Vice-Presidente envia carta ao Tesouro dos EUA

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O vice-Presidente da Venezuela, Tarek El Aissami, enviou uma longa carta ao Departamento do Tesouro dos EUA, respondendo as sanções económicas que lhe foram impostas recentemente por suspeita de favorecimento do tráfico de droga.

Na carta, divulgada em Caracas, Tarek El Aissami atribui as sanções a um “falso positivo” e a “um engano” de “setores políticos, lobistas, cujo interesse fundamental é evitar que os EUA e a Venezuela reconstruam as suas relações políticas e diplomáticas com base num reconhecimento e respeito mútuo”.

A 13 de fevereiro passado, os Estados Unidos impuseram sanções financeiras contra o número dois do regime, o vice-Presidente Tarek El Aissami, que acusam de ter “facilitado a entrega de drogas” em troca de pagamentos.

As sanções são o “culminar de vários anos de investigação aos principais traficantes de drogas para os Estados Unidos e demonstram que a influência e o poder não protegem aqueles que se envolvem em atividades ilegais”, refere, em comunicado, o Departamento do Tesouro norte-americano.

Na carta enviada, o vice-Presidente venezuelano afirma que “estes grupos de interesse não só carecem de provas para validar as gravíssimas acusações”, mas que, “pelo contrário, construíram um caso de falso positivo para criminalizar”, através da sua pessoa, “o Governo da Venezuela, nação que trava uma luta frontal e transparente contra o negócio transnacional do narcotráfico”.

“Quando dirigi os serviços de segurança cidadã (Ministério do Interior e Justiça), entre 2008 e 2012, obtivemos os maiores avanços da nossa história e do continente em matéria de luta contra os cartéis da droga, o negócio transnacional do tráfico ilícito de estupefacientes e as suas estruturas logísticas”, explica, precisando que foram presos e deportados para os EUA 21 ‘capos’ (cabecilhas) e outros 36 para a Colômbia.

Também que entre 2005 e 2013 a Venezuela confiscou em média 56,61 toneladas de estupefacientes, mais do que a média de 34,94 registada nos seis anos anteriores, quando a DEA operava em Caracas.

“A Venezuela tem sido sempre reconhecida pelas Nações Unidas como território livre de plantações de drogas (…) e trava uma luta aberta e quartel contra o narcotráfico, porque se trata de um delito que lesa a humanidade, transfronteiriço e porque combatê-lo é uma responsabilidade que partilhamos como membros da comunidade internacional”, sublinha.

No documento, Tarel El Aissami, insta “a investigar antes de dar o aval a uma acusação falsa e temerária, elaborada por burocratas e grupos de interesses anti-venezuelanos, que marca um perigoso precedente na relação entre nações soberanas”.

“Mas, à margem de considerações políticas e geopolíticas, a decisão constitui uma grave violação dos meus direitos humanos e lesiona gravemente a minha dignidade e a minha honra (…) não possuo bens nem contas nos EUA e resulta tão absurdo como patético que um organismo administrativo norte-americano, sem apresentar provas, dite uma medida de congelamento de bens e ativos que não possuo”, explica.

Tarek El Aissami, 42 anos, um dos líderes mais influentes do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), no poder desde 1999, foi nomeado para a vice-Presidência do país em janeiro passado.

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