Venezuela, terra única no mundo

Um tepui ou a possível cura para o ébola são apenas exemplos do que esconde um país cheio de riquezas que o tornam inigualável.

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A natureza do ser humano tende a levar-nos ao pessimismo, ainda mais quando os tempos são difíceis como os que estamos a viver na Venezuela nesta altura. Mas o certo é que, longe de tudo o que o venezuelano possa sentir em relação à situação do país, esta terra que recebeu de braços abertos milhares de famílias durante décadas continua a ter atractivos que a tornam única e insubstituível.

E se não acredita, basta fazer uma lista com todas as coisas que fazem da Venezuela um país incrível. Se bem que dizem que um país é feito das suas gente, este é um daqueles territórios em que se poderia omitir essa premissa, e entender-se como um país em si mesmo, se tivesse que prescindir dos seus habitantes, porque nele convivem as maravilhas da natureza, que praticamente se regem sob as suas próprias leis.

Mas o que torna a Venezuela um país único o mundo? Estes são pequenos exemplos.

Terra dos tepuis
A Venezuela é um dos poucos países do mundo que conta com uma formação de tepuis, especificamente 65 por cento dos que existem em todo o mundo.

O tepui é um tipo de meseta abrupta, com paredes verticais e topos muito planos, sendo o exemplo mais claro o maciço do escudo guayanês, situado na Gran Sabana.

Estas formações são compostas por cuarcitas e areniscas, com alguns leitos delgados de lousa. Os mais conhecidos são o Monte Roraima, o mais alto e fácil de escalar de todo o parque, e o Auyantepui, o mais visitado, porque é ali que se encontram as cataratas mais altas do mundo.

Também se destaca o Cerro Autana, a árvore da vida, onde se diz que nasceu o Mundo. É um tepui de 1.240 metros situado no Amazonas, a este do rio Orinoco e entre os rios Cuao e Autana, e contém grutas e outras formações pouco frequentes. Na parte superior desta rocha há uma gruta única no mundo, formada inteiramente por cuarcitas, de uns 400 metros de comprimento, alcançando uma altura de 40 metros.

Muitos destes tepuis encontram-se no Parque Nacional Canaima, no Estado de Bolívar, parque que é Património da Humanidade da Unesco desde 1994 e que, pelo seu tamanho, é o sexto parque nacional maior do mundo. Nele encontramos a maioria dos tepuis, já que 65 por cento do parque é ocupado por mesetas deste tipo.

Relâmpago do Catatumbo
É um evento único no mundo: As tempestades eléctricas do Relâmpago de Catatumbo, no Estado de Zulia, que geram uma elevada quantidade de ozono, sendo este, especificamente, o maior registo de densidade de descargas eléctricas em todo o mundo, com 181 descargas/km²/ano.

Ainda que alguns cientistas assegurem que é pouco provável que este ozono chegue à estratosfera e regenere a camada de ozono, quem estuda o fenómeno não perde a esperança e continua em busca de novas explicações para saber porquê que isto acontece nesta região específica da Venezuela.

Foi declarado Património Natural do Zulia em 2005, e em 2008 entrou para o Livro dos Recordes do Guinness, mas desde há alguns anos que se procura catalogar o Relâmpago do Catatumbo como Património da Humanidade sob a protecção da Unesco, e no caso de esse objectivo ser conseguido, será o primeiro fenómeno meteorológico com esta catalogação.

Runs venezuelanos
Os conhecedores internacionais da matéria asseguram que os runs venezuelanos cumprem, com larga vantagem, os padrões de qualidade internacionais devido ao facto de que o melaço usado é dos melhores do mundo. Para além disso, na Venezuela existe uma legislação restrita que gere o seu controlo, já que para obter a Denominação de Origem Controlada de Rum da Venezuela é preciso cumprir dois anos em barrica, o que não acontece em nenhum outro país do mundo.

Por isso não importa a marca ou tempo em barrica: Os runs venezuelanos, sejam da marca que forem, destacam-se nos certames internacionais , com uma ajuda do preço, pois são dos mais económicos do mercado, com a agravante de que competem com outros de menor qualidade.

Vale a pena destacar que recentemente, no início deste ano, o Rum Hacienda Santa Teresa recebeu uma nova certificação por parte do Congresso Internacional do Rum de Madrid, o que lhe acrescenta uma garantia extra tanto de qualidade dos processos de produção como de cada produto do seu portefólio.


Venezuela un pais unico1Gastronomia fresca

A arepa não só foi premiada como ‘Melhor pequeno-almoço do mundo’ durante os últimos dois anos como também é um dos alimentos mais nutritivos e completos das dietas. Não é em vão que é a comida típica por excelência, e como bem dizem por aí, “uma arepa nunca te deixa mal parado”. Mas se juntarmos a isso o facto de a Venezuela contar com a maior produção de queijos do mundo, então temos uma das melhores combinações possível.

No que toca a queijos, temos pelo menos 33 tipos de queijos frescos registados, como o Telita, Trenza, Guayanés, Santa Barbara, Palmizulia, Palmito, ‘queijo de mão’, entre outros.

E se falarmos de sobremesas, há que ir para além do bolo três leites ou do ‘quesillo’, que se foram internacionalizando. Todos os venezuelanos sentem a falta, de vez em quando, de um bom chocolate com leite Savoy, um Ovomaltine, os Pirulines, o Toddy, a Samba de morango, o Cocosete, as Susy, e até dos doces de goiaba com plátano, polpa e doce de leite.

Invenções que mudaram a história
E se é dos que pensa que a Venezuela não deu contributos à Medicina, não se engane: O doutor Jacinto Convit, que dedicou toda a sua vida à medicina venezuelana, inoculou o bacilo da lepra em tatus da família Dasypodidae e obteve o Mycobacterium leprae, que, misturado com a  vacina da tuberculose, levou à imunização contra a lepra, o que fez com que ganhasse o Prémio Príncipe das Astúrias de Investigação Científica e Técnica, em 1987, para além de uma nomeação, em 1988, ao Prémio Nobel de Medicina.

Para além disso, Roney Martínez, um venezuelano de pura cepa, foi o inventor do Gerdex, um esterilizador químico líquido que nasceu para a esterilização de áreas de cirurgia e equipamentos médicos, e à medida que o produto ia avançando, foi usado para outros fins, inclusive numa nova técnica para manter cadáveres, desenvolvida na Universidade Central de Venezuela, substituindo definitivamente o formol, que se utilizava desde 1868 como único produto de combate às bactérias, fungos e vírus.

Desde 1990 que começou, na Venezuela, a comercialização para o público em geral do Gerdex, que para além de ter evitado a proliferação de doenças e epidemias, é um dos produtos que as autoridades estão a pedir que se use exclusivamente na luta contra o ébola em África, já que um investigador norte-americano descobriu que o produto era capaz de matar o vírus devido ao seu poder anti-bacteriano.

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