Venezuela manifesta “firme apoio” à reivindicação da Argentina sobre as Malvinas

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O Governo da Venezuela manifestou hoje o seu “firme apoio” à reivindicação da Argentina ao Reino Unido pela soberania das ilhas Malvinas, a propósito do 191.º aniversário da ocupação britânica do arquipélago situado no Atlântico Sul.

“A República Bolivariana da Venezuela ratifica o seu firme apoio à reivindicação legítima do povo argentino sobre as Ilhas Malvinas, ocupadas ilegalmente pelo antigo Império Britânico durante 191 anos”, frisou o ministro dos Negócios Estrangeiros venezuelano, Yván Gil, numa mensagem divulgada na rede social X.

Yván Gil acrescentou que “assim como Essequibo é venezuelano, as Malvinas são argentinas”, numa referência à disputa territorial que a Venezuela mantém com a Guiana desde os tempos coloniais, por um território de quase 160 mil quilómetros quadrados, localizado a oeste do rio Essequibo.

“Os direitos sobre os nossos territórios não expiram nem são abandonados. É atualmente crucial respeitar o direito internacional e procurar uma solução pacífica e justa para esta situação”, acrescentou o chefe da diplomacia venezuelana.

Horas antes, o Governo da Argentina tinha reivindicado “legítimos direitos” sobre as ilhas Malvinas e apelou para a construção de “uma relação madura” com o Reino Unido, assente num “clima de confiança” propício à retomada das negociações bilaterais.

Londres, no entanto, sempre deixou claro que não está disposta a renunciar ao controlo do arquipélago situado no Atlântico Sul.

Por ocasião do aniversário da chegada dos britânicos àquelas ilhas remotas, a 03 de janeiro de 1833, o Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) argentino reiterou que o país sul-americano é “o herdeiro” dos territórios coloniais espanhóis e que o Reino Unido cometeu um ato “contrário ao direito internacional e nunca consentido”.

“A Constituição Nacional estipula que a recuperação do exercício efetivo da nossa soberania sobre estes territórios, em conformidade com o direito internacional e respeitando o modo de vida dos seus habitantes, constitui um objetivo permanente e irrenunciável do povo argentino”, lê-se num comunicado do MNE argentino, numa alusão que se estende também às Ilhas Geórgia do Sul e Sandwich do Sul e às zonas marítimas circundantes.

Buenos Aires invocou as posições da Assembleia-Geral da ONU para sublinhar que esta “disputa de soberania” deve ser solucionada pelas partes através de negociações bilaterais, para as quais as autoridades argentinas mostraram “uma vez mais” a sua disponibilidade.

A Argentina, acrescentou o MNE, está “convencida de que a única via possível para a recuperação do exercício dos seus direitos é a via diplomática”, pelo que espera que “o mais brevemente possível” possa haver uma “solução pacífica”.

O novo Presidente argentino, Javier Milei, elogiou a capacidade de liderança da primeira-ministra britânica Margaret Thatcher (1979-1990), sob cujo comando decorreu, em 1982, o último conflito armado pelo controlo das Malvinas (que os britânicos designam como Falkland), mas declarou que não alterará a posição do Estado sobre aquelas ilhas e continuará a reivindicar a soberania do país sobre o respetivo território.

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