Zelensky pede a Portugal armamento pesado e reforço de sanções à Rússia

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O Presidente ucraniano discursou esta quinta-feira na Assembleia da República. Foi a primeira vez que um chefe de Estado interveio por vídeoconferência no Parlamento português. No seu discurso de cerca de 15 minutos, Volodymyr Zelensky destacou a violência das forças russas contra a população ucraniana, agradeceu o apoio português e pediu ajuda para travar a Rússia de destruir a democracia dos países do leste da Europa.

“A Ucrânia já está a caminho da União Europeia (…) Quando essa questão for colocada, peço-vos, peço-vos mais uma vez, que nos apoiem nesse caminho. Estamos mais a leste e vocês mais a oeste, mas ambos sabemos que os valores que defendemos são iguais. (…) O vosso povo, que vai celebrar dentro de dias o aniversário da Resolução dos Cravos, percebe. Sabem o que estamos a sentir“.

Esta foi uma das declarações mais marcantes no discurso do líder da Ucrânia pela comparação ao 25 de Abril – considerada um “insulto” pelo PCP, que não assistiu mas criticou o discurso -, reafirmando que os ucranianos lutam porque “querem a liberdade”, porque “querem escolher o seu futuro”.

A marcar a sessão solene ficou também o discursou do presidente da Assembleia da República, Augusto Santos Silva, que salientou a “unidade nacional” contra a agressão russa e garantiu que Portugal nunca obstaculiza como preza as aspirações europeias de Kiev.

“Prezamos as aspirações europeias da Ucrânia e temos defendido, não só o reforço da cooperação no quadro do Acordo de Associação existente, como o exame pronto e atento, por parte das instituições europeias, do pedido de candidatura apresentado pela Ucrânia”, frisou o presidente da Assembleia da República, transmitindo ainda a Zelensky uma mensagem: “a luta do seu país pela liberdade é a luta da Europa toda pela liberdade”.

“E a essa luta pela liberdade o Portugal democrático nunca faltou, não falta e não faltará“, concluiu, numa intervenção aplaudida de pé por deputados de várias bancadas e antes de serem tocados os hinos da Ucrânia e nacional.

O amarelo e o azul, as cores da Ucrânia, na lapela dos deputados, a longa ovação de pé após o discurso do Presidente Volodymyr Zelensky e o hino ucraniano cantado que irrompeu das galerias marcaram a sessão solene que durou cerca de 35 minutos. A SIC Notícias acompanhou a cerimónia, recorde abaixo os principais momentos que anteciparam, marcaram e finalizaram a cerimónia.

O PCP não esteve presente, mas no final comentou o discurso de Zelensky considerando que a “intervenção de Zelensky confirmou-se um ato de instrumentalização para animar a escalada da guerra, visível nos apelos ao armamento a mais sanções”.

“A Revolução de Abril foi feita para por fim ao fascismo e à guerra, [pelo que] é um insulto a comparação com o 25 de Abril“, afirmou a líder parlamentar, Paula Santos, acusando “o poder na Ucrânia de estar a agredir o seu próprio povo” e reiterando que “a Ucrânia representa o contrário” da Revolução dos Cravos.

Quanto ao discurso de Santos Silva, a comunista considerou que “não é uma intervenção que deve corresponder a um órgão de soberania [desde logo] pelo cinismo”.

O deputado único do Livre, Rui Tavares, considerou que “foi bonito ouvirmos Zelensky falar do 25 de Abril e foi uma lição importante”.

Deixando claro “perante a nossa Assembleia da República, todos os nossos colegas deputados, que os valores que a Ucrânia defende na Europa, são os valores de Abril“.

“A pessoa que estivemos a ouvir é o presidente democraticamente eleito”, lembrou Rui Tavares, lamentando o facto de o PCP não ter estado presente.

Pela voz do Bloco de Esquerda, a coordenadora Catarina Martins reiterou que “a invasão russa é um ato de guerra ilegal que não encontra justificação ou atenuantes”, e “aplaude a resistência do povo ucraniano”.

“A Ucrânia tem direito a ser respeitada na sua integridade. É preciso apoiar o povo ucraniano, esse apoio é nos moldes em que pode ser dado e por via das sanções ao regime de Putin, e também um apoio a todos os que saem da Ucrânia e precisam de refúgio”, afirmou.

O “caminho para a paz tem de passar por negociações que exijam a retirada imediata das tropas russas. Nenhum país deve desistir de criar uma caminho para a paz” e esse caminho faz-se “com posições fortes contra o regime de Putin”, acrescentou.

O líder parlamentar do PSD, Paulo Mota Pinto, “foi um discurso que tocou todos os deputados, que não pode deixar de tocar todos aqueles que viram as imagens do massacre pelo invasor russo e o PSD gostava de expressar a mensagem de que entende que o Governo deve sem hesitação apoiar as vítimas desta invasão, deve responder positivamente a este apelo“, deve fazê-lo no plano militar, com o envio de armamento e no plano diplomático.

Apoiando o discurso do presidente do Parlamento, o social-democrata disse que “é preciso agora passar das palavras aos atos”.

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