa Francisco também, e os jovens estão entusiasmados e radiantes de luz e paz.

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