Vítimas de pilhagens no Estado de Carabobo começam a recuperar os seus negócios

Entre as medidas, o governo venezuelano disponibilizou uma linha de crédito para financiar a reposição de inventários e reparação dos dados nos estabelecimentos

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Ommyra Moreno Suárez

Na tarde do dia 5 de maio, após intensas iniciativas de protestos e distúrbios, dezenas de estabelecimentos comerciais propriedade de portugueses foram alvo de pilhagens na cidade de Valencia, Estado de Carabobo. Duas das pilhagens mais emblemáticas foram as da Central Madeirense à Isabélica e a da empresa Mocasa em Bella Florida. De seguida, os colaboradores consulares mobilizaram-se e enviaram os seus comunicados ao Governo do Estado de Carabobo e a polícia estadal para que oferecessem proteção aos estabelecimentos comerciais e restabelecessem a ordem pública. Contudo, nos dias seguintes, os comerciantes recusavam-se a abrir novamente as portas dos seus negócios por medo a que ocorresse algo parecido. Segundo declarações de Damiano del Vescovo, presidente de Fedecámaras Carabobo, só 10% dos estabelecimentos abriu as suas portas depois dos destroços. Ainda, garantiu que houve 80% de absentismo laboral, sobretudo porque apenas 5% das unidades de transporte coletivo ofereciam serviço nessa altura.

Em declarações ao CORREIO, os conselheiros das Comunidades Portuguesas, eleitos pela região centro-ocidente, divulgaram uma reunião com os afetados na sede do Consulado General de Portugal em Valencia. Na convocatória, autoridades realizaram o censo formal dos comércios violentados. No local, esteve presente José Gregorio Domingues, comissário da região Carabobo, juntamente com a sua equipa técnica, para informar os presentes sobre o procedimento para concordar com as denúncias perante o Cuerpo de Investigaciones Científicas, Penales y Criminalísticas (Cicpc). Tendo em conta os acontecimentos, funcionários do governo venezuelano receberam na Casa Amarela, em Caracas, o então embaixador de Portugal em Caracas, Fernando Teles Fazendeiro; o cônsul geral de Portugal em Caracas, Luis Albuquerque Veloso; o representante do Consulado General de Portugal em Valencia, Manuel Moreira; juntamente com Thiago Da Silva, presidente da Cámara Venezolana Portuguesa, e os conselheiros das Comunidades Portuguesas. Entre as propostas, falou-se da possibilidade do governo venezuelano habilitar produtos e financiamentos que permitissem aos comerciantes da zona repor os seus inventários e reparar os dados originados pelas estruturas dos seus estabelecimentos.

Na passada terça-feira, os conselheiros mantiveram uma reunião com representantes do Governo do Estado de Carabobo para conversas sobre o caso dos comerciantes que ainda não beneficiaram da linha de crédito. Nesse sentido, as autoridades lusas se irão mobilizar nos próximos dias com os expedientes destes casos para que finalmente possam ser incorporados a esta medida, que foi canalizada através de entidades bancárias do Estado venezuelano. «Felizmente, isto tem sido acompanhado por várias câmaras de comércio em Valencia, juntamente com o Governo do Estado Carabobo, para que os empresários possam recuperar os seus negócios. Recorde-se que o governo venezuelano comprometeu-se com o governo português para ajudar com este tipo de apoio financeiro», deu a saber o conselheiro Leonel Moniz da Silva.

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